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O Evangelho de João anuncia a ressurreição
de Jesus Cristo no primeiro dia da semana. Primeiro significa começo,
início; a ressurreição é, portanto,
o começo, o início de uma maneira nova de viver; ela
é fato que acontece com o começo de um novo período
de vida, portanto, traz uma perspectiva de começar de novo,
de partir para algo novo. E este algo novo é iluminado pela
vida nova que a ressurreição do Senhor traz e garante
para os que querem segui-lo.
Mas querer seguir o Senhor da Vida,
o Filho do Deus Vivo, Jesus Cristo, não é fácil
e requer disponibilidade de coração, requer vontade
de compreender o seu ensinamento, a sua boa-nova, mesmo que não
se entenda bem tudo o que o Senhor anuncie e realize. É o
que se pode ver claramente na atitude de Maria Madalena: ela tinha
seguido o Senhor; Ele tinha transformado a vida dela com o amor
pleno dado a ela. E ela continua a ir em busca do Senhor, embora
não entendendo o mistério da morte, não compreendendo
que ele ressuscitaria. Ela vai ao túmulo de madrugada. É
o anseio de quem quer seguir o Mestre, mas sem entender o que aconteceu.
Há uma ânsia de ir ao encontro do Senhor! Há
uma necessidade de vida que esta mulher sente e o Senhor da vida
havia proporcionado a ela. Ela ainda não compreende bem que
a fé no Senhor implica a fé no Deus vivo. O que ela
sabe é que ele proporciona a vida e ela quer sempre mais
esta vida; mas ele morreu e foi sepultado; por isso ela vai ao túmulo.
Sua incompreensão está revelada no fato de ir ao túmulo:
o lugar da morte, do fim. Há uma mistura de busca de vida
e de sentimento de dor pela perda, pela estada do Senhor no túmulo,
ele que resgatara a vida daquela mulher.
Ao ver o túmulo vazio, Maria
Madalena vai ao encontro dos dois discípulos: Pedro e o outro
discípulo que Jesus amava. Esta atitude de Maria Madalena
revela o sentimento de vida em comunidade. Na ânsia de encontrar
o Deus libertador, que trouxera a vida a ela e à comunidade
e a tantos encontrados pelo caminho, com a angústia de ver
cara a cara a desesperança do túmulo vazio, ela vai
ao encontro da comunidade dos discípulos, comunidade que
tinha partilhado as alegrias do convívio com o Senhor e que
agora partilhava a tristeza da perda do Senhor.
Há um diálogo entre
estes três irmãos da comunidade iniciada pelo Senhor:
ela diz a eles que tiraram o Senhor do túmulo e não
"sabemos" onde o colocaram (v. 2). "Sabemos"
quer dizer "nós", quer dizer nosso grupo, nossa
comunidade, quer dizer que ela não era a única, mas
que era a comunidade toda que estava vivenciando aquela dor e aquela
incompreensão. E a resposta dos dois discípulos ao
colóquio de Maria Madalena se dá com a atitude deles.
Eles saíram correndo e foram ao túmulo. Esta atitude
de sair correndo também revela a incompreensão da
comunidade: eles não tinham assimilado ainda que Jesus Cristo
é o Deus vivo, é o Deus que ressurge! Agem da maneira
como pensam que seja correta: correr em busca de respostas! E é
interessante notar que quem caminha em comunidade corre junto (v.
4). Mas, ao mesmo tempo, a comunidade é feita de pessoas
distintas, com capacidades e modos de ser, de sentir e de agir distintos,
pois o discípulo que Jesus amava corria junto com Pedro,
mas acelerou os passos e correu mais depressa do que Pedro. Esse
discípulo era o que Jesus amava e, com certeza, era quem
amava também muito Jesus. Ele foi quem acompanhou toda a
trajetória da condenação e morte de Jesus Cristo,
ele foi quem esteve ao pé da cruz (19,26). Ele amou muito,
por isso, ao correr em direção ao túmulo, ele,
movido pelo intenso amor, correu mais depressa. E ao chegar ao túmulo,
inclinou-se e viu os panos de linho no chão, mas não
entrou. São atitudes de quem não compreende, mas quer
compreender, quer encontrar o significado de cada situação,
de cada detalhe! É o observador! Quem ama muito, reflete
também diante das situações da vida!
Pedro também chega e, no entanto,
entra no túmulo. Testemunha também o que Maria Madalena
e o discípulo que Jesus amava tinham acabado de ver. E a
organização dos panos revela que o Senhor não
fora roubado, como supunha Maria Madalena. Revela, sim, o cotidiano
de quem está vivo, que ao se vestir arruma suas coisas para
continuar desfrutando dos seus pertences! É o cotidiano da
vida que se apresenta na ordem dos panos de linho e do sudário
enrolado à parte. A vida, que o túmulo vazio expressa,
está revelada também na simplicidade da arrumação
em que se encontram os panos: a mesma arrumação cotidiana
da casa, dos santuários, das bancas nas feiras do comércio.
Cotidiano tal que revela a vida e não a morte! Revela que
Deus supera a morte e está vivo no dia-a-dia da comunidade.
E o versículo 8 testemunha
que o discípulo que Jesus amava, após sua observação
atenta e amorosa, viu e acreditou. Esta passagem do Evangelho anuncia
que Jesus Cristo, o Deus que morrera na cruz, superou a morte, superou
a cruz, está vivo e que a comunidade, que ainda estava marcada
pela dor, pela desesperança, não estava entendendo
o mistério da ação de Deus, mas viu o túmulo
vazio e os panos arrumados e acreditou. Não é mais
o túmulo que importa. Este é só símbolo
da morte. O que importa é o estar vazio e, ao mesmo tempo,
estar arrumado. O que importa é que a comunidade dos discípulos,
representada pela mulher e pelos dois homens, acreditou na vida
que o Deus ressurreto trouxe e traz!
Feliz Páscoa! Feliz Vida Nova a
todos os homens e a todas as mulheres que buscam a vida, a felicidade! |
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