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Com
a aproximação do cristianismo e o Império Romano
vai se iniciar uma nova fase da nossa história, que passou
a ser conhecida como Cristandade, ou seja, a Igreja passa a ser
um braço forte do poder civil, colaborando com o mesmo.
Como a obrigatoriedade frente ao cristianismo se tornou norma, todos,
quase que automaticamente, passaram a ser cristãos. Obviamente
o número dos seguidores de Jesus cresceu muito, parecendo
que, enfim, as pessoas teriam se convencido da importância
desse caminho a ser trilhado na vida. Mas, será que realmente
as coisas são assim?
Todos nós sabemos que quando devemos obedecer a uma determinada
lei, fazemos o que ela nos manda, num primeiro momento, por que
tememos receber alguma sanção ou castigo quando não
o fazemos. Sabemos, por experiência, que, por exemplo, se
desrespeitarmos uma determinada regra de trânsito, poderemos
levar uma multa e isso vai pesar no bolso e no apertado orçamento
do mês, dificultando nossa vida. Fazemos valer o que foi determinado,
muitas vezes, não por acreditarmos de verdade no que estamos
fazendo, assumindo como princípio que rege nossa maneira
de relacionarmo-nos com as decisões que tomamos, mas por
temer o que pode acontecer se não o fizermos. A primeira
oportunidade que surgir para burlar a lei será aproveitada!
Assim sendo, mesmo que nos mostremos exímios cumpridores
do nosso dever, as práticas que realizamos podem ficar na
superficialidade externa de atos realizados, não como atitudes
que brotam do mais profundo de nossas convicções pessoais.
Uma prática assim não pode exigir sacrifícios,
entrega total, espírito de gratuidade, amor e serviço.
O cristianismo, que havia trilhado o caminho da conversão
nascida do encontro com a novidade de um grupo que vivia a força
de sua fé, vê, aos poucos, esta novidade ser englobada
pelo conjunto da sociedade, fazendo com que seu brilho fosse aos
poucos sendo apagado. Não há mais necessidade de uma
catequese de acompanhamento e preparação que exigia
atitudes que comprovassem a conversão, afinal, não
há quem converter, todos são agora membros da mesma
Igreja. A catequese se torna, até certo ponto, desnecessária,
ao menos como era entendida até então, como vimos
nos artigos anteriores. Trata-se agora que acolher os novos membros
da Igreja, deixar de sentir-se perseguida, escondendo-se nas catacumbas
e porões do Império, para ocupar o centro deste mesmo
Império. Passa-se a ocupar as grandes Catedrais, substituir
os antigos cultos “pagãos” por cultos cristãos
e ensinar o mínimo necessário para poder participar
da vida da Igreja.
O número de cristãos passa a ser uma preocupação
defendida pelo uso da norma e da força de lei. De grupo anteriormente
perseguido, os cristãos passarão a grupo perseguidor,
buscando “converter” aqueles e aquelas que ainda não
aderiram às suas fileiras, como fez o grande imperador.
Uma mudança enorme se processa. Mudança profunda que,
claro, não acontece de uma hora para outra. Com certeza ainda
se sente o ar das primeiras comunidades e da dinâmica do caminho,
tão importante e profunda. O problema é que, devagar
porém continuamente, a dinâmica do caminho vai dando
lugar à dinâmica da lei, das normas, dos mandamentos.
Seguir e saber de cor os mandamentos torna-se mais importante que
viver aprendendo a fazer escolhas maduras e adultas na vida, a partir
da própria fé. A tradição se torna mais
importante que a escolha pessoal, junto com o acomodar-se à
situação, não se preocupando em saber o porquê
ser cristão.
Hoje não encontramos muitas pessoas que dizem que são
católicas porque os pais sempre foram? Que é uma tradição
da família? Que sempre será assim? Muitas crianças
que vem até nós, para a catequese, não vem
empurradas pela força da tradição de receber
os sacramentos e depois vão embora? Não nos vemos,
muitas vezes, obrigados a enfrentar a briga com os pais pelo fato
destes pensarem que a catequese é lugar para ensinar apenas
as orações e os mandamentos e ponto final? Será
que não estamos continuando a conviver com as conseqüências
deste momento da história da catequese? Com certeza sim.
Agora, cuidado! Há outros acontecimentos que continuarão
a influenciar nossa ação catequética. O caminho
ainda não terminou e precisamos continuar a trilhar por ele.
Até a próxima.
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