A RESSURREIÇÃO
"Frei Reginaldo Araújo da Silva. Ordem de Santo Agostinho"

     O Evangelho de João anuncia a ressurreição de Jesus Cristo no primeiro dia da semana. Primeiro significa começo, início; a ressurreição é, portanto, o começo, o início de uma maneira nova de viver; ela é fato que acontece com o começo de um novo período de vida, portanto, traz uma perspectiva de começar de novo, de partir para algo novo. E este algo novo é iluminado pela vida nova que a ressurreição do Senhor traz e garante para os que querem segui-lo.
      Mas querer seguir o Senhor da Vida, o Filho do Deus Vivo, Jesus Cristo, não é fácil e requer disponibilidade de coração, requer vontade de compreender o seu ensinamento, a sua boa-nova, mesmo que não se entenda bem tudo o que o Senhor anuncie e realize. É o que se pode ver claramente na atitude de Maria Madalena: ela tinha seguido o Senhor; Ele tinha transformado a vida dela com o amor pleno dado a ela. E ela continua a ir em busca do Senhor, embora não entendendo o mistério da morte, não compreendendo que ele ressuscitaria. Ela vai ao túmulo de madrugada. É o anseio de quem quer seguir o Mestre, mas sem entender o que aconteceu. Há uma ânsia de ir ao encontro do Senhor! Há uma necessidade de vida que esta mulher sente e o Senhor da vida havia proporcionado a ela. Ela ainda não compreende bem que a fé no Senhor implica a fé no Deus vivo. O que ela sabe é que ele proporciona a vida e ela quer sempre mais esta vida; mas ele morreu e foi sepultado; por isso ela vai ao túmulo. Sua incompreensão está revelada no fato de ir ao túmulo: o lugar da morte, do fim. Há uma mistura de busca de vida e de sentimento de dor pela perda, pela estada do Senhor no túmulo, ele que resgatara a vida daquela mulher.
      Ao ver o túmulo vazio, Maria Madalena vai ao encontro dos dois discípulos: Pedro e o outro discípulo que Jesus amava. Esta atitude de Maria Madalena revela o sentimento de vida em comunidade. Na ânsia de encontrar o Deus libertador, que trouxera a vida a ela e à comunidade e a tantos encontrados pelo caminho, com a angústia de ver cara a cara a desesperança do túmulo vazio, ela vai ao encontro da comunidade dos discípulos, comunidade que tinha partilhado as alegrias do convívio com o Senhor e que agora partilhava a tristeza da perda do Senhor.
      Há um diálogo entre estes três irmãos da comunidade iniciada pelo Senhor: ela diz a eles que tiraram o Senhor do túmulo e não "sabemos" onde o colocaram (v. 2). "Sabemos" quer dizer "nós", quer dizer nosso grupo, nossa comunidade, quer dizer que ela não era a única, mas que era a comunidade toda que estava vivenciando aquela dor e aquela incompreensão. E a resposta dos dois discípulos ao colóquio de Maria Madalena se dá com a atitude deles. Eles saíram correndo e foram ao túmulo. Esta atitude de sair correndo também revela a incompreensão da comunidade: eles não tinham assimilado ainda que Jesus Cristo é o Deus vivo, é o Deus que ressurge! Agem da maneira como pensam que seja correta: correr em busca de respostas! E é interessante notar que quem caminha em comunidade corre junto (v. 4). Mas, ao mesmo tempo, a comunidade é feita de pessoas distintas, com capacidades e modos de ser, de sentir e de agir distintos, pois o discípulo que Jesus amava corria junto com Pedro, mas acelerou os passos e correu mais depressa do que Pedro. Esse discípulo era o que Jesus amava e, com certeza, era quem amava também muito Jesus. Ele foi quem acompanhou toda a trajetória da condenação e morte de Jesus Cristo, ele foi quem esteve ao pé da cruz (19,26). Ele amou muito, por isso, ao correr em direção ao túmulo, ele, movido pelo intenso amor, correu mais depressa. E ao chegar ao túmulo, inclinou-se e viu os panos de linho no chão, mas não entrou. São atitudes de quem não compreende, mas quer compreender, quer encontrar o significado de cada situação, de cada detalhe! É o observador! Quem ama muito, reflete também diante das situações da vida!
      Pedro também chega e, no entanto, entra no túmulo. Testemunha também o que Maria Madalena e o discípulo que Jesus amava tinham acabado de ver. E a organização dos panos revela que o Senhor não fora roubado, como supunha Maria Madalena. Revela, sim, o cotidiano de quem está vivo, que ao se vestir arruma suas coisas para continuar desfrutando dos seus pertences! É o cotidiano da vida que se apresenta na ordem dos panos de linho e do sudário enrolado à parte. A vida, que o túmulo vazio expressa, está revelada também na simplicidade da arrumação em que se encontram os panos: a mesma arrumação cotidiana da casa, dos santuários, das bancas nas feiras do comércio. Cotidiano tal que revela a vida e não a morte! Revela que Deus supera a morte e está vivo no dia-a-dia da comunidade.
      E o versículo 8 testemunha que o discípulo que Jesus amava, após sua observação atenta e amorosa, viu e acreditou. Esta passagem do Evangelho anuncia que Jesus Cristo, o Deus que morrera na cruz, superou a morte, superou a cruz, está vivo e que a comunidade, que ainda estava marcada pela dor, pela desesperança, não estava entendendo o mistério da ação de Deus, mas viu o túmulo vazio e os panos arrumados e acreditou. Não é mais o túmulo que importa. Este é só símbolo da morte. O que importa é o estar vazio e, ao mesmo tempo, estar arrumado. O que importa é que a comunidade dos discípulos, representada pela mulher e pelos dois homens, acreditou na vida que o Deus ressurreto trouxe e traz!
     Feliz Páscoa! Feliz Vida Nova a todos os homens e a todas as mulheres que buscam a vida, a felicidade!

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