O Desafio

Uma Vivenciada Fidelidade Petrina
Peter Van Meijil, SDS
Postulador da Causa de Jordan

Os Encontros de Jordan com três Papas:
Leão XIII, Pio X e Bento XV

A visita de João Paulo II, à Casa Mãe, no dia 19 de março, representa um momento particularmente importante para a história da sociedade. O significativo gesto do Santo Padre reforça os estreitos laços da Família Salvatoriana com a Igreja de Roma: laços estes testemunhados muitas vezes pelos encontros que o Fundador teve com os sucessores de Pedro.

O PAPA LEÃO XIII

Aos 2 de dezembro, no início de seus estudos em Roma, o jovem sacerdote participou de uma audiência do Papa Leão XIII. Uma das metas mais urgentes deste Papa era a de reconciliar as forças espirituais e políticas da Europa. A fundação de Jordan surgiu e prosperou justamente durante este Pontificado. Em 1879, participou de duas audiências, sendo a primeira por ocasião do Encontro Internacional de Jornalistas Católicos, representando o jornal berlinense "Scharze Blatt". Aqui renovou o seu interesse pela imprensa eclesiástica.

Quando Jordan voltou a Roma, depois de ter passado três meses na Terra Santa (1880), animado com os resultados conseguidos em contato com a hierarquia da Igreja local, obteve uma audiência com Leão XIII, graças à mediação do Cardeal Bilio, pois uma das principais preocupações do Papa era a união das Igrejas Orientais com Roma. Com um Papa assim aberto para o mundo, em particular para a Igrejas Orientais, os planos espirituais universais de Jordan não podiam deixar de suscitar consenso. Dentro deste contexto, a 6 de setembro de 1880, ele foi recebido pelo Papa em uma audiência privada. Nela o Santo Padre se interessou também pela obra de Jordan e abençoou-a. Já que o Papa não era afeto a audiências privadas, essa teve uma grande importância.

O Papa teve também um papel importante no primeiros esboços dos estatutos do Instituto de Jordan, através de seu secretário Boccali e devido à mediação do bispo Massaia. Jordan procurava para seus projetos não só contatos eclesiásticos, mas também uma orientação clara a propósito de sua obra na Palavra de Deus. Em passagens da Escritura Sagrada, retinha ao que expressavam de maneira significativa o espírito de sua vocação e de sua projetada obra.

Depois de um início entusiasmante, transformou sua obra em uma comunidade religiosa. Então, Jordan fez o seu voto definitivo de ser obediente ao Vigário de Cristo e, vivendo os conselhos evangélicos, dedicar-se completamente à Glória de Deus e à salvação das almas (1883). Como mensagem para seus filhos e antes do 1º Capítulo Geral, anotou em seu Diário: "Aprovo tudo quanto a Santa Igreja aprova e desaprovo o que a Santa Igreja desaprova" (1901). Com isso, declarou a sua fidelidade à Igreja Católica e a seus ensinamentos, profundamente convencido, como o Cardeal Newman, que somente nela se pode encontrar a verdade a respeito de Deus e o ensinamento do Evangelho.

Pe. Jordan era um filho leal e autêntico da Santa Mãe Igreja. Foi fiel a Leão XIII e o apoiou, em particular nos seus encontros com a imprensa liberal de seu tempo. O Papa, por sua vez, o abençoou e encorajou sua obra para que prosperasse.

O PAPA SÃO PIO X

Depois da morte de Leão XIII, foi eleito Papa o Cardeal José Sarto de Veneza, que tomou o nome de Pio X (1903). Jordan passou então a demonstrar toda sua atenção e amor ao novo Papa.

Logo no início de seu pontificado, em novembro, o Papa recebeu em audiência 44 membros da SDS e o Santo Padre, em especial, abençoou Jordan com estas palavras: "Caro, sia benedetto!"

No Pontificado de Pio X, é que foi concedido o 1º Decretum Laudis à Sociedade do Divino Salvador (1905). Três anos mais tarde, em 1908, os membros do 2º Capítulo Geral, reunidos em Roma, foram recebidos em audiência privada pelo Santo Padre. Diz-nos o Pe. Pancrácio: "O Santo Padre foi muito cordial, mas se dirigiu de maneira especial ao Fundador. Colocou a mão sobre a sua cabeça e disse: ‘Que Deus te recompense por aquilo que tens feito!" Para Jordan que estava sendo muito provado, estas palavras do Santo Padre foram um prêmio bem merecido e uma fonte de autêntica consolação. Se examinarmos as crônicas do 2º Capítulo Geral, encontraremos o Pe. Jordan com um rostro marcado pelo sofrimento. Nos arquivos salvatorianos, há também uma carta do Beato Arnold Janssen, escrita aos 26 de maio de 1908: "Ontem, fiz uma visita ao Pe. Jordan. Quanto ele tem sofrido! O seu rosto está como se tivesse sido queimado com um ferro em brasa".

