|
No mês de maio celebra-se o Dia das Mães na cultura ocidental. A mídia se
encarrega de propagar este dia por todos os lados e o comércio espera ansiosamente por
esta data. Vocês sabem a origem deste dia? Desde quando se celebra e por quê?
Em nossa cultura ocidental herdada e influenciada parcialmente por
brancos europeus, recebemos valores patriarcais, onde homem e mulher têm papéis e
espaços diferenciados a partir de uma hierarquia, cuja "cabeça" é o homem.
Às mulheres cabia o espaço da casa e o cuidado dos filhos predominantemente. Este
esquema foi parcialmente rompido em algumas etapas da história e em algumas regiões. O
papel de mãe tem oscilações na história.
Sublinho estas diferenças culturais, porque "ser mãe" e
"maternar" (cuidar das/dos filhas e filhos) são diferentes de cultura para
cultura. Em sociedades indígenas e africanas, por exemplo, a maternagem é mais
coletivizada, não recaindo toda a responsabilidade apenas para a mulher que pariu as
crianças. Divide-se a responsabilidade deste ato cultural entre as mulheres ou também
entre os homens. Criar e educar filhas e filhos é um ato cultural! Na sociedade
ocidentalizada e moderna, desde o início do capitalismo, este ato cultural ficou
totalmente reduzido à mulher que pariu e se tornou um fardo pesado e desumano. Maternar
durante 24 horas, durante vários anos, esgota as energias de uma mulher que se dedica
ininterruptamente a esta tarefa.
Este jeito de ser mãe que conhecemos como o "modelito" em
nossa sociedade moderna coloca esta tarefa como "dom" natural das mulheres, como
se em todos os quatro cantos do mundo e em toda a história fosse desta forma. Esta
compreensão foi reforçada no final da segunda guerra mundial e a
"valorização" das mães, juntamente com o "Dia das Mães" vem desta
data, declarado no princípio dos anos 40 deste século, na Europa, por países envolvidos
na segunda guerra mundial. Pretendia-se, com essa valorização da maternidade, levar as
mulheres a assumir seu velho papel de dona-de-casa e mãe dedicada, reajustando novamente
o papel de mulheres e homens pelo padrão patriarcal. Este papel romantizado de mãe foi
reforçado pela psicologia pós-guerra, trazendo grande culpa para as mulheres que se
afastassem de seus filhos para trabalhar fora de casa. A psicologia da culpa que tanto
conhecemos... Este papel romântico de mãe nunca funcionou com mães empobrecidas no
Brasil e em outros países, as quais sempre tiveram que trabalhar fora de casa para
sustentar os seus filhos.
Sabendo da história desta data e da atual situação da maioria das
mães brasileiras temos pouco motivo para celebrar este dia... Creio que precisamos
resignificar este dia para nós! Podemos tornar este dia num dia de reflexão, de
protesto, de silêncio, de memória das tantas mães que morrem no parto, enfim, algo que
possa desmascarar as motivações da criação deste dia e de como esta data é explorada
pelo comércio. Ser mãe nessa sociedade não tem nada de romântico! A maternidade pode
ser um ato de amor ou desamor também, acrescido de muito trabalho, de muitas horas
extras, de muita solidão... Esse jeito de ser mãe nesta sociedade sacrifica as mulheres,
porque está apoiado num modelo de maternagem muito solitário, individualista e egoísta.
A concepção de maternidade nas culturas arcaicas andinas (AL) é
compreendida a partir da Mãe-Terra: PACHAMAMA. Um modelo de maternidade integrador com
todos os elementos criados, em equilíbrio, como fonte de criação, de vida plena, de
vida fluindo e se transformando e se misturando com o todo, de tal forma que não se
distingue a criação da criadora, porque tudo esta integrado e interdependente do todo. |
|