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QUARESMA
Quaresma
é um tempo oportuno para rever a nossa caminhada de cristãos
e também de aprender a sua origem e suas etapas para melhor
celebrar a Páscoa do Salvador.
A palavra
Quaresma provém do vocábulo latino, quadraginta, e
do seu adjetivo, quadragésima, que significa quarenta. No
tempo dos primeiros cristãos, temos a quadragésima
paschae, sendo o período de quarenta dias de preparação
para a Páscoa. Nesse tempo destacamos três pilares
fundamentais: a oração, penitência e conversão.
SENTIDO BÍBLICO
Esse
tempo é muito rico de símbolos, pois lembramos os
quarenta anos da peregrinação de Israel pelo deserto
na procura da terra. Essa experiência do deserto foi muito
importante porque colocou o povo diante da opção entre
Jaweh , o Deus de Abraão, e os ídolos. Lembramos ainda
os quarenta dias, que Moisés jejuou no monte Sinai (Ex. 34,28),
quando houve a manifestação de Jaweh, e lhe conferiu
as tábuas da lei, contendo os dez mandamentos. Recorda-se
também o tempo que profeta Elias caminhou em direção
do monte Horeb (1Rs 19,8), onde teve a grande experiência
com Jaweh.
Geralmente,
as nossas comunidades procuram imitar Jesus Salvador que jejuou
quarenta dias no deserto, depois do seu batismo no Jordão
(Mt 4,2 ; Lc 4,1). O deserto, na concepção bíblica,
é considerado o lugar da provação, da experiência
da solidão e de penitência. É o lugar da conscientização
e da reflexão, diante das grandes decisões que marcam
etapas na história da salvação.
No
início do cristianismo o jejum era seguido à risca.
Tomava-se uma refeição no final da tarde. Depois foi
acrescentada a abstinência de carne e vinho, e em alguns lugares,
a abstinência de laticínios. Esse rigorismo no jejum
e penitência vem desde o século IV até o final
da Idade Média.
Para
nós e nossa comunidade hoje, podem parecer sem sentido esses
costumes e até chegarmos à conclusão de que
tudo isso não passa de uma visão errônea sobre
o homem ou alteração do seu sentido religioso. Mas,
os primeiros cristãos, viam o jejum como meio de equilíbrio
e domínio da vida humana e um meio de concentração,
meditação e oração. O jejum era também
uma forma de alerta para ajudar os pobres, denunciando o supérfluo
e o luxo de muitos que esbanjavam, enquanto muitos passavam fome.
O jejum
quaresmal estava relacionado à reconciliação
dos penitentes e à preparação ao batismo, segundo
o apelo de Marcos 1,15: "Convertei-vos e crede no evangelho".
TEMPO PENITENCIAL
Tendo
presente que a quaresma nos indica o jejum e a penitência,
não usar desses meios como pretexto para viver no clima de
consternação, tristeza, desânimo. Deve ser o
tempo de alegre preparação para a Páscoa. É
o momento de abertura e meditação para a Palavra de
Deus Salvador e caminho com outro, que pede a metánoia (Mc
1,15), a mudança de atitude, a modificação
de vida.
O jejum, melhor compreendido, não é apenas a renúncia
dos alimentos, mas o equilíbrio sadio diante de tanto bem-estar
que a vida moderna, consumista nos oferece.
O Concílio Vaticano II pede para resgatar os elementos
batismais próprios da liturgia quaresmal, que foram perdidos
com o passar dos tempos. Os elementos penitenciais devem ser acompanhados
pela conversão, mudança radical de mentalidade e de
vida, baseada na realidade em que vivemos, procurando detectar o
pecado pessoal e social, como causa de exclusão e desvalorização
pela vida humana.
PREPARAÇÃO
PARA A PÁSCOA
Agora é a nossa vez! Já sabemos que a
quaresma é o convite à penitência, à
conversão, à oração e à reflexão.
Por isso, somos convidados a fazer uma recordação
- atualização da experiência do batismo. Pois
o batismo é um sinal daqueles que acreditam na vida, mensagem,
morte e ressurreição do Divino Salvador. Pela sua
vida, nos trouxe o compromisso com os excluídos e marginalizados.
Nossa missão nessa quaresma visa superar
os aspectos folclóricos da quaresma para recuperar seus aspectos
penitenciais, dentro dos quarenta dias, para que sejam uma retomada
da vida pessoal e uma reflexão da vida social da comunidade.
Por isso é fundamental a preparação
para a Páscoa, pois a Igreja tem consciência que a
Páscoa constitui o valor supremo da vida da humanidade, o
centro de convergência da História. Na carta aos Romanos,
capítulo seis, Paulo diz que o batismo é perfeita
conformação com a morte e ressurreição
de Cristo. Assim, a Quaresma e a Páscoa têm por função
espiritual o reencontro do batismo com o cristão, que é
adesão ao projeto do Salvador.
CONCLUSÃO
A vida é um caminho a ser percorrido, entre os irmãos
e irmãs da estrada na direção de Deus. Muitas
vezes precisamos retomar o caminho, recuperar as forças e
caminhar com novo entusiasmo. Esse tempo favorável para essa
missão é a quaresma. O objetivo maior é a Páscoa,
a passagem cristã, que refaz o projeto de Deus e simboliza
a Páscoa eterna.
Tempo de penitência, oração, conversão
faz pensar que a quaresma é o caminho de volta.
A quaresma não é um tempo formal, de penitências
estipuladas, de jejuns estéreis. É tempo de recuperar
valores perdidos do cristianismo para a construção
do Reino de Deus. |
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