16. UMA AÇÃO CATEQUÉTICA PLANEJADA E TRANSFORMADORA (I)
   
 

Após termos tomado consciência da realidade na qual estamos inseridos (VER), termos interpretado esta mesma realidade a partir da memória histórica da caminhada de fé de um grupo que fez a experiência de encontro com o Salvador, o Deus da vida (JULGAR), recolhemos uma riqueza de material interpretativo que nos permite interrogarmo-nos a respeito de que tipo de atitudes e ações precisamos assumir, de forma a sermos hoje testemunhas referenciais para nosso tempo (AGIR).
É muito comum em nossa ação catequética irmos realizando atividades momentâneas, ou seja, programarmos eventos e encontros de acordo com o “andar da carruagem”, ou dos pedidos que nos são feitos. Não nos preocupamos em construir, de maneira coletiva e consciente, uma programação que atenda a um processo de crescimento e de amadurecimento na fé. Entendamos melhor isto!
Em muitos lugares, quando começamos nossa atividade catequética, recebemos um manual a ser seguido e, praticamente, nenhuma orientação. Passamos a “dar os conteúdos” que são apresentados pelo material, acreditando que o simples fato de trabalharmos com os catequizandos a temática apresentada é suficiente para que eles possam aderir à fé cristã, atuando na sociedade a partir dos princípios que nascem deste aprendizado. Tornamo-nos “professores(as) de catequese” que ensinam a nossos alunos o que eles precisam saber para que adquiram o direito de fazer a primeira comunhão ou receber o crisma. Para tornar um pouco mais “agradável” o que fazemos, agendamos alguns encontros, convivências, retiros... Se recuperarmos a história da catequese que vimos, isso é típico de uma época: a defesa da fé frente aos ataques de outras igrejas ou seitas... Não é por acaso que, muitas vezes, em nossas reuniões de preparação (se é que elas existem) aparece uma reflexão: muitos católicos estão deixando a Igreja e indo para outras. Precisamos fazer alguma coisa...
Dar simplesmente catequese para as crianças e jovens de hoje não vai ajudar a resolver o dilema de que muitos deles abandonam a Igreja logo após passarem por esta fase. Acredito até mesmo que muitos deles abandonem a Igreja justamente por haverem passado por esta fase. Explico-me: a catequese se torna algo tão marcado pela obrigatoriedade que a fé acaba sendo entendida desta mesma forma. O jovem, que busca encontrar-se com a liberdade, percebe a Igreja como um espaço normativo que lhe impede alcançar este desejo. Podemos nos perguntar: quais as lembranças que guardamos do tempo que estávamos na catequese? Muitos de nós, com certeza, vamos nos lembrar das provas, do que tivemos que decorar... Isso nos ajudou a aprofundar nosso compromisso com a fé? A ter uma fé mais verdadeira e profunda? A nos comprometermos com o seguimento a Jesus Salvador? Talvez para alguns sim, mas, para a grande maioria não! É preciso rever nossa metodologia, ou seja, a maneira como trabalhamos com os catequizandos este encontro com a pessoa e a mensagem de Jesus.
Por isso, quando começamos, como grupo de catequistas, a olhar para a nossa realidade, de maneira séria e desprendida, sem análise de valor ou pré-conceitos justificadores de nossa ação; julgamos esta realidade a partir de um aprofundamento atento da Palavra de Deus, buscando ser obedientes ao que esta palavra nos interpela; precisamos tirar tempo para buscar caminhos que nos ajudem a interferir nesta realidade a partir do material humano que temos a disposição: tanto o grupo de catequistas quanto os catequizandos. Passamos a nos preocupar com que a catequese seja um espaço vivencial, que permita a todas as pessoas buscarem juntas respostas para as dificuldades que estão sendo enfrentadas, a partir do manancial cristãos que dispomos. Para que isto aconteça, contudo, precisamos fazer um Planejamento Participativo de nossa Ação Catequética. Vejamos isto melhor:
Juntos, como grupo de catequistas, desde os que trabalham com a pré-catequese até os que estão convivendo com os jovens do crisma, programarmos todo o processo que faremos com os catequizandos, escolhendo juntos as temáticas a serem abordadas (conteúdos), a dinâmica a ser empregada, e o compromisso a ser gerado nos que participam do processo.

 
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