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Durante muitos anos a Igreja contempla em seu calendário
litúrgico um tempo reservado para a preparação
do Natal. A esse período dá-se o nome de Advento.
Como o próprio termo, em sua etimologia já nos diz,
é um momento vivificado pela comunidade cristã e por
sua vez expressado nas celebrações litúrgicas
que o compõe, cuja finalidade é a preparação
para a solenidade do nascimento do Divino Salvador.
Tal acontecimento mobiliza as equipes litúrgicas
das mais variadas comunidades para que, explorando a riqueza contida
neste tempo litúrgico, tentem imprimir nas celebrações
um rosto que de fato sensibilize as pessoas a aderirem a mística
que envolve este período, tão necessária para
a caminhada cristã.
A espiritualidade que rege o Advento está repleta de uma
simbologia que toca intimamente as pessoas e as fazem experimentar
em profundidade a presença do Deus da vida, do Deus libertador,
que se revela na pessoa de Jesus de Nazaré e que as leva
a acreditar no Projeto de Vida, de solidariedade, de justiça,
de fraternidade, de esperança, de paz, anunciado pelas palavras
e atitudes de Jesus.
Ao considerarmos a pessoa humana
como um ser simbólico faz-se necessário refletirmos
sobre a dimensão simbólica que envolve este tempo
litúrgico, pois os símbolos que estão presentes
na liturgia nesta época possuem em si uma linguagem de significados
consideráveis.
Dada a amplitude desta simbologia
podemos nos restringir a alguns deles os quais ocupam lugar especial
no meio do povo: dentro do conjunto de cores litúrgicas que
enriquecem a liturgia, o tempo do advento é caracterizado
pela cor roxa, todavia não no mesmo sentido empregado na
quaresma, mas aqui simbolizando a expectativa, a atitude vigilante,
alegre, esperançosa, de abertura interior para receber o
Divino Salvador. Vale ressaltar que no 3º Domingo do Advento,
para caracterizar mais ainda essa expectativa para a celebração
natalina, pode-se também utilizar nas vestes e na decoração
do templo a cor rósea dando ênfase a alegria; a coroa
do advento, feita com ramos verdes, enfeitada com fitas coloridas
é sinal de esperança pela presença de Jesus
na história bem como simboliza o tempo desde a criação
até o momento da parusia.
Juntamente com a coroa vão as quatro velas as quais, além
de simbolizarem a luz necessária para a vida do cristão,
convidam-nos a cada domingo do Advento a uma atitude crescente de
vigilância e de abertura à expectativa vivida para
a celebração do nascimento de Jesus. O verde da coroa
e a luz das velas expressam a vida de Deus na história; o
presépio, lugar que marca a simplicidade e a opção
preferencial pelos pobres em Jesus; a gruta que simboliza o útero
no qual se gera a vida (lembremo-nos de que Jesus veio para que
todos tenham vida e a tenham em abundância) e a árvore
(pinheiro) que na primavera renova sua folhagem e assim nos lembra
vida nova.
Que neste Advento, portanto,
possamos vivenciar em nossas vidas tal espiritualidade com disposição
e alegria encarnando em nós cada vez mais os valores éticos
do Evangelho, indispensáveis para a revitalização
de nossas comunidades. |
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