A PROMESSA
"Viviane Trampush"

     “Eu vi bem a miséria do meu povo.... Ouvi seu clamor contra seus opressores e conheço os seus sofrimentos”. (Ex. 3,7).
      Frente a um sistema excludente, o povo clama por justiça. O processo de elitismo social gerou o degrau mais baixo de toda a sociedade: a miséria, opressão e, consequentemente, a exclusão.
      O sistema vigente Neoliberal, fixou e sedimentou uma conhecida marca entre nós: o individualismo. Esse poder sedutor continua levando muitos a profundas privações. A principal delas está em negar o reconhecimento de que muitos dos que são tidos “incapazes” têm capacidades e talentos, que basta oportunidades e condições a serem oferecidas para o aprendizado e a prática. Ao contrário, o que nos ensinam é que podemos produzir forças em favor de nossos próprios interesses. Suscitando nossas habilidades em direção a uma auto-satisfação pessoal. Dessa forma vai provocando em nós um sentimento de isenção frente aos deveres sociais: solidariedade, justiça, compromisso social, etc.
      Toda essa estrutura é percebida por intermédio do forte dinamismo econômico-político-social, que produz efeitos avassaladores e perversos. Todo esse mecanismo é maquiado e encoberto por discursos leves e doces, por parte daqueles que defendem a ideologia neoliberal. São palavras fortes e bonitas que não permitem o povo, em sua maioria “analfabeto político”, entender claramente o efeito dessa proposta “salvadora da pátria”, neoliberalista, que transforma o mercado em única forma absoluta de viver.
      O tempo vai passando e acabamos inertes diante de dois polos sociais que a cada dia vão se separando cada vez mais: a grande maioria que tem pouco e a minoria que tem muito.
      Em Gn 4,9 existe um forte questionamento que nos é dirigida por Deus: “Onde está o teu irmão?”.
      Diante dessa conjuntura que prioriza a elevação de uma minoria que não se preocupa em exterminar vidas para alcançar as prioridades desse sistema, acabamos ouvindo cruel cinismo de quem é detentor do poder: “... é preciso sacrificar algumas vidas em benefício da nação”.
      O mercado mundial, por estar sustentado em duas principais colunas: produção e lucro, não se preocupa de gerar uma violenta política de fome, miséria e morte. As conseqüências nós não só sabemos como sentimos nos olhares e rostos de nossos irmãos excluídos, na sua grande maioria, pessoas impedidas de participar da distribuição dos bens e valores da sociedade.
       Mediante toda essa desolação, a força e coragem de um povo que luta, está ancorada na esperança. Esperança não só por paz, justiça, trabalho, mas, principalmente, por se sentir acolhida como pessoas com direitos a serem respeitados na sua dignidade de seres humanos.
       Todo o esforço de direitos humanos igualitários deve nascer do coração, e terá como conseqüência, não um sentimentalismo piegas, mas, uma conscientização que tem como meta a justiça, uma vida partilhada.
Peregrinos nessa longa jornada, precisamos trabalhar na unidade, sendo co-responsáveis de um destino comum: agentes da história, solidários na ação, educar para a compreensão da realidade, propor soluções e enfrentar com fé e coragem os desafios, e acima de tudo vivendo o Evangelho na radicalidade.
        Diante desse grande desafio, pedimos ao Pai do céu que realize sua promessa:
        Javé, vê a nossa miséria, ouve o nosso clamor, conhece o nosso sofrimento e desce para nos ajudar na libertação do povo. Sabemos que a missão é grande e árdua mas cremos e confiamos que tu estás presente e caminha conosco, ao nosso lado.

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