21. "TIRA ISSO DA BOCA MENINO... COMEÇANDO A DESCOBRIR
O MUNDO A NOSSA VOLTA!"

Caros catequistas, vamos iniciar nossa aproximação a algumas chaves de leitura para entendermos o processo de desenvolvimento humano. Isto é muito importante para o trabalho que realizamos, pois, assim, poderemos melhor fazer nosso planejamento catequético, de forma a adequá-lo aos estágios dos catequizandos a quem servimos.
Observaremos o desenvolvimento humano a partir de dois prismas: o psicológico e o pedagógico. Assim, iniciemos conversando sobre as crianças de 0 a 2 anos.
No desenvolvimento psicológico, seguindo uma linha psicanalista, encontraremos o termo fase oral para esta época Este termo se refere ao fato de que a criança concentra a sua atenção predominantemente nos lábios e na boca. Desta forma, a amamentação, como um ato de amor, é extremamente importante, pois as crianças começam a formar a sua personalidade e adquirir bagagem para o futuro com as experiências que obtêm com essa relação. Um bom exemplo disso é perceber que se a mãe realiza este gesto transmitindo acolhida e ternura para a criança, ela vai aprendendo a sentir-se amada e segura, o que muito ajudará na sua relação consigo e com os outros no futuro. Se a mãe é muito brusca em seus gestos, ou demonstra alguma insatisfação no que faz, provavelmente isto passará para a criança, podendo se tornar insegura quanto a sua aceitação. Por isso, todas as crianças pequenas que estão vivendo essa fase colocam tudo o que pegam na boca, pois é desta forma que descobrem o mundo. Não se trata de desobediência, mas de uma maneira como a criança, nesta fase, vai diferenciando os objetos que a circundam.
É importante que os catequistas ajudem os pais e os irmãos(ãs) mais velhos a que compreendam este processo e ajudem a criança, colaborando para que ela desfrute do que é possível levar à boca. Vale lembrar o compromisso de sempre observar que objeto elas estão experienciando, de forma a prevenir algum perigo.
Neste período a inteligência trabalha através das percepções (simbólico) e das ações (motor) a partir dos deslocamentos do próprio corpo. É uma inteligência iminentemente prática. Sua linguagem vai da ecolalia (repetição de sílabas) à palavra-frase (“água” para dizer que quer beber água) já que não representa mentalmente o objeto e as ações. Sua conduta social, neste período, é de isolamento e indiferenciação (o mundo é ele). Pedagogicamente, portanto, precisamos criar espaços para que a criança possa ir descobrindo o mundo a sua volta e começar a abrir-se para os demais, rompendo com a barreira de percepção de que o mundo é somente o que está ao seu redor.
Para nós catequistas, é importante ter em mente este período, pois algumas reações que as crianças podem demonstrar posteriormente, em idade catequética, podem ser fixações neste fase, ou seja, questões que marcaram o desenvolvimento das crianças neste período. Por isso, sempre que possível, vale lembrar as imagens da infância para as crianças, de forma a que se abra espaço para que as mesmas partilhem coisas que estão guardas em seus interiores, de forma a podermos ir entendendo melhor o mundo delas. O fato, por exemplo, de uma criança ficar o tempo inteiro com o lápis na boca, até mesmo mordendo o lápis o tempo todo, pode estar associada a alguma insegurança gerada no período em questão. Por isso, precisamos tomar cuidado com as atitudes que vamos ter quando nos deparamos com algumas reações das crianças, pois podemos estar reforçando inseguranças e frustrações ou ajudando-as a crescer a se libertarem. Lembremos que, como Jesus, queremos ajudar as pessoas a se encontrarem com a liberdade e com o amor de Deus por nós. Por sinal, esta temática é muito importante em qualquer fase da catequese!
Por falar do amor de Deus por nós, neste afinal de ano, queremos desejar que o nascimento do menino Salvador, reascenda a chama da alegria da visita constante de Deus entre nós, amando-nos e acreditando em nossa doação para colaborarmos com Ele na construção do seu sonho: um mundo a imagem e semelhança do Reino! Feliz Natal para todos vocês e que nossa caminhada catequética seja cada vez mais iluminada pela presença do Senhor!

 
 
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