19. PAULO: APÓSTOLOS DOS GENTIOS

Paulo (em hebraico Shaul, em latim Paulus) nasce em Tarso, na Turquia atual, de uma família profundamente mergulhada no judaísmo. Embora contemporâneo de Jesus, com toda a certeza não O conheceu pessoalmente. Discípulo de Gamaliel (um grande rabino do seu tempo), Paulo aprendeu na escola o hebraico, a língua da Bíblia; e em casa o aramaico, a língua falada por Jesus; também conhecia muito bem o grego, a língua oficial do império romano, em que escreveu as suas cartas. Depois da conversão em Damasco (At 9), Paulo dedicou-se totalmente à difusão do cristianismo, até chegar a Roma, onde, com Pedro, morreu mártir durante a perseguição de Nero (64/67 d.C.).
Há ainda muitas coisas que aproximam o cristianismo do nosso tempo da vida das comunidades cristãs fundadas por Paulo. Antes de mais, a realidade comum das grandes cidades em que vivemos atualmente e as grandes cidades do império romano evangelizadas por Paulo (Corinto, Atenas, Tessalônica, Éfeso e Roma). Não é verdade que o cristianismo não possa radicar-se nas grandes cidades. De fato, estas não são apenas anonimato, corrupção, droga, máfia e delinquência, mas, como no tempo de Paulo, “nesta cidade há um povo numeroso que Me [a Deus] pertence”, (At 18,10). Da mesma maneira que foi possível a primeira evangelização realizada por Paulo, assim também é possível uma segunda evangelização própria do nosso tempo.
Em segundo lugar, Paulo dá-nos a chave para resolvermos os problemas dos homens de todos os tempos, problemas que ele enfrenta à luz do mistério de Deus, que ama e salva a humanidade. À luz deste mistério, para Paulo não há diferença que possa discriminar o homem e a mulher, o escravo e a pessoa livre, o sábio e o inculto. Trabalhou por dentro a cultura greco-romana, conduzindo-a a um feliz e conseguido encontro com os valores do Evangelho. Falou do matrimônio vivido ‘no Senhor’; da vida de família e dos compromissos sociais a viver com honestidade e lealdade. Falou da Igreja como esposa de Cristo. Apresentou o povo judeu como a raiz da comunidade cristã.
As suas palavras mais duras são para aqueles que escolhem ‘viver segundo a carne’, isto é, para todos os que permanecem indiferentes à pessoa e ao Evangelho de Jesus.
Esforçou-se por conduzir os homens ‘a viver segundo o Espírito’, isto é, a viver na dimensão da salvação e da fé em que a Páscoa de Jesus colocou o homem para sempre.
As cartas de Paulo fazem parte dos escritos do Novo Testamento. Trata-se de 13 escritos ocasionais, de amplitude e conteúdos diversos, redigidos ao sabor de necessidades particulares e para desenvolver a catequese sobre o cristianismo à luz das palavras e da vida de Jesus.
Escritas entre os anos 51 e 71 d.C., as cartas de Paulo são dos textos mais antigos do cristianismo; sete delas foram escritas pessoalmente por ele, as outras podem atribuir-se a discípulos seus. Estas cartas dividem-se em três grupos: as grandes cartas de Paulo: 1-2 Tessalonicenses, 1-2 Coríntios; Romanos; Gálatas; as cartas da prisão (escritas durante a permanência de Paulo na prisão): Filipenses; Filémon; Colossenses; Efésios; e as cartas pastorais (assim chamadas porque se referem ao estabelecimento e ao governo pastoral das comunidades cristãs): 1-2 Timóteo; Tito.
Na segunda leitura de todos os domingos, tirada quase sempre de uma destas cartas, ouvimos ainda o eco da sua vida, das suas dificuldades e da catequese eficaz do apóstolo Paulo.

Fonte: Guia Para Ler a Bíblia, Primo Gironi, Paulus, SP, pg. 213-214.

 
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