11. PERÍODO PÓS-EXÍLICO
"Cícero Valdemir"

O período chamado de Pós-Exílio marca o fim do cativeiro do povo de Israel na Babilônia. Foram vários anos de dominação estrangeira do império babilônico sobre o povo judeu, que levou parte da população para servir o império. Esse exílio foi encerrado com o decreto de Ciro, imperador da Pérsia, que tornara-se a nova potência imperialista da região. O período de domínio do império Persa foi de 538 a 445 aC. Como a Pérsia tornou-se o maior império do oriente, dividiu seu território em províncias, e Judá passa a fazer parte de uma dessas províncias.
O povo de Judá era obrigado a aceitar um rei estrangeiro, com isso Judá não decidia mais seu destino, nem via possibilidades de uma independência política num futuro próximo. Mas mesmo com essa restrição, o império destacou-se pelos seus projetos de reconstrução da Judéia, principalmente em relação ao templo de Jerusalém. Estes sem dúvida, reacenderam a alegria e as esperanças nos exilados de recomeçar a vida na sua própria terra.
A reconstrução das cidades da Judéia e do templo foi lenta e difícil, à custa de muitos sacrifícios. Porque detrás dos projetos da reconstrução e da liberdade religiosa do império, escondiam-se os projetos políticos e econômicos, que incluía a expansão até o Egito. Economicamente, tinham em vista a ampliação da dominação econômica com a cobrança de pesados tributos. Para isso, ela precisava conquistar a simpatia do povo de Judá, tomar conhecimento da sua realidade e tê-los como aliados. Por volta do ano 520 aC, a Pérsia incentiva a reconstrução do templo sob o comando de Zorobabel, descendente do rei, e de Josué, que contam com o apoio dos profetas Ageu e Zacarias (Ne 12,1; Ag 1,2-4; 2,23; Zc 4,9). Alguns anos mais tarde, por volta de 450-400 aC, o templo atinge seu pleno funcionamento, provavelmente no tempo de Neemias e Esdras.
Neemias é um judeu bem-sucedido na corte da Pérsia, ele é enviado pelos persas com o seguinte projeto: reconstruir os muros da cidade de Jerusalém e organizar a economia de Judá. O seu projeto também atinge a comunidade organizada ao redor do templo. Portanto, Neemias procura resgatar a identidade do povo judeu, eliminando os estrangeiros, especialmente as mulheres (Ne 12,23-37); garante a entrega dos tributos para o sustento dos sacerdotes e levitas (Ne 13,10-14); e institui a observância do sábado (Ne 13,15-22). Mais, tarde os persas enviam Esdras: sacerdote-escriba e doutor da Lei (Esd 7,11.12.21). Ele é enviado para verificar o cumprimento da Lei em Judá e Jerusalém. Neste período, o código de pureza e o de santidade são retomados (Lv 11-26). Esses dois profetas são de suma importância para o povo de Israel.
Portanto, desde o período do exílio, Israel sem culto, sem monarquia e fora de sua terra, tenta a todo custo salvaguardar sua identidade por meio de algumas práticas como a circuncisão, o sábado e a observância da lei de Moisés. Neemias e Esdras serão os grandes defensores da Lei. A Torá (lei) pouco a pouco, foi tornando-se o centro do judaísmo.
Dario I, rei da Pérsia, em 518 aC, ordenou ao governador do Egito que constituísse uma comissão para recolher as leis egípcias, afim de que elas servissem de orientação interna da satrapia (província). Isso teria também servido de incentivo aos exilados para recolher seus escritos sagrados a fim de servir de base para sua organização e definir sua identidade cultural e religiosa. Foi nesse período que a Bíblia se formou como livro. Israel conseguiu recolher e salvar o que havia de mais sagrado, e consolidar assim as bases para um judaísmo que pode manter-se firme diante das ameaças do helenismo. O período persa foi muito rico em produções literárias. Nele nasceram os livros de: Ageu, Zacarias, terceiro Isaias (56-66), Joel, Levítico (1-7;11-16) e diversos salmos.
Como já falamos, os profetas Neemias e Esdras foram importantíssimos para a renascença da comunidade de Israel. Neemias levou adiante o projeto da reconstrução dos muros da cidade de Jerusalém (Ne 2,11-3,38) e da comunidade judaica. Demonstrou-se preocupado com a situação do povo, sobretudo com os pobres e explorados. Pediu aos exploradores que devolvessem as terras roubadas dos pobres e perdoassem as dívidas acumuladas. Ele percebeu que os males sociais estavam no problema da terra e da família. Por isso, fez valer a lei do ano jubilar por meio do perdão das dívidas para devolver a dignidade às famílias e ao povo. Já Esdras, chegou a Judéia por volta de 398 aC, e deu continuidade ao trabalho iniciado por Neemias na reconstrução da comunidade judaica, que havia perdido sua identidade.
Esdras restabeleceu-se pela observância escrita à lei de Deus e do rei (Esd 7,26). Expulsou as mulheres estrangeiras e seus filhos que ameaçavam essa fidelidade (Esd 10,3.11). Portanto, os profetas do pós-exílio nos deixam claro o projeto de uma nova sociedade, onde os poderosos se sentaram à mesa com as pessoas pobres e oprimidas, acabando com os mecanismos geradores de opressão (Is 65,25-66,1).

 
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