Enfim, aos 12 de maio de 1911, a Sociedade do Divino Salvador recebeu a aprovação papal oficial. Então, duas semanas depois, o Pe. Jordan foi recebido em audiência privada. Ele escreve em deu Diário: "Fui recebido em audiência privada por Sua Santidade Pio X. Tratou-me amavelmente. Abençoou a todos e enfim, de um modo especial, aos benfeitores". Alguns dias mais tarde, foram recebidos também, em audiência privada, todos os membros do Generalado. Então, o Pe. Jordan dirigiu-se ao Papa, em nome da Sociedade, com comoventes palavras para agradecer-lhe a graça recebida (a aprovação da Sociedade). Pio X foi informado, na ocasião, sobre o número de casas e de membros, sobre o tipo de trabalhos desenvolvidos e os lugares escolhidos para as fundações e recebeu tais informações com visível satisfação. Em particular, o Papa quis saber de que regiões provinham as vocações e ainda quis ter notícias sobre as atividades missionárias na Índia e na América do Norte e do Sul. Então disse: "Congratulo-me com vocês e desejo que a sua Sociedade cresça e trabalhe com solicitude, dando glória a Deus e salvação às almas".

O PAPA BENTO XV

Em 1914, quando se tornou Papa Bento XV, o Pe. Jordan estava já gravemente doente e não tinha mais condições de dirigir a sua Sociedade. Durante o 3º Capítulo Geral, realizado em 1915 na Suiça, apresentou sua renúncia ao cargo de Superior Geral da Sociedade, sendo então eleito para o cargo o Pe. Pancrácio Pfeiffer. Em 1916, o Pe. Jordan escrevia em seu Diário Espiritual este comovente testemunho de sua fé na Igreja, como uma espécie de profissão de fé: "Eu creio firmemente em tudo aquilo que a Santa Igreja Católica Romana crê e propõe a crer. Nesta fé Romana e Católica quero viver e morrer. Se em minha vida fiz, disse ou pensei alguma coisa contra esta santa fé romana e católica, ou se também foi feito da parte de meus súditos de qualquer maneira, eu com este ato o retiro e o desaprovo. Friburgo, Suiça, aos 5 de janeiro de 1916, Pe. Francisco Maria da Cruz Jordan". Com esta solene declaração, fecha o seu ciclo de obediência explícita ao Papa, o vigário de Cristo, e à Igreja.

Em maio de 1918, alguns meses antes da morte de Jordan, o Pe. Pancrácio fez um pedido no qual a Sociedade implorava a bênção apostólica do Santo Padre para o querido doente. Em resposta, no dia 27 de maio, chegava o seguinte telegrama: " Augusto Pontífice envia de coração implorada bênção apostólica augurando-lhe graças e conforto celeste. Cardeal Gaspari". Jordan sentiu-se muito confortado com esta bênção. Depois de sua morte (8 de setembro de 1918), o Papa enviou suas sentidas condolências e o seu paternal conforto ao Generalado.

Os funerais realizaram-se a 11 de setembro de 1918. O bispo de Friburgo, Dom Plácido Coliard, presidiu pessoalmente as cerimônias fúnebres.

SEU REPOUSO PRÓXIMO DOS PAPAS

Em Tafers, sua tumba vinha sendo visitada por muitas pessoas a procura de conforto espiritual. Foram recebidas muitas graças. No boletim paroquial, escreveu-se: "Aqui está sepultado um santo".

Em 1953, o Capítulo Geral dos Salvatorianos decidiu transladar os restos mortais do Pe. Jordan para a Casa-Mãe de Roma. Assim, aos 12 de setembro de 1956, se deu a sua exumação. A população de Tafers prestou-lhe uma comovente homenagem de despedida. Os Generalados da Sociedade e da Congregação das Irmãs Salvatorianas deram acolhida aos restos mortais e os colocaram na sala, ora capela, onde o Pe. Jordan havia feito suas alocuções semanais. Assim, após a sua morte, Jordan ensina-nos ainda a estar sempre junto ao Vigário de Cristo e à sua Igreja.


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