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Inspirados pela bula do papa João Paulo II "Incanationis
Mysterium" celebramos o Grande Jubileu do ano 2000. Queremos
abraçar toda a simbologia que retrata este momento fecundo
da intimidade entre fé e vida: a porta santa, a peregrinação
e as indulgências próprias desse tempo rico de graças.
1. Tempo: um mistério fascinante
Todos nós estamos acostumados a
entender que o tempo é uma realidade marcada por dias, horas,
minutos, etc. No entanto, o tempo está muito distante de
ser aprisionado ou entendido. Na medida em que nossos sentimentos
são vividos de acordo com cada ocasião, podemos ter
a impressão de eternidade (como uma grande dor) ou de entusiasmo
relâmpago (como um beijo de carinho). Desta forma, numa mesma
fração de segundos, muitas pessoas podem viver experiências
diferentes quanto à duração do tempo.
Faz parte da pessoa humana destinar tempos
especiais para celebrar. O ser humano é chamado para viver
cada momento plenamente, e não apenas a passar pela vida.
-Tempos especiais na Bíblia: Na medida em que o povo de Deus
fazia sua experiência de libertação e buscava
sua identidade, lutando por questões vitais do seu cotidiano,
destacavam-se três níveis para o tempo. Ei-los na Bíblia:
Nível 1 - O Sábado
Conhecido inicialmente como o Dia do Senhor,
o sábado começou a ser tido como o dia do descanso
e da memória da libertação do povo da escravidão
do Egito (Dt 5, 14-15). Retirar um dia para o descanso, sem a preocupação
com o lucro, significa dizer, ainda hoje, que valemos não
somente pelo que produzimos mas pelo cultivo da liberdade e da gratuidade.
Este sentido do sábado foi transferido para o domingo ,
como celebramos atualmente. É o tempo dos direitos de todos
à liberdade, ao descanso.
Nível 2 - O ano sabático
O ano sabático possui a seguinte
mensagem: Tudo o que somos e tudo o que fazemos deve ser uma atitude
de serviço ao Deus que nos liberta. Ele consistia numa espécie
de sábado ampliado. Assim como havia de sete em sete dias
um sábado, de sete em sete anos se tirava um ano para o descanso
da terra, como forma de preservar o campo e contrariar a lógica
do lucro feroz. (Lv 25, 1-7).
Depois de sete anos de trabalho, ocorria
a libertação de quem era escravo (Dt 15, 12-15), o
qual deveria ser assistido para não cair na miséria.
Nível 3- O ano do jubileu
Conforme a Bíblia, o ano do Jubileu
ocorre no 50º ano, após a contagem de sete semanas de
anos (7x7= 49).
O Jubileu reúne em si a simbologia
tanto do sábado como do ano sabático devido à
proposta trazida consigo de uma atitude de zerar todas as dívidas
e abismos entre pobres e ricos que se separam por valores ilícitos
e desiguais.
A medida passa a ser a fraternidade
e a partilha. Todos devem viver dignamente e com condições
iguais, recomeçando sempre que a injustiça retornar.
Assim, a santificação que se pede é a restauração
da justiça, a redistribuição solidária
de bens e o resgate dos escravizados.
NB: O primeiro Jubileu cristão de que se tem registro é
datado de 1300. Atualmente, o Jubileu é celebrado de 25 em
25 anos.
Anos Santos são convocações
para gerar uma revisão de vida e acolher a misericórdia
de Deus, expressa também através das indulgências.
Como meios para melhor vivermos a
fidelidade ao projeto de Jesus, a Igreja indica:
a) Desejo de avanço no diálogo
com as outras religiões, como forma de tornar concreto o
caminho já percorrido por diversas Igrejas e comunidades
eclesiais (ecumenismo);
b) Compromisso missionário com a
nova evangelização, à luz do Concílio
Vaticano II;
c) A peregrinação como sinal
simbólico do gesto de caminhada, da pessoa e da Igreja;
d)Acolhida da misericórdia do Pai, como
sinal de confiança no amor que destrói o pecado;
e) O perdão a ser vivido com o irmão,
com Deus e consigo;
f) Necessidade de conversão e ato penitencial;
g) Compromisso com a causa dos pobres capaz de
se traduzir na criação de uma nova cultura da solidariedade,
gerador de um modelo de economia a serviço de toda a pessoa
e de eliminação da pobreza, fonte de violências.
