Cardeal Odilo, Assembleia Eclesial: um novo despertar da vida da Igreja na América Latina e Caribe

“A Assembleia Eclesial pode representar um novo despertar para a Igreja na América Latina e Caribe”. Esta é a expectativa do cardeal Odilo Pedro Scherer. O arcebispo de São Paulo, como membro da direção do Celam, está participando desde o planejamento, preparação e encaminhamentos prévios.

19 • NOV • 2021
 

Após a fase de escuta, realizar-se-á a 1ª Assembleia Eclesial da América Latina, de 21 a 28 de novembro de 2021, inspirada pelo lema “Somos todos discípulos missionários em saída”. Cerca de 100 pessoas, entre coordenação e convidados, participarão presencialmente no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, na Cidade do México, e outros 1.000  de forma remota em outros lugares da América Latina e do Caribe.

Novo despertar para a Igreja

“A Assembleia Eclesial pode representar um novo despertar para a Igreja na América Latina e Caribe”. Esta é a expectativa que o representante da CNBB junto ao Celam, cardeal Odilo Pedro Scherer credita ao processo que a primeira assembleia já vem desenvolvendo desde o processo de escuta.

O arcebispo de São Paulo, como membro da direção do Celam, está participando desde o planejamento, preparação e encaminhamentos prévios. “A preparação tem sido justamente acompanhar toda essa organização, a coordenação e os encaminhamentos para que tudo possa correr bem”, disse.

Segundo o cardeal, o grupo de 100 pessoas que participará no México é composto pela coordenação e convidados. O arcebispo chama a atenção, contudo, para a participação que envolverá todo o continente e mais de 1000 convocados remotamente de suas casas, cidades e países. “E dali participarão do programa e dos links que receberam no ato de sua convocação para acessarem as etapas e momentos da Assembleia ao longo da semana”, explicou.

De acordo com dom Odilo, a primeira Assembleia Eclesial responde a um chamado do Papa Francisco. O Santo Padre pediu ao Celam que fizesse um evento eclesial, envolvendo toda a América Latina e o Caribe, não apenas de bispos mas com os diversos membros da Igreja, para voltar-se à V Conferência de Aparecida, realizada em 2007, e responder às perguntas: que frutos a Conferência de Aparecida produziu nestes 14 anos? E quais são as questões que ainda não foram trabalhadas no continente após Aparecida e que precisariam ser retomadas?

Um outro desafio colocado pelo Papa, segundo o cardeal, é para que a Assembleia Eclesial levante as novas questões surgidas depois da Conferência de Aparecida. Dom Odilo informa que na programação estão previstas pequenas falas, alocuções, reflexões e vários tipos de análises do processo de escuta realizado e que estão sintetizados no Documento para o Discernimento Comunitário,  testemunhos que serão apresentados de várias partes da América Latina e Caribe e também momentos celebrativos e de oração.

“Essa Assembleia será um momento eclesial bonito dentro da perspectiva da sinodalidade que o Papa Francisco está pedindo para a Igreja assimilar”, aponta.

O arcebispo destaca ainda que trata-se de um evento eclesial preparado carinhosamente, com muita fé e que será animado e conduzido pelo Espírito Santo para produzir bons frutos. “Esses eventos eclesiais produzem sempre frutos importantes mas a gente não os percebe logo, vamos percebê-los um pouco mais adiante com o passar dos anos”, reflete.

O cardeal acredita que esta primeira Assembleia Eclesial vá produzir uma renovação da evangelização e um novo despertar da vida da Igreja na América Latina e no Caribe dentro de uma perspectiva sinodal. Ele destaca que o Assembleia começou antes que o Papa Francisco convocasse o Sínodo de 2023 e que a preparação desta já vem se dando a partir de uma experiência sinodal que agora soma-se à caminhada rumo ao Sínodo convocado pelo Santo Padre.

“O Espírito Santo suscita iniciativas e como o Papa gosta de pedir suscita processos. Nós não fazemos apenas um evento isolado mas um processo que continua e suscita outros eventos, que suscita um caminhar da Igreja. Isto é fazer Sínodo, um caminhar juntos no sentido da vida e da fé da Igreja”, disse.

Participantes do Brasil

O Brasil participará com uma delegação de 314 convidados, com as vagas distribuídas conforme as vinculações eclesiais, sendo 64 bispos distribuídos proporcionalmente ao número de dioceses dos 19 regionais da CNBB, 63 vagas para padres e diáconos, 63 vagas para religiosos e institutos seculares distribuídas segundo os diferentes carismas, 94 indicações para leigos cujas vagas foram distribuídas pela Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) observando as referências nos organismos ligados ao laicato como Conselho Nacional dos Leigos do Brasil (CNLB), CEBs, e também nas Pastorais, como a Familiar e a Juvenil.

Estão incluídas ainda 31 vagas que foram contempladas por pessoas que integram grupos excluídos, entre os quais participarão cinco indígenas brasileiros.  O arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, não entra na lista dos 314 convidados, uma vez que está como “membro nato” da assembleia, por conta da função na Conferência Episcopal. Presencialmente, no México, participarão o arcebispo de São Paulo e delegado da CNBB junto ao Celam, o cardeal Odilo Pedro Scherer e a presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil, irmã Maria Inês Ribeiro.