24. O SER HUMANO É CAPAZ DE APRENDER E PERDER:
APRENDENDO A LIDAR COM O PODER

Caros catequistas. Retomamos, no artigo deste mês, nosso processo de acompanhamento do ciclo de desenvolvimento humano, iluminados por alguns princípios que pode nos oferecer a psicologia.
É muito importante que reflitamos sobre eles, de forma a melhor qualificarmos nosso serviço ao povo de Deus. Vale lembrar, que esta não é a verdade única. Quer apenas ser um instrumental que instigue seu grupo e você mesmo(a) a buscar, aprofundar e melhor se preparar para este ministério. Logo no início do seu desenvolvimento, o ser humano vai aprendendo a lidar com seu poder. Nos primeiros anos da vida, dos 02 a 04 anos, a criança exercita a primeira lição de vida sobre a sua possibilidade de controlar uma situação: ela vai, aos poucos, abandonando suas fraldas e utilizando um espaço apropriado para expelir suas necessidades. Nesta fase é muito importante o acompanhamento dos pais, de forma a que se garanta uma passagem tranqüila por este momento da vida. Se a criança não for ensinada a compreender seus limites e a lidar com a frustração da perda, dificilmente ela poderá viver tranquilamente com as futuras perdas que a vida lhe trará. E aqui há algo de muito importante para nós na catequese, afinal, os cristãos são aqueles que aprendem a crescer em sua humanidade e a serem capazes de superarem as derrotas da própria vida. No mundo de hoje, cada vez mais, as famílias têm menos tempo para acompanharem este estágio de desenvolvimento de seus filhos e filhas. Os pais precisam trabalhar. O espaço qualitativo da presença de um adulto, que vai aconselhando, mostrando e ensinando a conviver com os sentimentos que brotam nesta fase, acaba por gerar um desiquilíbrio na estrutura do comportamento humano da criança, na maneira como ela vai lidando com as situações que a vida apresenta, gerando, desta forma, uma série de crianças incompreendidas que necessitam chamar a atenção e se fazerem ponto de referência para tudo o que acontece ao seu redor. Crianças incapazes de dividir, trabalhar em grupo e viver frustrações. Elas necessitam ser o foco principal da cena. Crianças assim, geram uma série de dificuldades no grupo da catequese, afinal, a catequista acaba tendo que se desdobrar para conseguir exercer um certo “controle” da turma. Agora, como exercer este controle frente a quem não suporta ser controlado? Mais do que nunca, é importante, nesta hora, que o(a) catequista tenha seus princípios bem estabelecidos e ajude no processo de desenvolvimento humano destas crianças, ou seja, seja capaz de lidar Ser humano é ser capaz de aprender a perder: Aprendendo a lidar com o Poder! tranquilamente com a situação, sabendo impor limites e ajudar as crianças a fazerem experiências de frustrações, sempre apresentando a veracidade dos fatos e o porquê das ações que estão sendo exercidas. Para que isso seja eficaz, é muito importante, em primeiro lugar que nós,
catequistas, saibamos reconhecer e lidar com nossos limites frente às frustrações que vivenciamos e as conseqüências das mesmas em nossa vida, na maneira como somos, pensamos ou nos comportamos. Um(a) catequista é um modelo referencial para as crianças. Se bem formado e seguro de si mesmo(a) e de suas dificuldades, melhor poderá ajudar a suprir as carências existentes nas crianças, não de forma a reforçá-las, mas, ao contrário, a partir de nossa fé, ajudá-las a superarem-se constantemente. Não podemos transformar nossos encontros de catequese apenas num espaço para a transmissão de conteúdos, preocupando-nos em fazer com que os(as) catequizandos(as) saibam mais sobre nossa fé ou sobre Deus. É importante ajudá-las a viver mais nossa fé e a mensagem de Jesus, num caminho constante de crescimento e de amadurecimento pessoal, ou seja, de discipulado. Formar discípulos e discípulas do Salvador é nossa missão! Discípulos e
discípulas capazes de assumir uma missão de transformação do mundo através da transformação constante
de si: conversão! Isso é ser capaz de perder! Ajudemo-nos a caminhar pelas sendas deste aprendizado,
crescendo em humanidade e abraçando a vida com maior liberdade!
Até o próximo mês.

 
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