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Caros catequistas, estamos juntos uma vez mais, viajando pelas trilhas
da história, de forma a sondarmos os sinais da presença
de Deus, acompanhando seu povo que busca ser sinal do Reino.
Vimos que a catequese foi iniciada na vida da Comunidade Cristã
nascente sob o signo do processo. Uma busca de ajudar cada pessoa,
que queria conhecer na intimidade o projeto de vida assumido pelos
seguidores(as) de Jesus, a realizar uma mudança atitudinal
e situacional. Tarefa que exigia tempo e paciência e que,
ao mesmo tempo, não contava com nenhum manual de receitas,
mas apenas com a alegre disposição de acompanhar o
caminho de quem se dispunha a caminhar.
Esta era a grande descoberta desses primeiros seguidores(as) de
Jesus: acompanhar os passos dos novos integrantes do grupo até
que os mesmos pudessem caminhar com os próprios pés,
fazendo parte integral da vida de alguma comunidade. Assumiam a
função de serem “pedagogos da vida”, demonstrando,
através de suas atitudes, nascidas do encontro com o ressuscitado,
que é possível reascender a esperança no coração
machucado pelas ciladas da vida e do Império Romano.
Eis aqui um detalhe importante de ser lembrado: os primeiros cristãos
vivem nos limites impostos pelo Império. Sofrem as conseqüências
de um modelo de dominação. Convivem com a escravidão
que degenera, machuca e diminui o ritmo alegre e pulsante da vida,
pois faz cair no desespero, no sem-sentido, na acomodação;
afinal, a única saída que parece existir é
buscar ajustar-se ao sistema em que se vive, de forma a acolher
as migalhas que caem das mesas dos livres...
Os limites geográficos da dominação romana
tornar-se-ão os limites de uma busca de anúncio e
testemunho de uma nova possibilidade de se encarar a vida e de vivê-la,
de uma crescente e envolvente dinâmica que busca fazer brilhar
na face da humanidade a escondida e opaca esperança, a utopia
que move os corações em busca de solidificar um novo
tempo, um novo céu e uma nova terra: um novo homem e uma
nova mulher!
Constituir este novo homem e esta nova mulher exigia, antes de qualquer
coisa, criar consciência de quem somos e do que nos une num
mesmo objetivo. Para isso, a comunidade cristã relembra que
todos somos filhos de um mesmo Pai, portanto, nos fazemos irmãos
e irmãs. A consciência da fraternidade universal faz
com que se crie um espaço de convivência alternativo
ao sistema romano. Um espaço de entre-ajuda comunitária,
onde cada pessoa aprende a discernir, a defrontar-se com os demais,
a confrontar-se com a Palavra de Deus e dos apóstolos, a,
enfim, retirar de dentro de si a semente da opressão e do
opressor que lá se alojou. Ajuda a buscar adentrar o caminho
de conquista da liberdade. Caminho difícil de ser trilhado,
porém fundamental em qualquer tempo e lugar.
A consciência da liberdade traz consigo a consciência
da responsabilidade universal pelo destino do criado, pois, para
quem segue o ressuscitado, ser livre é aprender a assumir
os riscos de suas escolhas, bem como as conseqüências
das mesmas, ou seja, ser livre é aprender a assumir o rumo
da vida nas próprias mãos, projetando-a para um futuro
cada dia mais aproximado com o desejo profundo que habita no coração:
um mundo melhor.
Assim, o processo da catequese ajudava a aprender a viver em contínuo
processo de transformação, de conversão. A
realizar uma mudança situacional (aprender a olhar para o
mundo e para si mesmo a partir da ótica da esperança
que rompe os limites impostos pelo desespero e pelo medo) e atitudinal
(assumindo a responsabilidade universal pelo destino do criado,
irmanando os seres humanos na fraternidade universal, somando forças
para construir a vida e fazer brilhar a luz da esperança).
Será que estamos criando essa consciência em nossos
catequizandos? Estamos ajudando a que assumam a suas vidas, de maneira
livre e consciente (e portanto não a partir do discurso do
medo e da imposição), de forma a perceberem a possibilidade
de uma ação comum, como grande família dos
filhos e filhas de Deus, capaz de gerar um novo tempo, um novo céu
e uma nova terra? Talvez, antes de tudo, tenhamos que despertar
dentro de nós esta percepção e essa experiência.
Aproveitemos deste tema para realizarmos um encontro entre todos
(as) as catequistas de nossa Paróquia, Comunidade, de forma
a nos entre-ajudarmos a buscar alcançar a arte de sermos
livres e responsáveis pela missão que assumimos realizar.
Até o próximo mês! |
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