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Dedicamos o mês de outubro na Igreja para refletirmos sobre
a nossa ação como seguidores de Jesus de Nazaré.
Momento propício e fecundo de resgatarmos a dimensão
missionária que nasce do encontro com o Salvador. Queremos
aproveitar desta página de nosso jornal para alguns apontamentos
em relação a esta nossa presença missionária
no mundo, lembrando sempre que nosso fundador, Pe. Jordan, queria
ardorosos mensageiros da boa-nova.
O texto de Mateus 28, 19-20 apresenta
elementos significativos que nos iluminam em nossa tarefa como discípulos
de Jesus.
O "mandato missionário"
de Jesus marca o final do Evangelho. Somente após toda a
experiência de realizar a caminhada com o Mestre é
que os discípulos são, enfim, enviados a anunciar.
É a partir da experiência da ressurreição
que nasce a missão, como boa-notícia de que a vida
vence a morte. Ela é fonte de esperança para toda
a comunidade, para todos os seres humanos: é possível
vencer as adversidades enfrentadas em nossa existência! É
possível construir um mundo mais justo, mais fraterno, tornando
cada vez mais visível o Reino!
Os discípulos são chamados
a estender a proposta de Jesus a todos os povos, a todas as pessoas.
Abre-se, desta maneira, o caráter universal da boa-nova.
Esta não é exclusividade de um pequeno grupo, mas
dom de Deus a ser partilhado por todos os seres humanos. Recebido
como dom, precisa ser oferecido gratuitamente por aqueles que fizeram
a experiência desta gratuidade, sendo testemunhas da presença
do Salvador entre nós. Este mesmo Salvador que nos oferece
a paz nascida da ressurreição (Jo 20,19-22). Receber
a paz, vivendo o Espírito do Mestre, é promover relações
de paz. É inverter a lógica violenta da dominação
de uns sobre outros. É aprender a olhar as necessidades de
cada indivíduo e colaborar para que estas sejam supridas,
de maneira que a vida seja o dom maior a ser defendido. Aqui nasce
salvação: gerar possibilidades para que a vida resplandeça
em todo o seu vigor, humanizando-nos.
Ser missionário, portanto,
é estar sempre a caminho, desinstalar-se. Não é
querer simplesmente fazer dos outros discípulos de Jesus,
mas, antes de tudo, ser discípulo e colocar-se na dinâmica
processual do discipulado, assumindo a continuidade da missão
do Mestre (Lc 4,18-22), vencendo os medos que paralisam. Para tanto:
- Somos chamados a ser sinais de salvação, luz que
brilha em meio a tantas situações de escuridão
que nos cercam (Mt 10,27). Gritar a verdade sobre os telhados, a
pleno pulmões. Ser sal que dá sabor à vida
e à história (Mt 5,13-16), aprendendo a saborear cada
momento como espaço de possibilidade de ser melhor, de crescer;
- Aprender a viver a instabilidade do caminhar, livrando-se de falsas
seguranças (Mc 6,8-9; Lc 9,3). Não estar apegados
a doutrinas, leis, princípios, normas, como porto seguro
que tudo determina, não permitindo espaço para a novidade
que brota do sopro constante e livre do Espírito de Deus.
Ler e interpretar os sinais dos tempos continua a ser desafiante
para todos nós. Ser luz que ilumina, sal que dá sabor
hoje, enfrentando os problemas e as dificuldades dos seres humanos
de hoje, procurando caminhos que abram o futuro e a esperança
para o amanhã...
- Com certeza, e já nos havia alertado o Salvador, colocar-se
nesta dinâmica do discipulado, estar a caminho, enfrentar
as escuridões, tudo aquilo que vai contra a vida em todas
as suas dimensões, traz e continuará a trazer perseguições
e, por que não dizer, até mesmo morte (Mt 10,17-22).
Porém já sabemos que não devemos temer os que
matam o corpo, mas sim os que matam o espírito que nos impulsiona
a perder o medo e a crescer (Mt 10,26-28). Quando morrem as utopias,
os sonhos que dão sentido ao nosso existir, também
nós morremos...
Neste caminho, marcado por adversidades
e por pequenas vitórias, o Senhor sempre nos acompanha. Não
estamos desamparados. Ele nos conclama a formar comunidade: espaço
de encontro daqueles e daquelas que querem ser fermento na massa,
ser fonte viva de esperança e de paz, realizando sinais da
ação salvadora na história. Como aos discípulos
de ontem continua a nos chamar hoje. Quer que sejamos missionários
do Reino, líderes em nossas comunidades. Você também
é convidado(a) a fazer parte deste caminho. Seja bem vindo(a)!
Caminhemos juntos e inventemos nosso caminhar.
O tempo urge por pessoas que queiram
se dedicar a criar espaços de paz e de esperança,
onde a vida seja o valor maior e não o lucro. Vivemos numa
sociedade em que o mercado pretende deter a última palavra
sobre o sentido da vida de todos os seres humanos, sendo que apenas
alguns têm o direito a uma vida digna.
Nós cristãos, que experienciamos
a ressurreição de Jesus, a gratuita oferta do amor
de Deus, nosso Salvador, não podemos nos calar e nos omitir.
Somos portadores de uma boa-mensagem para todos aqueles que são
vítimas de um sistema violento e excludente. Contra toda
esperança gritamos a esperança de uma nova sociedade... |
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