MISSIONÁRIOS DA VIDA E DA ESPERANÇA
"Pe. Paulo José Floriani"

    Dedicamos o mês de outubro na Igreja para refletirmos sobre a nossa ação como seguidores de Jesus de Nazaré. Momento propício e fecundo de resgatarmos a dimensão missionária que nasce do encontro com o Salvador. Queremos aproveitar desta página de nosso jornal para alguns apontamentos em relação a esta nossa presença missionária no mundo, lembrando sempre que nosso fundador, Pe. Jordan, queria ardorosos mensageiros da boa-nova.
      O texto de Mateus 28, 19-20 apresenta elementos significativos que nos iluminam em nossa tarefa como discípulos de Jesus.
      O "mandato missionário" de Jesus marca o final do Evangelho. Somente após toda a experiência de realizar a caminhada com o Mestre é que os discípulos são, enfim, enviados a anunciar. É a partir da experiência da ressurreição que nasce a missão, como boa-notícia de que a vida vence a morte. Ela é fonte de esperança para toda a comunidade, para todos os seres humanos: é possível vencer as adversidades enfrentadas em nossa existência! É possível construir um mundo mais justo, mais fraterno, tornando cada vez mais visível o Reino!
      Os discípulos são chamados a estender a proposta de Jesus a todos os povos, a todas as pessoas. Abre-se, desta maneira, o caráter universal da boa-nova. Esta não é exclusividade de um pequeno grupo, mas dom de Deus a ser partilhado por todos os seres humanos. Recebido como dom, precisa ser oferecido gratuitamente por aqueles que fizeram a experiência desta gratuidade, sendo testemunhas da presença do Salvador entre nós. Este mesmo Salvador que nos oferece a paz nascida da ressurreição (Jo 20,19-22). Receber a paz, vivendo o Espírito do Mestre, é promover relações de paz. É inverter a lógica violenta da dominação de uns sobre outros. É aprender a olhar as necessidades de cada indivíduo e colaborar para que estas sejam supridas, de maneira que a vida seja o dom maior a ser defendido. Aqui nasce salvação: gerar possibilidades para que a vida resplandeça em todo o seu vigor, humanizando-nos.
      Ser missionário, portanto, é estar sempre a caminho, desinstalar-se. Não é querer simplesmente fazer dos outros discípulos de Jesus, mas, antes de tudo, ser discípulo e colocar-se na dinâmica processual do discipulado, assumindo a continuidade da missão do Mestre (Lc 4,18-22), vencendo os medos que paralisam. Para tanto:
- Somos chamados a ser sinais de salvação, luz que brilha em meio a tantas situações de escuridão que nos cercam (Mt 10,27). Gritar a verdade sobre os telhados, a pleno pulmões. Ser sal que dá sabor à vida e à história (Mt 5,13-16), aprendendo a saborear cada momento como espaço de possibilidade de ser melhor, de crescer;
- Aprender a viver a instabilidade do caminhar, livrando-se de falsas seguranças (Mc 6,8-9; Lc 9,3). Não estar apegados a doutrinas, leis, princípios, normas, como porto seguro que tudo determina, não permitindo espaço para a novidade que brota do sopro constante e livre do Espírito de Deus. Ler e interpretar os sinais dos tempos continua a ser desafiante para todos nós. Ser luz que ilumina, sal que dá sabor hoje, enfrentando os problemas e as dificuldades dos seres humanos de hoje, procurando caminhos que abram o futuro e a esperança para o amanhã...
- Com certeza, e já nos havia alertado o Salvador, colocar-se nesta dinâmica do discipulado, estar a caminho, enfrentar as escuridões, tudo aquilo que vai contra a vida em todas as suas dimensões, traz e continuará a trazer perseguições e, por que não dizer, até mesmo morte (Mt 10,17-22). Porém já sabemos que não devemos temer os que matam o corpo, mas sim os que matam o espírito que nos impulsiona a perder o medo e a crescer (Mt 10,26-28). Quando morrem as utopias, os sonhos que dão sentido ao nosso existir, também nós morremos...
      Neste caminho, marcado por adversidades e por pequenas vitórias, o Senhor sempre nos acompanha. Não estamos desamparados. Ele nos conclama a formar comunidade: espaço de encontro daqueles e daquelas que querem ser fermento na massa, ser fonte viva de esperança e de paz, realizando sinais da ação salvadora na história. Como aos discípulos de ontem continua a nos chamar hoje. Quer que sejamos missionários do Reino, líderes em nossas comunidades. Você também é convidado(a) a fazer parte deste caminho. Seja bem vindo(a)! Caminhemos juntos e inventemos nosso caminhar.
      O tempo urge por pessoas que queiram se dedicar a criar espaços de paz e de esperança, onde a vida seja o valor maior e não o lucro. Vivemos numa sociedade em que o mercado pretende deter a última palavra sobre o sentido da vida de todos os seres humanos, sendo que apenas alguns têm o direito a uma vida digna.
      Nós cristãos, que experienciamos a ressurreição de Jesus, a gratuita oferta do amor de Deus, nosso Salvador, não podemos nos calar e nos omitir. Somos portadores de uma boa-mensagem para todos aqueles que são vítimas de um sistema violento e excludente. Contra toda esperança gritamos a esperança de uma nova sociedade...

© - 2006 - Salvatorianos - Todos os direitos reservados