Do algodão orgânico uma oportunidade para 300 jovens indianas

No espírito da Laudato si' do Papa Francisco e seguindo os ensinamentos do Pobrezinho de Assis, as monjas franciscanas de Tamil Nadu estão realizando uma atividade para ajudar as jovens indianas desempregadas, com especial atenção para as afetadas por várias deficiências. A "Assisi Garments" é uma empresa têxtil que combina tradição, inovação e proteção ambiental, apostando no algodão 100% orgânico

05 • OUT • 2021
 

Igor Traboni – Vatican News

Em 1994 algumas religiosas franciscanas da Índia, no estado sulista de Tamil Nadu, que por si só tem mais habitantes que a Itália, tiveram a ideia de abrir uma para atividade para ajudar as jovens sem trabalho, com especial atenção para as afetadas por várias deficiências, especialmente surdo-mudas. As irmãs decidiram que os lucros seriam usados não apenas para fazer crescer o negócio, mas também para apoiar outras obras de caridade e assistência. E o que poderia ser melhor na Índia do que trabalhar com algodão para dar empregos? Dito e feito: as irmãs criaram uma empresa, que hoje emprega cerca de 300 jovens três vezes mais do que a centena inicial, cujo nome é indissociável de suas origens franciscanas: "Assisi Apparel" era o nome da empresa, que três anos depois se tornou "Assisi Garments", especializada em roupas de algodão confeccionadas à mão.

Algodão orgânico e solidariedade

Estes produtos provenientes do Estado de Tamil Nadu, todos de excelente qualidade, estão gradualmente encontrando seu espaço no mercado do "comércio justo" das lojas italianas, graças, em particular, à “Altromercato” e “altraQualità2”, que os distribuem.

Às jovens que trabalham na “Assisi Garments” e que são provenientes também do vizinho Estado de Kerala, onde a população católica tem uma sua importância, as irmãs franciscanas dão casa e comida, além de obviamente um justo salário, cobertura da providência social e cursos de atualização. O objetivo é melhorar os produtos, sempre com a máxima atenção aos orgânicos, mas também como torná-los mais atraentes nos mercados internacionais, que vão além das Américas à vários países europeus. Os lucros das vendas são utilizados para vários projetos, em particular para uma clínica para pacientes com câncer (causado principalmente pelo uso de fertilizantes químicos na agricultura), mas também para um lar de idosos, um orfanato, um centro para pacientes com AIDS, assistência aos leprosos e educação, incluindo uma escola para cegos. Mas tudo isso não seria possível se o elo final da cadeia que começa naqueles armazéns no sul da Índia não tivesse sido criado o comércio justo e solidário.

Produção 100% certificada

Nesses quase 30 anos de atividade, "Assisi Garments" também conseguiu combinar tradição, inovação e proteção ambiental, criando uma cadeia de algodão 100% orgânico. Hoje reflete os ensinamentos de Laudato si' do Papa Francisco, desde responder ao grito da terra e dos pobres até impulsionar outras formas de aplicar a economia, desde adotar um estilo de vida alternativo à educação para criar consciência ecológica e novas oportunidades de trabalho. "Assisi Garments" representa algo único na indústria têxtil, com uma cadeia de fornecimento total e integrada desde a plantinha do algodão até a peça de vestuário pronta para a venda. Portanto, algodão 100% orgânico, com todas as certificações necessárias, de modo a contribuir de forma responsável para a proteção do meio ambiente, um elemento não insignificante mesmo na Índia. Por outro lado, Gots, The Global Organic Textile Standard, ou seja, o órgão que emite as certificações, leva em conta toda uma série de parâmetros: obviamente os ecológicos, mas também os puramente produtivos e sociais de toda a cadeia de abastecimento. Isto significa colheita do algodão, fiação, corte, tingimento, com a regulamentação de materiais e processos que podem ser utilizados na transformação do algodão ou de outras fibras orgânicas. "Assisi Garments", por exemplo, não utiliza corantes que contenham metais pesados ou formaldeído, de modo a não causar alergias nos compradores.