|
|
|
A
história de aproximação a Deus, nosso Salvador,
se inicia com um ato gratuito, fonte de amor e de abertura ao diálogo:
a criação. Deus cria um espaço aberto a possíveis
transformações e novidades. Para conduzir e compreender
a marcha destas constantes mutações, cria o ser humano:
homem e mulher. Dotados de inteligência e capacidade simbólica,
responsabilizam-se por nomear, dar sentido e cuidar do todo criado
por Deus.
Desde o princípio da relação entre os seres
humanos e Deus, este os deixou livres para tomar posições,
encarregando-os de assumir os riscos e as responsabilidades advindas
das decisões que iriam tomar: comer do fruto da árvore
do conhecimento do bem e do mal significaria abrir os olhos para
a realidade do limitado, do imperfeito, da necessidade de buscar
saídas para a dor e o sofrimento que fazem parte do cotidiano
da arte de viver. Abrir os olhos para a realidade, marcou o início
de uma nova trajetória para a humanidade: a consciência
da possibilidade de quebrar a harmonia do criado, de destruir e
reconstruir constantemente o espaço do diálogo com
o criador.
A catequese, desde os primórdios, tomou para si a tarefa
nobre e difícil de ajudar os seres humanos a abrir seus olhos
para perceberem a realidade que os rodeia, iluminando-a com a palavra
de Deus, para, assim, desenvolver ao máximo as potencialidades
das quais são portadores, em vias de colaborar com Deus na
construção do Reino. Buscou colaborar com a humanidade,
despertando o que de melhor se encontra guardado no segredo do coração,
pulsando para vir a tona e brilhar.
Como sinal deste processo constante de mergulho dentro de si mesmo,
de forma a explorar os mais recônditos espaços que
residem em nosso íntimo, na busca por ser cada vez mais imagem
e semelhança de Deus, a água é escolhida. Mergulhar
na água que circula pelas veias da própria existência,
fazendo transbordar os bens que os serem humanos são portadores,
de forma a encharcar o tórrido solo da história, torna-se
tarefa daqueles e daquelas que se põem no caminho do Nazareno
e abraçam a fé cristã. A mesma água
que pode representar o caos, a morte e a ausência de significados,
transforma-se em sinal de novo nascimento, de crescimento a ser
conquistado, de luta a ser empreendida para que, do meio deste caos
sejam retirados os elementos que darão sentido à grande
tela da vida sobre o planeta terra, por sinal também conhecido
como Planeta Água.
Desde o nascimento, a água acompanha nossa vida. No ventre
materno, circunda-nos o líquido que permite o desenvolvimento
do novo ser. Água: fonte de vida. Este é o lema que
marca a Campanha da Fraternidade neste ano e se torna uma importante
oportunidade para iniciarmos um caminho de estudo sobre a catequese
na história, tal como nos havíamos proposto no final
do ano passado: desde o início de nosso caminhar a água
nos acompanha, afinal, Jesus de Nazaré se torna um “divisor
de águas”, convocando-nos, como nos lembra São
Paulo, a assumirmos uma nova humanidade, um novo homem e uma nova
mulher.
Aproveitemos desta oportunidade que a Igreja nos oferece para partilharmos
com aqueles e aquelas que acompanhamos nos primeiros passos da fé,
a perceberem a riqueza e a importância deste elemento vital
em nossas vidas. Criemos a consciência da necessidade de colaborarmos
com Deus na preservação da beleza e da harmonia do
criado. Ajudemos na implantação de políticas
públicas que permitam a todos o acesso justo e equilibrado
deste recurso que gratuitamente recebemos de Deus e que, devido
a nova interferência e ganância, pode findar e marcar
o fim da alegria e da festa para muitos povos. Não podemos
compactuar com uma mentalidade de mercado, onde tudo é simplesmente
uma mercadoria a ser comprada e vendida. A água não
é apenas uma mercadoria, ela é sinal da transparência
que todo cristão busca em sua vida, do caos a ser enfrentado
e constantemente resignificado, do mergulho profundo que cada ser
humano é convidado a fazer, em busca da própria humanidade.
Junte o grupo de catequistas de sua comunidade. Juntos leiam e discutam
o material de reflexão da campanha e juntos, de maneira criativa
e participativa, busquem caminhos, apontem propostas e envolvam
a todos os catequizandos(as) no desafio de colaborar com Deus na
obra da criação. Até a próxima!
|
|