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Caros catequistas, aprender a lidar com o tempo é uma arte
que todos(as) estamos chamados a exercitar. Vivendo sobre o peso
do tempo cronológico, das horas marcadas pelo ponteiro do
relógio. Até mesmo os nossos encontros de catequese
necessitam de uma hora para iniciar e outra para terminar. O compasso
da vida passa diante de nossos olhos com a velocidade do pequeno
ponteiro dos segundos. Para o mundo em que vivemos “tempo
é dinheiro” e, portanto, não se pode brincar
com o mesmo.
A vida litúrgica de nossa Igreja também é marcado
por tempos: o tempo comum; o tempo da Páscoa, o tempo do
natal..., num sucessivo esforço de ativar a memória
e o coração para o apelo interessante do projeto do
Mestre de Nazaré. Aproveitar de cada tempo exige criatividade
e esforço, de forma a que não se transforme em meras
sucessão de datas presas ao compasso de nossos relógios
e à lógica do lucro do mercado, mas que seja espaço
propício para nosso crescimento como seres humanos.
Iniciamos o temo da quaresma. Espaço oportuno para uma parada
e uma intensificação de nossa profundidade na fé.
Momento muito especial para a catequese, que precisa iluminar os
caminhos daqueles(as) que dão os primeiros passos no encontro
com a vida de nossas Comunidades. Eu e você temos um compromisso
importante com este momento: despertar para a consciência
do significado e do alcance deste contínuo exercício
quaresmal. Vejamos um pouco mais isto:
O povo de Israel precisou de quarenta anos para atravessar o deserto
que os separava da experiência da escravidão do Egito
e a conquista da terra da liberdade (confiança, por exemplo:
Dt.8,.2; At. 7,36 . 13,18). Este evento se tornou fonte de contínua
reflexões e de conversa comas gerações. Não
é possível esquecer que a liberdade deve ser conquistada
a cada passo, conhecendo e superando os próprios medos e
necessidades. A aventura da liberdade nos convoca a assumir os riscos
da travessia, a qual só pode ser completada com a presença
do amor que fortalece e acelera o ritmo dos nossos passos. Caminhar
marca o movimento exigido daquele(a) que deseja fazer a experiência
do Deus da vida e da esperança.
Neste sentido, Jesus não poderia iniciar sua missão
sem tirar tempo para passar pelo primeiro deserto a ser enfrentado
em sua vida: o deserto das tentações (confira Mt 4,1-11;
Lc 4,1-13). Quarenta dias marcaram o tempo necessário para
que Ele enfrentasse os apelos interessantes que nascem no interior
de toda pessoa humana: o poder, o prestígio, o status, enfim,
as glórias deste mundo. Manter-se fiel ao projeto de Deus
da liberdade faz de Jesus o novo modelo que comprova que este passo
é fundamental para todos. Não poderia ser diferente
para os seus seguidores. Tanto isso é verdade que antes dos
discípulos iniciarem seu trabalho, como nos relata os livros
dos Atos dos Apóstolos, durante quarenta dias receberam a
formação do mestre (At 1,3). Mateus nos lembra que
antes de receberem o mandato missionário de irem a todos
os povos, batizando todos os que quisessem fazer parte do mesmo
grupo, os discípulos tiveram que viver com Jesus, ouvi-lo,
caminhar com Ele...
A quaresma é a recordação constante desta necessidade.
É apelo para vencermos o tempo do relógio que nos
prende no compasso de nossas histórias, de forma a podermos
saborear a beleza da graça de Deus, de seus apelos constantes
às nossas consciências, de forma a não desanimarmos
neste caminhar, de compreendermos e assumirmos as verdadeiras intenções
que regem o nosso viver, de forma a buscarmos aquelas que mais correspondem
ao que é verdadeiramente humano e nos torna mais plenamente
imagem e semelhança do Pai. Logo no início das primeiras
comunidades cristãs, nossos antecessores eram conhecidos
como “os do caminho” (At9,2) , talvez por esta imagem
e este apelo ser tão forte em suas consciências. A
catequese era justamente o tempo em que aquele(a) que iria passar
a fazer parte do grupo deveria experimentar a vida destes caminheiros,
adentrar nos mistérios da mensagem recebidas pelo mestre,
de forma a sondar o coração para as exigências
que precisariam ser assumidas. Tempo de graça, tempo de aprofundamento,
tempo de esperança, afinal, o humano pode alcançar
a terra da liberdade e viver superando-se constantemente. No próximo
mês vamos falar um pouco mais deste primeiro temo da catequese
na história. aguarde!
Um abraço em Cristo Salvador e um bom trabalho a todos(as)
catequistas durante este ano. |
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