5. CRIANDO VIDA NOVA, FAZENDO BRILHAR A ESPERANÇA!
   
 

Caros catequistas, estamos juntos uma vez mais, viajando pelas trilhas da história, de forma a sondarmos os sinais da presença de Deus, acompanhando seu povo que busca ser sinal do Reino.
Vimos que a catequese foi iniciada na vida da Comunidade Cristã nascente sob o signo do processo. Uma busca de ajudar cada pessoa, que queria conhecer na intimidade o projeto de vida assumido pelos seguidores(as) de Jesus, a realizar uma mudança atitudinal e situacional. Tarefa que exigia tempo e paciência e que, ao mesmo tempo, não contava com nenhum manual de receitas, mas apenas com a alegre disposição de acompanhar o caminho de quem se dispunha a caminhar.
Esta era a grande descoberta desses primeiros seguidores(as) de Jesus: acompanhar os passos dos novos integrantes do grupo até que os mesmos pudessem caminhar com os próprios pés, fazendo parte integral da vida de alguma comunidade. Assumiam a função de serem “pedagogos da vida”, demonstrando, através de suas atitudes, nascidas do encontro com o ressuscitado, que é possível reascender a esperança no coração machucado pelas ciladas da vida e do Império Romano.
Eis aqui um detalhe importante de ser lembrado: os primeiros cristãos vivem nos limites impostos pelo Império. Sofrem as conseqüências de um modelo de dominação. Convivem com a escravidão que degenera, machuca e diminui o ritmo alegre e pulsante da vida, pois faz cair no desespero, no sem-sentido, na acomodação; afinal, a única saída que parece existir é buscar ajustar-se ao sistema em que se vive, de forma a acolher as migalhas que caem das mesas dos livres...
Os limites geográficos da dominação romana tornar-se-ão os limites de uma busca de anúncio e testemunho de uma nova possibilidade de se encarar a vida e de vivê-la, de uma crescente e envolvente dinâmica que busca fazer brilhar na face da humanidade a escondida e opaca esperança, a utopia que move os corações em busca de solidificar um novo tempo, um novo céu e uma nova terra: um novo homem e uma nova mulher!
Constituir este novo homem e esta nova mulher exigia, antes de qualquer coisa, criar consciência de quem somos e do que nos une num mesmo objetivo. Para isso, a comunidade cristã relembra que todos somos filhos de um mesmo Pai, portanto, nos fazemos irmãos e irmãs. A consciência da fraternidade universal faz com que se crie um espaço de convivência alternativo ao sistema romano. Um espaço de entre-ajuda comunitária, onde cada pessoa aprende a discernir, a defrontar-se com os demais, a confrontar-se com a Palavra de Deus e dos apóstolos, a, enfim, retirar de dentro de si a semente da opressão e do opressor que lá se alojou. Ajuda a buscar adentrar o caminho de conquista da liberdade. Caminho difícil de ser trilhado, porém fundamental em qualquer tempo e lugar.
A consciência da liberdade traz consigo a consciência da responsabilidade universal pelo destino do criado, pois, para quem segue o ressuscitado, ser livre é aprender a assumir os riscos de suas escolhas, bem como as conseqüências das mesmas, ou seja, ser livre é aprender a assumir o rumo da vida nas próprias mãos, projetando-a para um futuro cada dia mais aproximado com o desejo profundo que habita no coração: um mundo melhor.
Assim, o processo da catequese ajudava a aprender a viver em contínuo processo de transformação, de conversão. A realizar uma mudança situacional (aprender a olhar para o mundo e para si mesmo a partir da ótica da esperança que rompe os limites impostos pelo desespero e pelo medo) e atitudinal (assumindo a responsabilidade universal pelo destino do criado, irmanando os seres humanos na fraternidade universal, somando forças para construir a vida e fazer brilhar a luz da esperança).
Será que estamos criando essa consciência em nossos catequizandos? Estamos ajudando a que assumam a suas vidas, de maneira livre e consciente (e portanto não a partir do discurso do medo e da imposição), de forma a perceberem a possibilidade de uma ação comum, como grande família dos filhos e filhas de Deus, capaz de gerar um novo tempo, um novo céu e uma nova terra? Talvez, antes de tudo, tenhamos que despertar dentro de nós esta percepção e essa experiência. Aproveitemos deste tema para realizarmos um encontro entre todos (as) as catequistas de nossa Paróquia, Comunidade, de forma a nos entre-ajudarmos a buscar alcançar a arte de sermos livres e responsáveis pela missão que assumimos realizar.
Até o próximo mês!

 
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