1. RESGATAR A IMPORTÂNCIA DA CRIAÇÃO
   
 

A história de aproximação a Deus, nosso Salvador, se inicia com um ato gratuito, fonte de amor e de abertura ao diálogo: a criação. Deus cria um espaço aberto a possíveis transformações e novidades. Para conduzir e compreender a marcha destas constantes mutações, cria o ser humano: homem e mulher. Dotados de inteligência e capacidade simbólica, responsabilizam-se por nomear, dar sentido e cuidar do todo criado por Deus.
Desde o princípio da relação entre os seres humanos e Deus, este os deixou livres para tomar posições, encarregando-os de assumir os riscos e as responsabilidades advindas das decisões que iriam tomar: comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal significaria abrir os olhos para a realidade do limitado, do imperfeito, da necessidade de buscar saídas para a dor e o sofrimento que fazem parte do cotidiano da arte de viver. Abrir os olhos para a realidade, marcou o início de uma nova trajetória para a humanidade: a consciência da possibilidade de quebrar a harmonia do criado, de destruir e reconstruir constantemente o espaço do diálogo com o criador.
A catequese, desde os primórdios, tomou para si a tarefa nobre e difícil de ajudar os seres humanos a abrir seus olhos para perceberem a realidade que os rodeia, iluminando-a com a palavra de Deus, para, assim, desenvolver ao máximo as potencialidades das quais são portadores, em vias de colaborar com Deus na construção do Reino. Buscou colaborar com a humanidade, despertando o que de melhor se encontra guardado no segredo do coração, pulsando para vir a tona e brilhar.
Como sinal deste processo constante de mergulho dentro de si mesmo, de forma a explorar os mais recônditos espaços que residem em nosso íntimo, na busca por ser cada vez mais imagem e semelhança de Deus, a água é escolhida. Mergulhar na água que circula pelas veias da própria existência, fazendo transbordar os bens que os serem humanos são portadores, de forma a encharcar o tórrido solo da história, torna-se tarefa daqueles e daquelas que se põem no caminho do Nazareno e abraçam a fé cristã. A mesma água que pode representar o caos, a morte e a ausência de significados, transforma-se em sinal de novo nascimento, de crescimento a ser conquistado, de luta a ser empreendida para que, do meio deste caos sejam retirados os elementos que darão sentido à grande tela da vida sobre o planeta terra, por sinal também conhecido como Planeta Água.
Desde o nascimento, a água acompanha nossa vida. No ventre materno, circunda-nos o líquido que permite o desenvolvimento do novo ser. Água: fonte de vida. Este é o lema que marca a Campanha da Fraternidade neste ano e se torna uma importante oportunidade para iniciarmos um caminho de estudo sobre a catequese na história, tal como nos havíamos proposto no final do ano passado: desde o início de nosso caminhar a água nos acompanha, afinal, Jesus de Nazaré se torna um “divisor de águas”, convocando-nos, como nos lembra São Paulo, a assumirmos uma nova humanidade, um novo homem e uma nova mulher.
Aproveitemos desta oportunidade que a Igreja nos oferece para partilharmos com aqueles e aquelas que acompanhamos nos primeiros passos da fé, a perceberem a riqueza e a importância deste elemento vital em nossas vidas. Criemos a consciência da necessidade de colaborarmos com Deus na preservação da beleza e da harmonia do criado. Ajudemos na implantação de políticas públicas que permitam a todos o acesso justo e equilibrado deste recurso que gratuitamente recebemos de Deus e que, devido a nova interferência e ganância, pode findar e marcar o fim da alegria e da festa para muitos povos. Não podemos compactuar com uma mentalidade de mercado, onde tudo é simplesmente uma mercadoria a ser comprada e vendida. A água não é apenas uma mercadoria, ela é sinal da transparência que todo cristão busca em sua vida, do caos a ser enfrentado e constantemente resignificado, do mergulho profundo que cada ser humano é convidado a fazer, em busca da própria humanidade. Junte o grupo de catequistas de sua comunidade. Juntos leiam e discutam o material de reflexão da campanha e juntos, de maneira criativa e participativa, busquem caminhos, apontem propostas e envolvam a todos os catequizandos(as) no desafio de colaborar com Deus na obra da criação. Até a próxima!

 
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