Papa ao Primeiro-Ministro japonês: inconcebível o uso e posse de armas nucleares

Mais um forte apelo do Papa Francisco contra o uso de armas nucleares durante a audiência desta manhã (04) ao Primeiro-Ministro do Japão, Fumio Kishida. Suas palavras reiteram seu pensamento já dito em várias ocasiões sobre as armas nucleares

04 • MAI • 2022
 

Vatican News

Na manhã desta quarta-feira (04), antes da audiência geral, Francisco encontrou-se com o Primeiro-Ministro do Japão, Fumio Kishida. “No encontro, que durou cerca de 25 minutos – segundo o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé –, falou-se de armas nucleares e do quanto seja inconceptível seu uso e posse”.

Muitas vezes o Papa, seguindo os passos de seus antecessores, indicou o caminho do desarmamento e reiterou o quanto é "imoral" a própria posse de armas nucleares, o quanto isso representa uma "ameaça". Isso foi dito em 10 de novembro de 2017 durante seu discurso aos participantes do Simpósio Internacional sobre Desarmamento: a existência de armas nucleares - disse naquela ocasião - "é funcional à lógica do medo que não diz respeito apenas às partes em conflito, mas a todo o gênero humano. As relações internacionais não podem ser dominadas pela força militar, pelas intimidações recíprocas, pela ostentação dos arsenais bélicos. As armas de destruição de massa, em particular as atômicas – acrescentara o Papa - não podem constituir a base da convivência pacífica entre os membros da família humana, que ao contrário deve inspirar-se numa ética de solidariedade”.

Dois anos mais tarde, durante sua viagem apostólica ao Japão, falando no Memorial da Paz em Hiroshima, em 24 de novembro de 2019, recordava o "crime" do uso da energia atômica para fins bélicos "não apenas contra o homem e sua dignidade, mas contra qualquer possibilidade de futuro em nossa casa comum. O uso da energia atômica para fins de guerra é imoral, assim como é imoral a posse de armas atômicas". Diante do cenário de morte que a bomba atômica deixou no Japão e falando com os sobreviventes das terríveis explosões em Hiroshima e Nagasaki de agosto de 1945, Francisco repetiu que se realmente quisermos construir uma sociedade mais justa e segura, devemos deixar que as armas caiam de nossas mãos: "As novas gerações erguer-se-ão como juízes da nossa derrota por havermos falado de paz, mas não a termos realizado com as nossas ações entre os povos da terra. Como podemos falar de paz, enquanto construímos novas e tremendas armas de guerra? Como podemos falar de paz, enquanto justificamos certas ações ilegítimas com discursos de discriminação e ódio?”.

Uma ameaça à existência e à esperança do homem

Voltando ao Japão com a memória, também por ocasião do 75º aniversário do bombardeio, o Papa havia falado sobre o assunto em 2020, em 6 de agosto, e depois, em 9 de janeiro, encontrando-se com o corpo diplomático. Na ocasião havia reiterado "o horror que nós seres humanos somos capazes de infligir a nós mesmos", expressando a esperança de que a consciência humana se tornaria cada vez mais forte contra toda a vontade de domínio e destruição, especialmente aquele provocado por armas de tão grande força destruidora, como as armas nucleares. Estas não só fomentam um clima de medo, desconfiança e hostilidade, mas também destroem a esperança. Ainda em janeiro deste ano, em seu discurso aos embaixadores da Santa Sé, Francisco também acrescentou um apelo à comunidade internacional para "dar um passo decisivo” na construção de um mundo livre de armas nucleares, é ‘possível e necessário’: "As armas nucleares são instrumentos inadequados e impróprios para responder às ameaças à segurança no século XXI" e "sua posse é imoral". "A sua fabricação desvia recursos que deveriam ser empregues na perspectiva de um desenvolvimento humano integral e a sua utilização, além de produzir consequências humanitárias e ambientais catastróficas, ameaça a própria existência da humanidade".