9. TEMPO DE MUDANÇA: DOUTRINAR É PRECISO
   
 

A história não pára seu ciclo contínuo rumo a novos tempos. Novos ventos sopraram na Europa, marcando o fim do período conhecido como Idade Média. A hegemonia católica na expressão da fé dos fiéis, vinculada a obrigatoriedade de junção entre fé e viver em um determinado reino, parece esgotar sua pretensão de eternidade.
Com o nascimento de um novo grupo social, que ficou conhecido como burguesia, foram rompidos os limites seguros estabelecidos pelos muros dos feudos. Os “pés poeirentos”, como foram denominados os novos comerciantes, abriram os horizontes de troca de informações, experiências, oportunidades, juntamente com a venda de mercadorias.
Junto com a nova classe nascente, que passa a ter em suas mãos o controle econômico do novo tempo, passamos a vislumbrar os confrontos entre o velho modelo sócio-político-econômico-religioso (representado pela nobreza e pelo clero) com a tentativa de uma nova forma de organização dos povos, conduzida, é claro, pela burguesia.
Por todos os cantos eclodem novidades: volta da moeda única dentro de um determinado território, quebra do monopólio de poder dos senhores feudais, busca de uma nova maneira de se chegar ao conhecimento da verdade (experimentação guiada pelo uso da razão), novo modelo produtivo, etc...
O discurso do medo, que até então imperava no controle dos fiéis que pertenciam ao catolicismo pelo peso da tradição, demarcado pelo uso de uma linguagem simbólica (que só podia ser interpretada pelos detentores das chaves de interpretação dos símbolos: o clero), começa a perder força para o uso do discurso racional científico. Deixa-se de olhar tanto para o céu e passa-se a olhar mais para a terra e para o humano. As ciências afloram em todos os campos de conhecimento, questionando a teologia e o discurso oficial da Igreja Católica.
Mas não é apenas no campo do conhecimento em geral que se fez sentir o peso das mudanças. A maior transformação, em nível de formação religiosa, foi a iniciativa de um monge chamado Martinho Lutero. Lançando 95 teses para o debate, Lutero acabou por condensar todo um movimento de época, marcando o fim da delimitação do discurso religioso por parte do clero católico. É o período da chamada Reforma e Contra-Reforma. A Igreja têm que passar a conviver com um novo grupo religioso que passa a ser denominado como protestantismo. Claro que essa nomenclatura já traz em si mesma o olhar que se lança contra o grupo religioso nascente: são aqueles que protestam contra as verdades eternas estabelecidas dentro dos ditames do discurso oficial.
Novos tempos exigiriam novas posturas de parte da própria Igreja, que, depois de muito tempo, vê seu poder ser ameaçado. Que influências isso pode ter diretamente para o nosso centro de atenção, ou seja, a catequese? É o que iremos conversar no próximo mês. Como aperitivo tenham certeza de uma coisa: a catequese retoma a importância no processo de formação dos fiéis, passando a possuiu algumas características que se fazem bem presentes na maneira como muitos catequistas ainda hoje tratam a sua tarefa. A história nos traz lições que nem sempre conseguimos aprender. Converse com seu grupo de catequistas sobre: qual a maneira que trabalhamos a nossa catequese? O que é mais importante para nosso grupo de catequistas e o que é menos importante na hora em que trabalhamos com os catequizandos? Qual o discurso que se faz mais presente?
Reflitamos sobre estes pontos e voltamos a conversar no próximo mês, comparando até que ponto estamos influenciados pelo que aconteceu no período que estamos começando a analisar. Um abraço e até novembro!

 
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