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Caros
companheiros(as) de caminhada, um novo ano se inicia e uma vez mais
nos encontramos através das linhas que nos são propiciadas
através deste jornal. É com grande satisfação
que volto a me corresponder com tantos(as) que fazem ecoar a Palavra
de Deus pelos recantos deste nosso país.
Como primeira conversa deste ano gostaria de somar forças
com todos os que nesta edição estão recordando
a temática da Campanha da Fraternidade: a Paz. Tema de importância
fundamental nestes tempos em que vemos eclodir tantos sinais de
violência, demarcados pelo ditame da intolerância, das
injustiças e da exclusão de tantos seres humanos.
Não podemos, em nossa missão de catequistas, ficarmos
indiferentes a essa situação e ao apelo que brota
da experiência daqueles(as) que vieram antes de nós
e se encontraram com o Deus da Paz.
Antes de tudo, quero recordar que a palavra Shalom (Paz) transmite
a todos os homens e mulheres a mensagem de que viver a paz não
é se ausentar dos conflitos, afinal, como humanos, somos
limitados e precisamos aprender a conviver com as diferenças,
o que nem sempre é fácil. Contudo, a arte está
em superar as situações de conflito no amor. Para
que isso seja possível precisamos uma grande dose de gratuidade,
de, no mais profundo de nós mesmos(as), conseguir aprender
a difícil lição de fazer as coisas sem esperar
nada em troca, sem olhar a quem, reconstruindo relações
baseadas na solidariedade.
Vivemos num mundo que nos exige entrar na dinâmica da compra
e venda. Se não estamos em nenhum destes lados da roda que
faz mover o mundo capitalista, passamos a ser descartáveis,
não sendo importantes. Passamos, com naturalidade, a enxergar
tudo a partir desta vertente interpretativa, ou seja, estamos em
paz quando conseguimos comprar e vender, nem que para isso se tenha
de destruir o outro(a), destituindo-a de seu lugar de direito, relegando-o(a)
ao submundo do esquecimento e dos “sem-valor” de mercado.
Passamos a medir a importância das pessoas em nossas vidas
pelo que elas podem nos retribuir em termos de privilégios,
lucratividade... Prestemos atenção: muitas vezes isto
passa a ser tão normal que nem sequer percebemos...
O shalom bíblico nos ensina a medir nossa justiça
não pela balança da capacidade, mas da necessidade.
Preocupar-se com a necessidade dos outros(as) é construir
espaços de paz. E isto tem muito a nos ensinar hoje: se cada
um de nós aprendesse a viver do que realmente é necessário,
todos teriam condições de viver com dignidade, reconstruindo
relações simétricas. Pensando bem, não
é muito pouco o que realmente necessitamos para viver? Às
vezes é difícil entender porque precisamos acumular
tanto para dizer que temos um “vida boa”...
Que em nosso serviço a comunidade, que não está
baseado no comprar ou vender, mas na gratuidade que nasce da consciência
da importância de suprir as necessidades de nossas comunidades
de fé, possa ajudar as pessoas a entender e experienciar
esta verdade: precisamos voltar a recuperar as condições
dignas de vida para todos os seres humanos! Isso somente será
possível quando nos convencermos a não acumular, mas
a partilhar!
Procure, nos primeiros encontros de catequese deste ano, trabalhar
esta temática com os catequizandos(as). Existe material já
elaborado para este fim pela própria campanha. Porém,
não fique preso(a) somente a este material já elaborado.
A partir do conhecimento mais amplo do que se pretende a partir
da proposição do tema, inventem, busquem caminhos,
descubram as reais necessidades da região onde vocês
estão trabalhando e, juntamente com os catequizandos,busquem
alguma resposta possível de, aos poucos, ir sendo construída.
Tenha certeza de que isto calará profundamente na consciência
das pessoas que nos acompanham e assim, estaremos ajudando a construir
sinais do Reino.
Ah... Não posso esquecer: busquem uma forma, juntamente com
os catequizandos, de visualizar algum sinal que chame a atenção
da sociedade sobre a questão da urgente necessidade de se
construir relações de paz. Pode ser uma caminhada
pela paz; uma exposição nos bares, lojas ou qualquer
espaço do bairro, de trabalhos realizados pelos catequizandos
sobre este tema; entrega de panfletos nas casas, qualquer gesto.
Isso somente poderá colaborar para chamar todos a refletirem
sobre o tema.
Bom trabalho a todos(as)! Que 2005 seja mais um tempo propício
para crescermos e aprofundarmos nossa missão, colocando nossos
pés nas trilhas da esperança, carregando a bandeira
da paz! |
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