12. CAMINHANDO NA TRILHA DA ESPERANÇA,
CARREGANDO A BANDEIRA DA PAZ!

Caros companheiros(as) de caminhada, um novo ano se inicia e uma vez mais nos encontramos através das linhas que nos são propiciadas através deste jornal. É com grande satisfação que volto a me corresponder com tantos(as) que fazem ecoar a Palavra de Deus pelos recantos deste nosso país.
Como primeira conversa deste ano gostaria de somar forças com todos os que nesta edição estão recordando a temática da Campanha da Fraternidade: a Paz. Tema de importância fundamental nestes tempos em que vemos eclodir tantos sinais de violência, demarcados pelo ditame da intolerância, das injustiças e da exclusão de tantos seres humanos.
Não podemos, em nossa missão de catequistas, ficarmos indiferentes a essa situação e ao apelo que brota da experiência daqueles(as) que vieram antes de nós e se encontraram com o Deus da Paz.
Antes de tudo, quero recordar que a palavra Shalom (Paz) transmite a todos os homens e mulheres a mensagem de que viver a paz não é se ausentar dos conflitos, afinal, como humanos, somos limitados e precisamos aprender a conviver com as diferenças, o que nem sempre é fácil. Contudo, a arte está em superar as situações de conflito no amor. Para que isso seja possível precisamos uma grande dose de gratuidade, de, no mais profundo de nós mesmos(as), conseguir aprender a difícil lição de fazer as coisas sem esperar nada em troca, sem olhar a quem, reconstruindo relações baseadas na solidariedade.
Vivemos num mundo que nos exige entrar na dinâmica da compra e venda. Se não estamos em nenhum destes lados da roda que faz mover o mundo capitalista, passamos a ser descartáveis, não sendo importantes. Passamos, com naturalidade, a enxergar tudo a partir desta vertente interpretativa, ou seja, estamos em paz quando conseguimos comprar e vender, nem que para isso se tenha de destruir o outro(a), destituindo-a de seu lugar de direito, relegando-o(a) ao submundo do esquecimento e dos “sem-valor” de mercado. Passamos a medir a importância das pessoas em nossas vidas pelo que elas podem nos retribuir em termos de privilégios, lucratividade... Prestemos atenção: muitas vezes isto passa a ser tão normal que nem sequer percebemos...
O shalom bíblico nos ensina a medir nossa justiça não pela balança da capacidade, mas da necessidade. Preocupar-se com a necessidade dos outros(as) é construir espaços de paz. E isto tem muito a nos ensinar hoje: se cada um de nós aprendesse a viver do que realmente é necessário, todos teriam condições de viver com dignidade, reconstruindo relações simétricas. Pensando bem, não é muito pouco o que realmente necessitamos para viver? Às vezes é difícil entender porque precisamos acumular tanto para dizer que temos um “vida boa”...
Que em nosso serviço a comunidade, que não está baseado no comprar ou vender, mas na gratuidade que nasce da consciência da importância de suprir as necessidades de nossas comunidades de fé, possa ajudar as pessoas a entender e experienciar esta verdade: precisamos voltar a recuperar as condições dignas de vida para todos os seres humanos! Isso somente será possível quando nos convencermos a não acumular, mas a partilhar!
Procure, nos primeiros encontros de catequese deste ano, trabalhar esta temática com os catequizandos(as). Existe material já elaborado para este fim pela própria campanha. Porém, não fique preso(a) somente a este material já elaborado. A partir do conhecimento mais amplo do que se pretende a partir da proposição do tema, inventem, busquem caminhos, descubram as reais necessidades da região onde vocês estão trabalhando e, juntamente com os catequizandos,busquem alguma resposta possível de, aos poucos, ir sendo construída. Tenha certeza de que isto calará profundamente na consciência das pessoas que nos acompanham e assim, estaremos ajudando a construir sinais do Reino.
Ah... Não posso esquecer: busquem uma forma, juntamente com os catequizandos, de visualizar algum sinal que chame a atenção da sociedade sobre a questão da urgente necessidade de se construir relações de paz. Pode ser uma caminhada pela paz; uma exposição nos bares, lojas ou qualquer espaço do bairro, de trabalhos realizados pelos catequizandos sobre este tema; entrega de panfletos nas casas, qualquer gesto. Isso somente poderá colaborar para chamar todos a refletirem sobre o tema.
Bom trabalho a todos(as)! Que 2005 seja mais um tempo propício para crescermos e aprofundarmos nossa missão, colocando nossos pés nas trilhas da esperança, carregando a bandeira da paz!

 
© - 2006 - Salvatorianos - Todos os direitos reservados