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Quem dentre nós ainda não ouviu expressões
como: “o cristão deve ser fermento na massa”
tratando-se do campo da evangelização? Já dentro
do campo político e social, a palavra “massa”
é usada para falar de pessoas que são manipuladas
por um sistema de cunho ideológico. Por outro lado há
quem fale de “conscientização”, “fazer
a cabeça das pessoas” e outras expressões do
gênero.
A nossa sociedade possui os seus
próprios valores e sua própria consciência,
formada pelo capitalismo, pois o “cristianismo foi mordido
em sua artéria pelo capitalismo”. Entre os principais
valores pregados pelo capitalismo estão a eficácia
e a eficiência. As pessoas que não tiveram oportunidades
para estudar, estão sendo cada vez mais deixadas de lado.
Para o capitalismo o que importa é o deus do ter e o do poder.
Há também o deus do prazer, porém este último
é adorado pelo capitalismo de forma diferente da sociedade
em geral. Pois enquanto o capitalismo prega o consumismo como forma
de prazer, adora este deus acumulando cada vez mais.
Como meio de fomentar o consumismo
entra em sena a Mídia e os meios de Comunicação
Social. Muitos programas de rádio e televisão usam
o modelo tradicional de família em propagandas para vendas
de produtos. Por outro lado estes mesmos Meios de Comunicação
ridicularizam as famílias atacando seus valores fundamentais
em novelas, filmes e em programas em geral. “A família
apresenta-se, outrossim como vítima dos que convertem em
ídolos o poder, a riqueza e o sexo. Para isso contribuem
as estruturas injustas, sobretudo os Meios de Comunicação,
não só com suas mensagens de sexo, lucro, violência,
poder ostentação, mas também pondo em destaque
elementos que contribuem para propagar o divórcio, a infidelidade
conjugal e o aborto, ou a aceitação do amor livre
e das relações pré-matrimoniais” (Puebla
art. 573, p.236). Muitos cristãos, não querendo passar
por atrasados, sentem-se forçados a renunciar valores familiares
e cristãos considerados arcaicos como honestidade, fidelidade
e outros.
Mas é neste contexto
de oprimidos e opressores, valores e contra-valores, progressos
científicos e tecnológicos, a serviço ou não
dos empobrecidos, que os cristãos precisam vivenciar o seu
batismo e os demais sacramentos, iluminados pela fé em Jesus
Cristo. Não estamos falando dos católicos batizados
que não participam da Igreja, certamente estes não
têm a pretensão de dizerem que devem ser “fermento
na massa”, estamos falando de todos nós que participamos
de algum modo da vida da Igreja.
Participar da vida da igreja, além
de participar das missas e dos sacramentos é acima de tudo
se deixar misturar pelo “fermento” do Reino de Deus
que é o amor, a justiça e a misericórdia. O
amor que vem de Deus não se reduz a um sentimento de “pena”
por quem está sofrendo. Pois o amor e a misericórdia,
vêm de Deus e nos moverá a nos comprometermos com aqueles
que sofrem. Comprometer-se com os que sofrem não é
somente dar um prato de comida ou uma esmola, “os pagãos
também fazem isso, emprestam para receber outro tanto”.
Quem é cristão é chamado a promover a vida
onde ela estiver ameaçada. Isto não é possível
sem doação. Doar-se não é também
possível sem uma união com Jesus Cristo. “Para
os cristãos, não se trata só de imitar Jesus,
mas de estarem intimamente unidos a Ele”.(Doc. Pontifício
Conselho para o dialogo inter-religioso art. 86 pg 72).
É o Amor de Deus que nos vem
pelo seu Espírito Santo, que une Jesus Cristo a todos os
cristãos e que faz crescer o Reino de Deus. Como o “fermento
misturado na massa”. É neste sentido que Jesus disse
que “o Reino de Deus é semelhante ao fermento que uma
mulher tomou e pôs três medidas de farinha, até
que tudo ficasse fermentado”(Mt 13,3).
Esta comparação do
Reino de Deus com “farinha” e “fermento”
que são misturados, não deveria ser entendido como
algo que se inicia quando começamos a fazer pastoral e falamos
para as pessoas sobre o Reino de Deus, mas precisa ser entendido
como algo que transforma primeiramente a nossa vida, nos contagia,
transborda-nos pelo testemunho. Daí, então, deveria
ser falado porque, antes, este Reino de Deus foi experimentado,
experienciado, vivido. Quando isso acontece concretamente, o Reino
de Deus aparece, cresce, como um fermento que se confunde com a
“massa”. Quem olha, só percebe a “massa”
crescendo. Não vê nem compreende que quem faz a massa
crescer é o fermento. Pois a força está no
“fermento” e não na “massa”, que
é movimentada e cresce. A “massa” é elogiada
enquanto o fermento é esquecido. “Massa” aqui
não deve ser entendida como uma multidão de pessoas
em um espaço geográfico específico. Pois o
Reino de Deus não se limita a um espaço geográfico,
se manifesta em todo lugar, onde se encontram pessoas que livremente
estejam dispostas a renunciar o deus do poder, do ter e do prazer,
e se disponham a dizer sim à proposta do Reino de Deus, cuja
manifestação já se faz no mundo inteiro.
Para Refletir
1. Considerando o “fermento”do Reino de Deus e o do
capitalismo, em qual dos dois estou mais envolvido(a)?
2.Como estou testemunhando os valores do evangelho, quando percebo
que não dá para conciliá-los com certos valores
pós-modernos?
3. Até que ponto a minha relação entre fé
e vida é percebida na relação com as outras
pessoas? |
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