O Desafio

A Guerra do Taliban
Contra as Mulheres

Melissa Buckheit
Apelo Via Internet

O governo do Afeganistão está fazendo uma guerra contra as mulheres. A situação está ficando tão ruim que uma pessoa, em um editorial do Times, comparou o tratamento dado lá às mulheres ao que era dado aos judeus no pré-holocausto polonês.

Desde que o Taliban tomou o poder, em 1996, as mulheres têm sido obrigadas a usar o burqua (turbante), têm apanhado e sido apedrejadas em público por não estarem vestindo o traje apropriado, mesmo que isto significasse simplesmente não estar com o véu cobrindo a frente dos seus olhos.

Uma mulher apanhou, até a morte, de um grupo furioso de populares fundamentalistas por ter acidentalmente exposto seu braço, enquanto estava dirigindo seu carro. Uma outra foi apedrejada, até a morte, porque tentou deixar o país junto com um homem que não era seu parente.

Com isso, a depressão está se alastrando tanto que já atingiu níveis de emergência. Não há meios, em uma sociedade extremista islâmica como essa, de saber com segurança as taxas de suicídio, mas trabalhadores confiáveis estão estimando que os índices de suicídio entre as mulheres têm crescido significativamente: uma vez que elas não podem obter medicação e tratamento apropriados para depressão severa, preferem acabar com suas vidas do que viver nas condições em que estão.

Em um dos raros hospitais para mulheres, uma repórter encontrou corpos imóveis, quase sem vida, largados sem movimento em cima das camas, enrolados em seus "burquas", incapazes de falar, comer ou fazer qualquer coisa, sendo vagarosamente destruídas. Outras tinham enlouquecido e foram vistas agachadas nos cantos, constantemente agitadas e chorando, muitas delas com medo.

Um médico está pensando, quando a pouca medicação acabar, deixar essas mulheres na frente da casa do presidente, como uma forma pacífica de protesto. Chegou-se ao ponto em que o termo "violações dos direitos humanos" se tornou uma declaração amena.

Maridos têm poder de vida ou morte sobre as suas parentes mulheres, especialmente sobre suas esposas, e uma multidão enfurecida tem tanto direito quanto ele de apedrejar e bater em uma mulher, muitas vezes até a morte, por expor um pedaço do corpo ou por qualquer ato que considerem ofensivo.

David Cornell disse-me que, nos EUA, não podemos julgar o povo afegão por esse tratamento, porque é "cultural", mas isto não é verdade. Mulheres gozavam de liberdade relativa, para trabalhar, vestir-se como quisessem, dirigir e aparecer sozinhas em público até 1996. A rapidez dessa transição é a causa principal da depressão e suicídio: mulheres que antes eram educadoras, médicas, ou simplesmente tinham liberdades humanas básicas, agora estão sob restrições severas e tratadas de forma sub-humana, em nome da ala direitista fundamentalista do Islã. Não é sua tradição ou "cultura", mas estranho a elas, e é extremado mesmo para aquelas culturas em que o fundamentalismo é a regra. Além disso, se pudéssemos desculpar qualquer coisa com base na cultura, então não deveríamos ficar horrorizados porque os cartagineses sacrificavam seus bebês e meninas pequenas ainda sejam hoje circuncidadas em alguns lugares da África, porque negros eram linchados no interior do Sul dos EUA nos anos 30, proibidos de votar e forçados a se submeter a leis populares injustas. Qualquer um tem direito a uma existência humana tolerável, mesmo que sejam mulheres em um país muçulmano ou numa parte do mundo em que não nos entendemos.

Se os EUA podem impor forças militares em Kosovo, em nome dos direitos humanos, em defesa de etnias albanesas, certamente podemos expressar pacificamente o ultraje diante da opressão, injustiça e assassinato cometidos contra mulheres pelo Taliban.


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