10. PERGUNTEE E RESPONDEREMOS! DECORANDO VERDADES DE FÉ
   
 

Em nossa vida, muitas vezes, quando somos atacados temos, quase que instantaneamente, a reação de nos defender. Tudo o que o outro diz ou faz sentimos como uma ameaça. Começamos a olhar com desconfiança cada passo, cada atitude.
Com a Igreja Católica não foi muito diferente. Os ataques externos suscitaram reações. Lembremos, de maneira geral, quais eram esses ataques: 1. O crescimento econômico da burguesia fez com que este grupo nascente buscasse maior espaço dentro da sociedade de então, lutando para combater a antiga ordem estabelecida: o poder da nobreza apoiada pelo clero. Com a ajuda econômica da burguesia vária mudanças e avanços foram possíveis nos mais diferentes campos do conhecimento humano, contrariando, muitas vezes, o pensamento católico... 2. O avanço dos protestantes, que se apoiavam em Reis para estender suas influências no contexto onde estavam inseridos. Como tudo se encontrava em ebulição, com territórios sendo unificados, Reis contaram também com a presença do protestantismo como ponto de apoio para combater a influência da Igreja Católica sobre os Reis que lhe permaneciam fiéis; sem contar que esta nova mentalidade religiosa nascente não condenava a usura, auxiliando os burgueses que se dedicaram ao exercício do ganho financeiro e auxiliavam na noção da necessidade de trabalhar para poder vencer na vida, o que ajudava a reforçar o poder da burguesia industrial, que necessitava do trabalho da nova classe nascente: o proletariado. Riqueza passava a ser sinal de bênção, conquistada com o trabalho!
Tanta novidade fez romper o grilhão da pretensa normalidade conquistada pela influência da Igreja Medieval. Tudo parecia estar saindo do controle, principalmente os fiéis...
Para enfrentar esta situação, a Igreja lança a Contra-Reforma: como o próprio nome já diz, um movimento contrário à ação do protestantismo. Junto a esta ação, um conjunto de condenações ao secularismo.
Para estabelecer uma estratégia de movimentação em meio a este conjunto de acontecimentos, a Igreja recupera a importância da catequese como espaço de aprendizado das verdades de fé. A questão central nesta recuperação do espaço catequético reside na dimensão de que esta passa a ser usada como lugar oportuno para que os que sabem, no caso os padres, religiosos e religiosas, ensinarem a fé para os que não sabem, os fiéis. O modelo utilizado era o modelo escolar: como uma escola da fé. Questões eram ensinadas e precisavam ser aprendidas pelos que freqüentavam a catequese. Claro que em muitos lugares esse saber acabou ficando associado a decorar as respostas para responder na prova.
Como auxílio para que este modelo funcionasse bem, apareceram os famosos manuais de catequese: textos e livros que traziam o que precisava ser aprendido para ser um bom católico, bem como para poder combater o que era ensinado pelos hereges protestantes. Material que já separava para o fiel o que era certo e o que era errado. Tudo estava resolvido, bastava decorar!
Os catequistas leigos voltam a cena, afinal quanto mais pessoas ajudando a fazer este trabalho melhor. Porém, a pergunta: será que com preparação suficiente para realizar este serviço? Bom, não era tão necessário a preparação e o aprofundamento em questões de fé, pois tudo o que precisava ser dito estava no manual. Bastava uma boa dedicação e um forte acento na defesa da fé.
Quantos de nós não lembramos o período em que estivemos na catequese e se nos exigia que decorássemos as orações, o Creio, as respostas, algumas das perguntas que a catequista fazia, os Dez Mandamentos, os Mandamentos da Igreja, os Sete Sacramentos... Quantos catequistas, ainda hoje em nossas Comunidades são “caçados a laço” para este ministério e somente se lhes entrega o livrinho com os temas a serem dados para os alunos, na aula de catequese? Exatamente: com a idéia de se dar uma aula, a catequista como uma professora, com prova para saber se a criança está preparada ou não para a primeira comunhão... Ainda bem que isto não acontece mais... Bom, por este mês é só. No próximo continuaremos a nossa conversa. Um abraço! Ah... Lembre-se: qualquer pergunta ou sugestão que você queira fazer pode escrever para o nosso jornal.

 
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