GRITO DE LIBERTAÇÃO
"Frei Vanderlei Lopes da Silva"

     

 

 

     O drama dos povos indígenas esta intimamente relacionados à terra. O fato é que cada índio está umbilicalmente ligado a terra, ela é condição de sobrevivência; sem terra, não há vida, não há cultura; sem cultura, não há culto, não há esperança, não há fé, não há dignidade, há uma negação total da vida
Para o índio, a terra é onde a vida acontece, é seu "chão cultural, habitado por suas tradições, referência básica dos seus valores vitais, prenhe de mitos, campo de sua história". Desenraizá-los é lhes negar o direito de ser, de viver.
      Olhando para o chão histórico dos indígenas no Brasil e em toda a América, ecoa em nosso coração o grito das nações massacradas, que tiveram suas terras, suas culturas destruídas. Se ouve o grito de uma nação que a 500 anos derrama seu sangue lutando pela vida e justiça, como nos falou o índio Pataxó Matalauê, "são quinhentos anos de massacre, de exclusão, de exploração, de preconceito, de extermínio de nossos parentes, aculturamento, estupro de nossas mulheres, devastação de nossas terras, de nossas matas". O grito indígena por justiça, terra e, sobretudo liberdade, aponta para o horizonte de uma espiritualidade libertadora.
     O texto base da CF-2002 mostra que ao longo desses anos se fez muito pouco pela causa indígena, e nos deixa um desafio: Até quando ficaremos parados? É preciso uma ação profética para que essas nações tenham seus direitos, sua dignidade respeitada e isso só é possível se suas terras forem devolvidas e demarcadas. Não podemos ficar apáticos, paralisados enquanto o sangue indígena é derramado no nosso solo.

 
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