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O
período chamado de Pós-Exílio marca o fim do
cativeiro do povo de Israel na Babilônia. Foram vários
anos de dominação estrangeira do império babilônico
sobre o povo judeu, que levou parte da população para
servir o império. Esse exílio foi encerrado com o
decreto de Ciro, imperador da Pérsia, que tornara-se a nova
potência imperialista da região. O período de
domínio do império Persa foi de 538 a 445 aC. Como
a Pérsia tornou-se o maior império do oriente, dividiu
seu território em províncias, e Judá passa
a fazer parte de uma dessas províncias.
O povo de Judá era obrigado a aceitar um rei estrangeiro,
com isso Judá não decidia mais seu destino, nem via
possibilidades de uma independência política num futuro
próximo. Mas mesmo com essa restrição, o império
destacou-se pelos seus projetos de reconstrução da
Judéia, principalmente em relação ao templo
de Jerusalém. Estes sem dúvida, reacenderam a alegria
e as esperanças nos exilados de recomeçar a vida na
sua própria terra.
A reconstrução das cidades da Judéia e do templo
foi lenta e difícil, à custa de muitos sacrifícios.
Porque detrás dos projetos da reconstrução
e da liberdade religiosa do império, escondiam-se os projetos
políticos e econômicos, que incluía a expansão
até o Egito. Economicamente, tinham em vista a ampliação
da dominação econômica com a cobrança
de pesados tributos. Para isso, ela precisava conquistar a simpatia
do povo de Judá, tomar conhecimento da sua realidade e tê-los
como aliados. Por volta do ano 520 aC, a Pérsia incentiva
a reconstrução do templo sob o comando de Zorobabel,
descendente do rei, e de Josué, que contam com o apoio dos
profetas Ageu e Zacarias (Ne 12,1; Ag 1,2-4; 2,23; Zc 4,9). Alguns
anos mais tarde, por volta de 450-400 aC, o templo atinge seu pleno
funcionamento, provavelmente no tempo de Neemias e Esdras.
Neemias é um judeu bem-sucedido na corte da Pérsia,
ele é enviado pelos persas com o seguinte projeto: reconstruir
os muros da cidade de Jerusalém e organizar a economia de
Judá. O seu projeto também atinge a comunidade organizada
ao redor do templo. Portanto, Neemias procura resgatar a identidade
do povo judeu, eliminando os estrangeiros, especialmente as mulheres
(Ne 12,23-37); garante a entrega dos tributos para o sustento dos
sacerdotes e levitas (Ne 13,10-14); e institui a observância
do sábado (Ne 13,15-22). Mais, tarde os persas enviam Esdras:
sacerdote-escriba e doutor da Lei (Esd 7,11.12.21). Ele é
enviado para verificar o cumprimento da Lei em Judá e Jerusalém.
Neste período, o código de pureza e o de santidade
são retomados (Lv 11-26). Esses dois profetas são
de suma importância para o povo de Israel.
Portanto, desde o período do exílio, Israel sem culto,
sem monarquia e fora de sua terra, tenta a todo custo salvaguardar
sua identidade por meio de algumas práticas como a circuncisão,
o sábado e a observância da lei de Moisés. Neemias
e Esdras serão os grandes defensores da Lei. A Torá
(lei) pouco a pouco, foi tornando-se o centro do judaísmo.
Dario I, rei da Pérsia, em 518 aC, ordenou ao governador
do Egito que constituísse uma comissão para recolher
as leis egípcias, afim de que elas servissem de orientação
interna da satrapia (província). Isso teria também
servido de incentivo aos exilados para recolher seus escritos sagrados
a fim de servir de base para sua organização e definir
sua identidade cultural e religiosa. Foi nesse período que
a Bíblia se formou como livro. Israel conseguiu recolher
e salvar o que havia de mais sagrado, e consolidar assim as bases
para um judaísmo que pode manter-se firme diante das ameaças
do helenismo. O período persa foi muito rico em produções
literárias. Nele nasceram os livros de: Ageu, Zacarias, terceiro
Isaias (56-66), Joel, Levítico (1-7;11-16) e diversos salmos.
Como já falamos, os profetas Neemias e Esdras foram importantíssimos
para a renascença da comunidade de Israel. Neemias levou
adiante o projeto da reconstrução dos muros da cidade
de Jerusalém (Ne 2,11-3,38) e da comunidade judaica. Demonstrou-se
preocupado com a situação do povo, sobretudo com os
pobres e explorados. Pediu aos exploradores que devolvessem as terras
roubadas dos pobres e perdoassem as dívidas acumuladas. Ele
percebeu que os males sociais estavam no problema da terra e da
família. Por isso, fez valer a lei do ano jubilar por meio
do perdão das dívidas para devolver a dignidade às
famílias e ao povo. Já Esdras, chegou a Judéia
por volta de 398 aC, e deu continuidade ao trabalho iniciado por
Neemias na reconstrução da comunidade judaica, que
havia perdido sua identidade.
Esdras restabeleceu-se pela observância escrita à lei
de Deus e do rei (Esd 7,26). Expulsou as mulheres estrangeiras e
seus filhos que ameaçavam essa fidelidade (Esd 10,3.11).
Portanto, os profetas do pós-exílio nos deixam claro
o projeto de uma nova sociedade, onde os poderosos se sentaram à
mesa com as pessoas pobres e oprimidas, acabando com os mecanismos
geradores de opressão (Is 65,25-66,1). |
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