2. VIVENDO UM TEMPO DE ESPERANÇA
   
 

Caros catequistas, aprender a lidar com o tempo é uma arte que todos(as) estamos chamados a exercitar. Vivendo sobre o peso do tempo cronológico, das horas marcadas pelo ponteiro do relógio. Até mesmo os nossos encontros de catequese necessitam de uma hora para iniciar e outra para terminar. O compasso da vida passa diante de nossos olhos com a velocidade do pequeno ponteiro dos segundos. Para o mundo em que vivemos “tempo é dinheiro” e, portanto, não se pode brincar com o mesmo.
A vida litúrgica de nossa Igreja também é marcado por tempos: o tempo comum; o tempo da Páscoa, o tempo do natal..., num sucessivo esforço de ativar a memória e o coração para o apelo interessante do projeto do Mestre de Nazaré. Aproveitar de cada tempo exige criatividade e esforço, de forma a que não se transforme em meras sucessão de datas presas ao compasso de nossos relógios e à lógica do lucro do mercado, mas que seja espaço propício para nosso crescimento como seres humanos.
Iniciamos o temo da quaresma. Espaço oportuno para uma parada e uma intensificação de nossa profundidade na fé. Momento muito especial para a catequese, que precisa iluminar os caminhos daqueles(as) que dão os primeiros passos no encontro com a vida de nossas Comunidades. Eu e você temos um compromisso importante com este momento: despertar para a consciência do significado e do alcance deste contínuo exercício quaresmal. Vejamos um pouco mais isto:
O povo de Israel precisou de quarenta anos para atravessar o deserto que os separava da experiência da escravidão do Egito e a conquista da terra da liberdade (confiança, por exemplo: Dt.8,.2; At. 7,36 . 13,18). Este evento se tornou fonte de contínua reflexões e de conversa comas gerações. Não é possível esquecer que a liberdade deve ser conquistada a cada passo, conhecendo e superando os próprios medos e necessidades. A aventura da liberdade nos convoca a assumir os riscos da travessia, a qual só pode ser completada com a presença do amor que fortalece e acelera o ritmo dos nossos passos. Caminhar marca o movimento exigido daquele(a) que deseja fazer a experiência do Deus da vida e da esperança.
Neste sentido, Jesus não poderia iniciar sua missão sem tirar tempo para passar pelo primeiro deserto a ser enfrentado em sua vida: o deserto das tentações (confira Mt 4,1-11; Lc 4,1-13). Quarenta dias marcaram o tempo necessário para que Ele enfrentasse os apelos interessantes que nascem no interior de toda pessoa humana: o poder, o prestígio, o status, enfim, as glórias deste mundo. Manter-se fiel ao projeto de Deus da liberdade faz de Jesus o novo modelo que comprova que este passo é fundamental para todos. Não poderia ser diferente para os seus seguidores. Tanto isso é verdade que antes dos discípulos iniciarem seu trabalho, como nos relata os livros dos Atos dos Apóstolos, durante quarenta dias receberam a formação do mestre (At 1,3). Mateus nos lembra que antes de receberem o mandato missionário de irem a todos os povos, batizando todos os que quisessem fazer parte do mesmo grupo, os discípulos tiveram que viver com Jesus, ouvi-lo, caminhar com Ele...
A quaresma é a recordação constante desta necessidade. É apelo para vencermos o tempo do relógio que nos prende no compasso de nossas histórias, de forma a podermos saborear a beleza da graça de Deus, de seus apelos constantes às nossas consciências, de forma a não desanimarmos neste caminhar, de compreendermos e assumirmos as verdadeiras intenções que regem o nosso viver, de forma a buscarmos aquelas que mais correspondem ao que é verdadeiramente humano e nos torna mais plenamente imagem e semelhança do Pai. Logo no início das primeiras comunidades cristãs, nossos antecessores eram conhecidos como “os do caminho” (At9,2) , talvez por esta imagem e este apelo ser tão forte em suas consciências. A catequese era justamente o tempo em que aquele(a) que iria passar a fazer parte do grupo deveria experimentar a vida destes caminheiros, adentrar nos mistérios da mensagem recebidas pelo mestre, de forma a sondar o coração para as exigências que precisariam ser assumidas. Tempo de graça, tempo de aprofundamento, tempo de esperança, afinal, o humano pode alcançar a terra da liberdade e viver superando-se constantemente. No próximo mês vamos falar um pouco mais deste primeiro temo da catequese na história. aguarde!
Um abraço em Cristo Salvador e um bom trabalho a todos(as) catequistas durante este ano.

 
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