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Estamos na páscoa, tempo de Vida Nova, festa da vitória
!
A Vida vence a Morte !
Diante dessa festa tão importante,
precisamos voltar às origens para celebrarmos esse momento
fundamental da nossa vida cristã. Antes de tudo nos deparamos
com a experiência da morte, que nos surpreende com sua chegada
intempestiva, levando todos aqueles que estavam unidos a nós
por vínculos de afeto.
Desde os tempos mais antigos das
culturas da humanidade há questionamentos sobre a morte:
vamos continuar vivendo após a morte? Como seremos? Para
onde vamos? Entretanto, somente a religião cristã,
nenhuma outra cultura viu a possibilidade da ressurreição
da pessoa como tal.
As interrogações sobre
o que há após a morte tira o "sono" de muita
gente, porque bem sabemos que o homem tem, no mais profundo de seu
ser, o desejo de ser eterno e procura, em sua cultura, símbolos
que falem da sua esperança numa outra vida. Não podemos
deixar de lembrar que a realidade latino-americana é marcada
pela opressão e morte dos pobres. A vida de milhões
é aniquilada lentamente por estruturas injustas.
Nessa união de fé e
cultura destacamos a festa da páscoa, festejada de formas
diferentes nas diversas culturas, evocando tradições
anteriores aos ritos judaicos.
ORIGENS DA FESTA DA PÁSCOA
A festa da páscoa tem origem
numa tradição judaica, muito antes da vinda de Cristo.
Era uma festa que recordava momentos significativos do povo hebreu
(judeu). Inicialmente começou com a cerimônia das primícias,
apresentava-se a Deus o primeiro feixe da colheita ( Lv 23, 9-14).
Outro momento significativo
é a páscoa da libertação, que é
a passagem do Senhor (Ex. 12,11), passagem de Deus na figura do
anjo exterminador que passou, adiante, ao ver o sangue do cordeiro
sobre os umbrais das portas das casas habitadas. Páscoa neste
sentido significa a libertação do povo na situação
de morte entre o mar vermelho e o exército inimigo. O terceiro
momento era o rito da imolação do cordeiro e a atitude
de comer pães ázimos que recordava o grande acontecimento
da libertação no Egito e da aliança no Sinai,
bem como a entrada na terra prometida.
SÍMBOLOS
E ESPERANÇA
A páscoa de Cristo tem um
significado profundo, apesar da correspondência com alguns
símbolos da páscoa judaica: como Ele ressurgiu três
dias após sua morte, todos ressurgirão para a vida
eterna. E a páscoa para os cristãos é a festa
da esperança na vida eterna. Temos os símbolos cristãos
que evocam um novo desabrochar da vida, uma passagem da morte para
a vida, através da ressurreição.
Vejamos como exemplo os ovos da páscoa
que representam o sepulcro que liberta a nova vida. As tradições
comuns aos cristãos são a bênção
do fogo novo, as velas ou círio, símbolo de Cristo
ressuscitado, o pão enfeitado porque é alimento que
sustenta a vida. Páscoa para os Judeus é vida e liberdade;
para nós cristãos é vida e ressurreição.
Na páscoa cristã e
Judaica, existem símbolos comuns: o cordeiro sem ossos quebrados
e seu sangue, marcando o povo para uma nova realidade de mudanças
e libertação em meio a toda opressão. Cristo
é o cordeiro imolado que salva a humanidade com seu sangue
onde nenhum dos seus ossos foi quebrado.
PESSACH :PÁSCOA DOS JUDEUS
A páscoa judaica é
chamada pessach, que significa libertação e lembra
o episódio do Êxodo quando os Judeus eram escravos
no Egito. Para os judeus, a páscoa é celebrada no
primeiro dia de lua cheia do primeiro mês do início
da primavera e dura sete dias. É a festa mais importante
onde comemora-se a liberdade e a identidade judaica, permitindo
a sobrevivência desse povo por longos séculos através
dos ritos.
A pessach é uma festa tipicamente
familiar. No dia anterior à celebração faz-se
uma profunda limpeza da casa, procurando não deixar nada
de fermentado, queima-se o lixo para ensinar as novas gerações,
que só é permitido comer pães ázimos,
seguindo a prescrição do livro do Êxodo. A cabala
ensina que o fermento representa as imperfeições morais
e as tendências negativas do homem. Da mesma forma que a massa
fermentada enche-se de ar e cresce, assim também é
o homem que se enche de vaidade, vazios. O pão ázimo
lembra também aos judeus a pressa que seus antepassados tiveram
que lutar pela sua saída do Egito.
SEDER
- A CEIA DOS JUDEUS
No pôr-do-sol, tem início
a festa que consiste numa ceia chamada seder palavra que significa
ordem, porque ela se desenvolve, segundo um ritual secular. Na ceia,
é lembrado a libertação do povo da escravidão
no Egito, transmitindo a importância dessa memória
numa catequese que se refere a história do povo judaico.
A cerimônia do seder
inicia-se com a bênção do vinho ou kidush, que
se bebe enquanto uma criança faz perguntas rituais sobre
o sentido do pessach. As respostas são dadas pelo chefe da
família, enquanto são colocados alimentos na mesa:
o pão ázimo, as ervas amargas, o cordeiro assado e
um ovo que representa a destruição do templo de Jerusalém.
Na refeição
são tomadas quatro taças de vinho. Após a refeição,
as crianças procuram a sobremesa ou afikoman, que é
escondida pelo pai no início da cerimônia. O doce é
distribuído para os presentes na celebração,
que depois não poderão tomar nada de sólido
até o fim da noite. Depois vem a bênção
de ação de graças e é tomado mais uma
taça de vinho, que é dedicada ao profeta Elias.
O final da celebração
do seder é apresentado uma série de canções
e melodias, na qual a última é denominada "No
ano que vem em Jerusalém" que é um voto de esperança
que expressa o que está no coração de todo
Judeu: que se restabeleça o Reino de Deus e que Jerusalém
seja o símbolo, mesmo incompleto, da vida nos tempos messiânicos.
JESUS E A FESTA DA PÁSCOA
Depois de tudo isso cabe-nos
lembrar que desde o início de sua vida, o Divino Salvador
se inseriu na vida religiosa do seu povo. Ele não podia deixar
de viver e fazer uso de todo tipo de rito dos Judeus, incluindo
a celebração da páscoa, para assim perpetuar
a verdadeira páscoa. Desse modo, o Salvador, antes de deixar
este mundo e voltar para o Pai, instituiu um rito, para a verdadeira
passagem do homem deste mundo para o Pai, através de sua
morte redentora.
Não temos dúvida
que Jesus celebrou a páscoa Judaica. Mas em seguida nasceu
um novo rito em sua memória, a memória de outro fato
histórico que havia de realizar: sua própria morte.
"Fazei isto em memória de mim"(Lc 22,19) onde significava
"sede vós, o meu exemplo, corpo dado e sangue derramado
em favor de vossos irmãos".
Podemos concluir que a ressurreição
é um aspecto do Reino de Deus que se dirige à pessoa
inteira, é um novo mundo, uma nova criação,
é o tempo- que há-de-vir, que existe vida - após
- a morte nas ações do Salvador: saúde para
os doentes, vida para os mortos, boas novas de libertação
para os pobres. |
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