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A história bíblica é guiada por grandes
líderes que se movem sob a inspiração divina:
Moisés, os juizes, os profetas, os apóstolos... São
homens escolhidos por Deus para uma tarefa histórica. Sobre
estes homens desce o Espírito de Deus, a sua força
e inspiração os sustenta e anima.
A festa judaica do Pentecostes, realizada
no fim da primavera, comemorava a colheita dos primeiros frutos
dos cereais e o recebimento da Torá, o livro sagrado dos
judeus, no Monte Sinai. Pelo dom do Espírito, Deus faz uma
nova Aliança com todas as nações: o Espírito
Santo encheu "toda" a casa e pousou sobre "todos"
os presentes.
O livro dos Atos dos Apóstolos
nos apresenta o relato da acolhida do Espírito Santo pelos
apóstolos reunidos e dispostos a testemunhar Jesus: "Quando
chegou o dia de Pentecostes, todos eles estavam reunidos no mesmo
lugar. De repente, veio do céu um barulho como o sopro de
um forte vendaval, e encheu a casa onde eles se encontravam. Apareceram
então umas como línguas de fogo, que se espalharam
e foram pousar sobre cada um deles. Todos ficaram repletos do Espírito
Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme
o Espírito lhes concedia que falassem" (At 2,1-4).
O Espírito de Deus que inspirou,
sustentou e animou a missão de Jesus, permanece vivo e dinâmico
na história dos que o seguem e o testemunham como Ressuscitado.
Essa nova experiência é a base da comunidade cristã.
A nova Aliança reúne
a todos, dos quatro cantos do mundo, numa mesma maneira de ser.
Por isso possibilita a comunicação entre os mais diversos
povos. É o contrário de Babel, onde os homens queriam
subir até o céu: era a linguagem do poder que resultou
em desentendimento. Aqui, o Espírito Santo desce do céu
aos homens: é a linguagem do serviço que cria consenso
e unanimidade. Possibilita a comunicação entre todos,
apesar da diversidade de culturas.
O dom do Espírito, por si,
não está ligado a nenhuma estrutura ou instituição
humana. Todavia, sendo o Espírito Santo o sinal antecipador
dos novos tempos, não pode ser comunicado a quem não
acolhe na fé o anúncio de salvação de
Jesus ressuscitado, pois a presença de Deus que invade o
universo, faz-se através da ressurreição. Esta
experiência é tão significativa que é
comparada ao poder de um forte vendaval e à força
irresistível do fogo.
A comunidade de Lucas, ao escrever
o Evangelho e o livro de Atos dos Apóstolos, quer demonstrar
a universalidade do amor de Deus. Olham para o mundo inteiro, mostrando
que a realização da promessa já está
acontecendo nas comunidades.
A ação do Espírito
na vida da comunidade se manifesta pela ativação dos
momentos fundamentais do viver juntos: a perseverança na
escuta da Palavra, na comunhão de fé e dos bens, na
fração do pão e nas orações (At
2,42-47). O Espírito Santo dá uma tonalidade de alegria,
confiança e perseverança nestas relações
e momentos de encontro.
A alegria nas situações
críticas de nossa vida, marcada pela pobreza e exclusão,
é uma qualidade espiritual que só pode derivar da
força do Espírito Santo dado aos que crêem em
Jesus: "Os discípulos convertidos estavam cheios de
alegria e de Espírito Santo" (At 13,52).
Ouvir a voz do Espírito é garantia de unidade, partilha
e alegria. Quem vive segundo ele está aberto ao outro, não
se fecha num individualismo egocêntrico. Está consciente
de que a vontade de Deus deve se sobrepor à vontade humana.
O Espírito congrega, abre
as pessoas para o diálogo, dá força. Como cristãos
temos uma missão muito importante que é testemunhar
e anunciar os valores cristãos. Para isso temos que estar
sempre atentos ao sopro do Espírito. No barulho do mundo,
na agitação do dia-a-dia corremos o risco de não
ouvi-lo e fazer as coisas do nosso jeito.
O Espírito é
dom gratuito de Deus a nós. É Deus que vem ao nosso
encontro. Ele nos mostra o caminho a seguir. Muitas vezes é
um caminho não muito cômodo e fácil, mas que
nos leva a um destino seguro. |
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