Sentir-se participante de um processo
de conversão e mudança de atitude é a grande
motivação para a plenitude da celebração
do Jubileu.
2. O sentido da porta
O papa inaugurou o Grande Jubileu
no Natal de 1999, com a abertura da porta santa da Basílica
de São Pedro, no Vaticano.
Que sentimento tem uma pessoa que
diz: "para mim todas as portas se fecharam?" Portas delimitam
espaços, abrem ou fecham caminhos, possibilitam ou não
novas oportunidades.
O Grande Jubileu começa com
o sinal da porta aberta, chamada de porta santa, devido ao fato
de representar a abertura da graça que nos quer acolher.
Deus constantemente está abrindo portas, oportunidades para
nos encontrarmos com Ele. Da mesma forma, somos convidados a abrir
nossas portas para sua graça, para a construção
do seu Reino, para os irmãos, para os necessitados e para
o diálogo.
3. Peregrinação: o caminho da própria
vida
O significado principal da
peregrinação é sempre um desinstalar-se, sair
de si em busca de algo mais profundo, de novos caminhos, de novos
meios e soluções, seja na vida particular como no
trabalho pastoral.
No ano Jubilar, os lugares orientados para peregrinação
são: Roma, Terra Santa, catedrais de cada diocese, outras
igrejas e santuários indicados pelo bispo de cada diocese
e casa de desamparados.A bula indica como gestos de penitência
que possibilitam as indulgências: - Abster-se de consumos
supérfluos para dedicar o dinheiro poupado aos pobres; -
apoiar obras assistenciais; - Dedicar parte do tempo livre a atividades
que beneficiam a comunidade.
4. Igreja, lugar de partilha e misericórdia
O significado verdadeiro de indulgência
é: capacidade de perdoar.
Indulgência tem a ver com pecado,
seja pessoal, seja social. Indulgente é quem teria o direito
de exigir a reparação mas, ao invés disso,
preferiu apagar o erro num ato de confiança e generosidade
em relação àquele que errou.
Quando a Igreja concede indulgência,
ela não está realizando nenhuma mágica e nem
tão pouco querendo ser detentora do que Deus tem que fazer
ou não. Pelo contrário, chamados que somos a conhecer
o amor do Pai, este amor nos abre espaço para que o estendamos
a todos os que o buscam com sinceridade de coração.
Cada pecado reduz a beleza da humanidade,
mas o perdão e o amor do Pai ergue seus filhos, os recompõe.
A força de quem faz o bem é maior do que a sedução
do pecado.
5. Um novo milênio de paz e sem exclusão
Em comunhão com a celebração
do Jubileu da encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo,
a meta é avaliarmos 2000 anos de cristianismo, 500 anos de
evangelização, visando uma atitude de coerência
com os sinais dos tempos.
Nossa missão é conduzir
a vida cotidiana na direção do tempo messiânico
(Is 65, 21-25). Em Lc 4,18-19, Jesus anuncia sua missão que
devemos colocar em prática. A melhor pregação
que podemos oferecer ao mundo descrente é o testemunho de
cristãos unidos a serviço da paz e de uma vida mais
digna para todos. Quem proclama que Deus é pai de todos tem
de estar ao lado dos irmãos e não pode admitir que
filhos de Deus sejam excluídos dos direitos.
6. O Jubileu que vem vindo agora
A celebração deste
Jubileu milenar quer denunciar a injustiça social praticada
por muitos países que se consideram cristãos.
Faz-se urgente a construção
de uma nova história, que humanize a vida e levante os caídos
que se encontram à margem da sociedade.Celebrar o Jubileu
é agradecer a Deus pelo tempo de graça que Ele nos
dá .Não faremos a história sozinhos, pois o
Senhor estará sempre conosco. O ano 2000 é ano santo,
ano do Jubileu. O grande Jubileu é o próprio Cristo.
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