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A
história não pára seu ciclo contínuo
rumo a novos tempos. Novos ventos sopraram na Europa, marcando o
fim do período conhecido como Idade Média. A hegemonia
católica na expressão da fé dos fiéis,
vinculada a obrigatoriedade de junção entre fé
e viver em um determinado reino, parece esgotar sua pretensão
de eternidade.
Com o nascimento de um novo grupo social, que ficou conhecido como
burguesia, foram rompidos os limites seguros estabelecidos pelos
muros dos feudos. Os “pés poeirentos”, como foram
denominados os novos comerciantes, abriram os horizontes de troca
de informações, experiências, oportunidades,
juntamente com a venda de mercadorias.
Junto com a nova classe nascente, que passa a ter em suas mãos
o controle econômico do novo tempo, passamos a vislumbrar
os confrontos entre o velho modelo sócio-político-econômico-religioso
(representado pela nobreza e pelo clero) com a tentativa de uma
nova forma de organização dos povos, conduzida, é
claro, pela burguesia.
Por todos os cantos eclodem novidades: volta da moeda única
dentro de um determinado território, quebra do monopólio
de poder dos senhores feudais, busca de uma nova maneira de se chegar
ao conhecimento da verdade (experimentação guiada
pelo uso da razão), novo modelo produtivo, etc...
O discurso do medo, que até então imperava no controle
dos fiéis que pertenciam ao catolicismo pelo peso da tradição,
demarcado pelo uso de uma linguagem simbólica (que só
podia ser interpretada pelos detentores das chaves de interpretação
dos símbolos: o clero), começa a perder força
para o uso do discurso racional científico. Deixa-se de olhar
tanto para o céu e passa-se a olhar mais para a terra e para
o humano. As ciências afloram em todos os campos de conhecimento,
questionando a teologia e o discurso oficial da Igreja Católica.
Mas não é apenas no campo do conhecimento em geral
que se fez sentir o peso das mudanças. A maior transformação,
em nível de formação religiosa, foi a iniciativa
de um monge chamado Martinho Lutero. Lançando 95 teses para
o debate, Lutero acabou por condensar todo um movimento de época,
marcando o fim da delimitação do discurso religioso
por parte do clero católico. É o período da
chamada Reforma e Contra-Reforma. A Igreja têm que passar
a conviver com um novo grupo religioso que passa a ser denominado
como protestantismo. Claro que essa nomenclatura já traz
em si mesma o olhar que se lança contra o grupo religioso
nascente: são aqueles que protestam contra as verdades eternas
estabelecidas dentro dos ditames do discurso oficial.
Novos tempos exigiriam novas posturas de parte da própria
Igreja, que, depois de muito tempo, vê seu poder ser ameaçado.
Que influências isso pode ter diretamente para o nosso centro
de atenção, ou seja, a catequese? É o que iremos
conversar no próximo mês. Como aperitivo tenham certeza
de uma coisa: a catequese retoma a importância no processo
de formação dos fiéis, passando a possuiu algumas
características que se fazem bem presentes na maneira como
muitos catequistas ainda hoje tratam a sua tarefa. A história
nos traz lições que nem sempre conseguimos aprender.
Converse com seu grupo de catequistas sobre: qual a maneira que
trabalhamos a nossa catequese? O que é mais importante para
nosso grupo de catequistas e o que é menos importante na
hora em que trabalhamos com os catequizandos? Qual o discurso que
se faz mais presente?
Reflitamos sobre estes pontos e voltamos a conversar no próximo
mês, comparando até que ponto estamos influenciados
pelo que aconteceu no período que estamos começando
a analisar. Um abraço e até novembro! |
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