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Seguindo
a mesma temática do artigo anterior, no qual abordamos brevemente
sobre os Livros Históricos da Bíblia, gostaríamos
de recordar sobre uma promessa que fizemos para esta vez: “tratar
das teologias que permeiam os livros históricos, em especial
a deuteronomista.”
Para que isso seja possível, é necessário que
esclareçamos esta afirmação. Quando dizemos
“teologias”, queremos dizer das várias maneiras
de compreensão de Deus que algumas pessoas tiveram e acabaram
influenciando historicamente e transparecendo claramente em alguns
livros com um gênero literário (jeito de escrever)
próprio. A teologia deuteronomista que encontramos dentre
os livros históricos tem base em outro livro da Bíblia
que ainda não havíamos falado: o Deuteronômio.
O livro do Deuteronômio foi escrito por vários autores
e em diferentes épocas até chegar ao seu estado atual.
De início eram preceitos e princípios tribais que
foram sendo passados familiarmente através da tradição
oral nas celebrações, fazendo a memória da
libertação do Egito. Com o passar do tempo isto foi
sendo agrupado, tornado-se norma para um pequeno grupo e posteriormente
para os demais. Depois estas leis foram guardadas nos santuários
onde serviam para resolver temas práticos e jurídicos
nas reuniões. Por isso temos no Deuteronômio muitas
leis civis e religiosas que retomam o Êxodo (Dt 15,1-11 e
Ex 23,10-11=ano sabático; Dt 15,19-23 e Ex 22,28-29=primícias
e primogênitos)
O Deuteronômio é o projeto de reorganização
do povo que quer restabelecer o modelo igualitário da época
tribal. Esta “lei” procura fazer a teologia do povo
de Deus e de sua organização político-social.
O código deuteronomista (que está principalmente em
Dt 12-26) quer mostrar que esta organização vem desde
os tempos de Moisés, onde Israel apresentava-se como o povo
escolhido por que vivia um modelo alternativo, que baseava-se na
justiça, na igualdade e na solidariedade. As características
da proposta de organização igualitária vemos
em Dt 15,11: “abre a mão em favor do teu irmão
do teu humilde e do teu pobre”. O texto mostra que a fidelidade
ao Deus da vida que faz aliança, exige compromisso com aqueles
que por algum motivo estão privados de vida.
Podemos encontrar a história deuteronomista em:
Josué: significa “Deus é salvação”
(Nm 13, 16), Josué foi quem guiou os israelitas na vitória
contra os amalecitas em Rafidim (Ex 17, 8-16); acompanhou Moisés
ao monte Sinai quando este recebeu as Tábuas da Lei (Ex 24,
13). Foi designado por Moisés para conduzir o povo para a
terra de Canaã. O livro não é uma descrição
detalhada da conquista de Canaã pelas tribos israelitas,
mas o autor preocupou-se em mostrar que o verdadeiro conquistador
do país foi Javé e a geração de Josué
foi irrepreensível na observância da lei divina.
Se quisermos ver a mentalidade deuteronomista em Josué é
importante ler o Js 21, 43-45, onde na conquista se reconhece que
Deus cumpriu suas promessas e em Js 23, onde Josué na sua
despedida anima ao povo a servir a Deus e evitar parentescos com
as nações pagãs. A mensagem do Deuteronômio
aqui, insistia na absoluta santidade de Israel que não deveria
aceitar costumes de outros povos e evitar qualquer tipo de contato
com eles.
Juízes: foram líderes carismáticos suscitados
por Deus para salvar os filhos de Israel da opressão de outros
povos. Foram comandantes ocasionais que tinham poderes militares
e civis. O livro narra a façanha de doze juízes (Jz
3, 7 – 16,31), onde as tribos israelitas não possuíam
uma unidade, ainda não eram uma nação. Tinham
em comum o mesmo Deus, a mesma lei e o mesmo passado. Neste período
ocorreram muitas guerras entre os israelitas e as populações
vizinhas (cananeus e filisteus). Acontecia de nessas guerras Israel
abandonar seu verdadeiro Deus e seguir ídolos dos outros
povos. Para isso, o Deuteronômio determinava maldições
para perder o auxílio divino e a posse da terra. Somente
quando o povo se convertesse e voltasse a ser fiel a Deus, Deus
enviaria salvadores que derrotariam os seus inimigos. Este esquema
“pecado-castigo-conversão-salvação”
é próprio da teologia deuteronomista e seve para ilustrar
toda a história de Israel.
1 e 2 Samuel: O conteúdo dos dois livros pode ser dividido
em três partes, tendo como base as pessoas que sucessivamente
governaram Israel: o profeta Samuel, e os reis Saul e Davi.
Falam dos últimos anos da época dos juízes
(1Sm 1–7), das origens da monarquia com Saul (1Sm 8-15), a
escolha de Davi para o trono (1Sm 16- 2Sm 7) e da história
da sucessão de Davi (2Sm 9-20). Podemos notar a influência
deuteronomista em 1Sm 12,6-16, onde a garantia do êxito estará
na obediência a Deus e na observância de seus mandamentos.
1 e 2 Reis: começam com a história de Salomão
(1Rs 3,11). Com a divisão de seu reino após a sua
morte (2Rs 12) em Israel e Judá. Se deseja-se, porém,
conhecer a mentalidade deuteronomista, convém ler com atenção
a oração que o rei pronuncia por motivo da dedicação
do templo (1Rs 8,33-40). Nesta mesma linha vemos o tema da conversão
(1Rs 8, 22-53) e a claríssima referência ao exílio
(1Rs 8, 46-51). As conseqüências do não-cumprimento
da lei são expostas em 1Rs 11, 10: “e que lhe havia
proibido expressamente que seguisse outros deuses, mas ele não
obedeceu ao que Javé lhe ordenara”.
Ficamos aqui com uma pequena dica para quem gosta de história,
principalmente a história do povo de Deus. E queremos dar
um pequeno aviso para quem gosta de Salmos, pois este será
o tema do nosso próximo encontro, para continuarmos a caminhada
pelo Antigo Testamento e compreender melhor o povo de onde saiu
o Cristo Salvador. Até mais amigos! |
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