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Estimado leitor, a nossa preocupação no mês
passado, era de informá-lo que existem inúmeros métodos
de se ler a Bíblia. Apresentamos nesta edição,
um método para leitura da Bíblia, com o qual você
poder ler, meditar, rezar e contemplar o texto bíblico de
modo que compreenda o que Deus disse para o povo na situação
em que viviam e o que está querendo dizer para nós
hoje.
ORIGEM DO MÉTODO
DA LECTIO DIVINA
Um monge, Guigo, por volta dos anos
1.150, via quanto o texto bíblico era utilizado nos momentos
de oração. Percebia que lendo o texto, era possível
reler o passado à luz do presente e trazendo uma grande contribuição
para o futuro. O que temos na Bíblia é a história
de um povo que conseguiu perceber a presença de Deus em sua
caminhada. A Palavra de Deus é vista como sinal rememorativo,
dando uma visão do que foi proferido no passado, o que perdura
no presente e aponta para um olhar numa perspectiva de futuro.
Guigo sentia que a Palavra de Deus
comprometia e que o conjunto dos livros que formam a Bíblia
era tido dentro de uma unidade. Dentro dessa unidade, percebia que
estavam presentes três níveis de compreensão:
literário, histórico e o teológico. Cada um
tem sua especificidade, o primeiro está mais próximo
do texto, o segundo leva mais em consideração a situação
histórica em que o texto foi escrito e o terceiro está
diretamente relacionado com a mensagem de Deus.
Orígenes é o grande
idealizador do termo Lectio Divina. Muitos traduzem Lectio Divina
por leitura divina, outros por leitura orante. O que nos importa
é o valor que esse método tem para nossa vida. A Lectio
Divina é resultado da prática da leitura que os cristãos
faziam e fazem da Bíblia. Essa prática usada pelos
cristãos, já é um resquício da tradição
das comunidades do Antigo Testamento. As comunidades liam os textos
bíblicos que eram passados de geração em geração.
A grande contribuição
de Guigo foi a de sistematizar os passos da Lectio Divina. Ele sugere
que sejam seguidos quatro passos. O termo utilizado para cada momento
é degrau. Com o intuito de partilhar a forma como compreender
melhor o texto bíblico, resolveu escrever um livrinho no
qual intitulou "A Escada dos Monges". Escreve para outro
monge dizendo: "certo dia, durante o trabalho manual, quando
estava refletindo sobre a atividade do espírito humano, de
repente se apresentou à minha mente, a escada dos quatro
degraus espirituais: a leitura, a meditação, a oração
e a contemplação. Essa é a escada dos monges,
pela qual eles sobem da terra ao céu. É verdade, a
escada tem poucos degraus, mas ela é de uma altura tão
imensa e inacreditável que, enquanto a sua extremidade inferior
se apoia na terra, a parte superior penetra nas nuvens e investiga
os segredos do céu". E diz mais: "A leitura é
o estudo assíduo das Escrituras, feito com espírito
atento. A meditação é uma diligente atividade
da mente que, com a ajuda da própria razão, procura
o conhecimento da verdade oculta. A oração é
o impulso fervoroso do coração para Deus, pedindo
que afaste os males e conceda as coisas boas. A contemplação
é uma elevação da mente sobre si mesma que,
suspensa em Deus, saboreia as alegrias da doçura eterna".
A Lectio Divina supõe alguns
princípios: a unidade da Escritura, atualidade ou encarnação
da Palavra e a Fé em Jesus Cristo, vivo na Comunidade.
Os quatro degraus pedem que o leitor
fique atento à:
LEITURA: ler o texto
várias vezes até criar uma maior familiaridade. Pronunciar
bem as palavras. Entrar em contato com o texto utilizando-se de
muita atenção, respeito, escuta... Sugerimos que essa
leitura também seja criteriosa, evitando e até excluindo
uma leitura fundamentalista. É preciso ver o texto dentro
do seu contexto e origem.
MEDITAÇÃO:
Esse passo é um convite para que atualizemos o texto e consigamos
trazê-lo para dentro do horizonte da nossa vida e realidade.
A meditação é um ótimo espaço
para que se medite e reflita o que há de semelhante e diferente
entre a situação do texto com o hoje. Depois, é
importante resumir tudo o que foi ruminado numa frase. Essa frase
o ajudará a recordar durante o dia o que foi meditado. É
um prolongamento da meditação. Aos poucos vai havendo
uma relação do que foi meditado com a vida de quem
está meditando.
ORAÇÃO:
Praticamente a oração está presente em todas
as etapas. É importante que haja uma transparência
no ato da oração e que o orante seja realista. Ele
pode usar o momento tanto para louvor, ação de graças,
súplica, pedido de perdão, rezar algum salmo, recitar
preces já existentes. É importante que esse momento
possa ajudá-lo na reflexão da frase escolhida.
CONTEMPLAÇÃO:
depois de ler, meditar e orar o texto bíblico e sua realidade,
chegou a hora de contemplar todo esse percorrido. "A contemplação
nos ajuda a entender que Deus está presente na realidade".
Pela contemplação é possível perceber
a presença de Deus. E com isso somos convidados ao compromisso
com a realidade.
Resumindo.
A leitura responde a pergunta: O que diz o texto? A meditação
responde: O que diz o texto para mim, para nós? A oração
responde: O que o texto me faz dizer a Deus? E a contemplação
ajuda a responder: Estou pronto para nova missão?
Os quatro degraus seguem um dinamismo
onde a cada momento o leitor da Bíblia é convidado
a recomeçar todo o processo. Quem deseja conhecer melhor
esse método adquira a coleção "Tua Palavra
é Vida", editora Loyola. Essa coleção
faz uma caminhada pela História da Salvação,
narrada na Bíblia
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