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Logo após a condenação e a crucificação
de Jesus, os discípulos se dispersam. A dor da perda parece
cegar-lhes frente à possibilidade de uma visão mais
ampla, da busca da percepção do momento existencial
do Mestre e de todo o grupo. Tudo se torna sem sentido. O caminho
parece haver chegado ao fim. Só resta a descrença,
afinal é duro manter a esperança quando tudo indica
o contrário... Cai por terra toda tentativa de associar Jesus
a um líder Messiânico que derrubaria o exército
romano e, enfim, devolveria a soberania a Israel, como nos velhos
tempos de Davi. E o pior: é impossível conviver com
a idéia de um Messias pregado na cruz, local para bandidos
e amaldiçoados.
Conviver com esta situação só poderia fazer
com que estes seres humanos repensassem tudo o que viram, ouviram,
experimentaram, enfim, viveram no longo caminho traçado junto
ao Mestre. Creio que em suas cabeças, como numa grande tela,
muitas e muitas vezes devia passar o filme no qual participaram
ativamente, marcado por cenas de alegria contagiante, de surpresas
inevitáveis, de repreensões muitas vezes incompreendidas,
porém, enri-quecedoras, de dor, angústia e perplexidade
frente a decisão tranqüila e serena diante da cruz.
Como compreender a mensagem que perpassa o tênue limite de
nossa idéia frente ao que nos acontece e o seu real alcance
e significado? Como conseguir superar o sentimento de fragilidade
e impotência frente ao rumo da vida que segue pelo leito traçado
pelas artimanhas do cotidiano?
Aqui se encontra o marco fundante de tudo o que viria a caracterizar
a impressionante força que brotou no coração
destas mentes confusas e perdidas: é preciso uma guinada
total em nossa mentalidade, em nossa forma de olhar para a realidade
e de reconhecer os sinais que Deus nos apresenta nos fatos que vão
pintando a grande e complexa tela da ação humana no
mundo. Este homem, que viveu e ensinou a profundidade transformadora
do amor, que nos faz superar os medos em busca de crescimentos constantes,
que sempre incentivou a potencialização dos dons dos
quais somos portadores, foi capaz de amar até o fim. Foi
fiel ao projeto escolhido para marcar o sentido de seu viver e de
seu caminhar em meio à humanidade. Assumiu a cruz como conseqüência
desta mesma fidelidade e, ao mesmo tempo, como sinal de que sim
podemos acreditar na humanidade, desde que a mesma se ponha nesta
trajetória, desde que assuma viver como Ele viveu, sonhar
como Ele sonhou, sem sermos meros repetidores de Jesus, mas continuadores
de sua proposta.
Nesta descoberta, nascida do alegre reconhecimento de que Deus ressuscitou
a este Jesus, confirmando sua vida e missão (At 10,37-43),
nasce o anseio livre e consciente de que agora eles se tornam responsáveis
por continuar o anúncio e o testemunho do Reino. De que cada
pessoa é essencial para fazer surgir um novo tempo, um novo
mundo, uma nova sociedade, onde homens e mulheres se tornam novos.
Começam a anunciar ao ressuscitado com toda a força
que vem de dentro, do mais profundo de seus corações,
iluminados pela sabedoria descoberta na dor da perda superada no
encontro com a vida que brota da morte. Iniciam o seu trajeto de
anunciadores, ou seja, de catequistas, daqueles que procuram fazer
ecoar a palavra de Deus em todo lugar.
A catequização se torna caminho gratuito oferecido
àqueles que querem experimentar mais de perto esta novidade.
Espaço de encontro entre aqueles e aquelas que desejam doar
suas vidas por um projeto mais amplo. Pessoas que desejam aprender
a fidelidade que nasce da consciência de papel único
de cada pessoa na obra da criação. Pessoas que desejam
crescer nesta escuta atenta e silenciosa dos sinais que emanam do
solo da vivência, de forma a juntas encontrarem resposta a
cada desafio, tendo princípios claros que os orientam nesta
busca. Pessoas que querem ser cristãs. Na páscoa nasce
uma nova esperança! Na páscoa nasce um novo jeito
de semear esta esperança. Nasce a catequese. Nasce uma proposta
de caminho a ser trilhado... Pegadas a serem deixadas pelas estradas
de todos os cantos do mundo... Reascende-se a esperança!
No próximo mês vamos conversar um pouco mais como estes
primeiros cristãos foram operacionalizando, ou seja, que
práticas foram marcando a presença e o método
catequético assumido neste período de nossa história.
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