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Como
ressaltado no encontro anterior, temos três períodos
que marcaram a atuação profética no meio do
povo: Pré-Exílio, Exílio, e Pós, Exílio.
Veremos neste encontro o período pré-exílio,
onde o povo está vivendo num sistema de tribos (coloca-se
tudo em comum para a sobrevivência do povo) até o início
da monarquia (reis). É um período aproximadamente
de 100 anos aC.
Alguns profetas dão ênfase à questão
da terra, que é o local de subsistência, de trabalho
e um importante elemento gerador de vida. A terra tinha uma função
identificatória em relação ao povo da época.
Por ela passava a garantia de futuro, pois toda família estabelecida
numa casa e com terra para plantar e colher, era capaz de gerar
e de criar os filhos sem dificuldades, caso contrário o futuro
ficaria comprometido. E outros em relação ao culto
prestado a divindades que são falsas, fazendo com que o povo
sofra cada vez mais.
O movimento profético brota da experiência de Deus
feita pelo profeta e das dificuldades vividas no meio do povo. Eles
que vão denunciar a corrupção e anunciar um
Deus que se faz presente no meio do povo. Um Deus que “desce”
e caminha com eles; um Deus que não fica preso no templo,
mas sim é vivenciado na comunidade, pois é nela que
existe a vida no que diz respeito à integração
harmoniosa dos vários elementos que ali residem.
Passando pelo período da monarquia de Saul e Davi, vemos
que estes enfrentaram vários momentos de rebeldia surgido
no meio das tribos (2 Sm 15,7-12), como formas de resistência
às exigências do império que foi construído,
e que para sustentar era necessário impôr tributos
às tribos de Israel. Com essa organização,
Davi levou a arca da aliança para a sua capital e organizou
uma grande festa para o translado (2 Sm 6). Elemento imprescindível
para que Davi justificasse a sua dominação em relação
ao povo, pois ao apoderar-se da arca, apoderou-se da Palavra de
Deus, que passa a legitimá-lo.
Com a morte de Davi, Salomão assume o poder reinando num
período de 50 anos (975-935aC) e introduz tributos e trabalhos
forçados para construir um templo mais suntuoso para Javé
- este que continuava a ficar “preso” dentro do templo.
Salomão aparelha seu exército, estrutura frotas, melhora
as defesas de Jerusalém e constrói grandes e luxuosos
palácios para suas esposas, frutos dos altos tributos recolhidos
do povo. Após o reinado de Salomão o reino é
dividido em duas partes: o Reino do Norte e o Reino do Sul, este
quem assume depois de sua morte é Jeroboão, que faz
da cidade de Siquém sua Capital (1 Rs 12,25.25) estabelecendo
em Betel (onde Javé aparece a Jacó (Gn28,10-27) e
Dã (onde a tribo estabelecera seu centro religioso (Jz 18,28-31)
os lugares de culto).
Israel enfrentou um período difícil em sua história,
que foi de 887 até 875 aC, em que os reis queriam separar,
por razões de estado, o povo de sua fidelidade exclusiva
a Javé. Aqui é que surgem os primeiros profetas, ELIAS
e ELIZEU, para fazer frente a situação de crise.
Neste período o rei era Anri, que para se fortalecer estabelece
aliança com as cidades comerciais mais ricas; e para firmar
a sua fortaleza, casou seu filho Acab com Jezabel, princesa de Sidônia.
Esta trouxe consigo os sacerdotes de Baal e aqui começaram
a aparecer os principais problemas, pois Javé não
podia conviver pacificamente com Baal, pois era um Deus que não
tolerava que seu povo tivesse outros deuses. Javé então
se torna o Deus das tribos enquanto Baal ficou sendo o Deus da Samaria.
os profetas
Com este pequeno contexto histórico veremos agora um pequeno
relato de alguns profetas que mais se destacaram neste período
de dominação e qual era seu objetivo:
ELIAS: Enquanto o rei Acab preocupava-se coma vida de seus cavalos
e burros (1 Rs 18,5) e estava cultuando o Deus Baal, Elias preocupava-se
com a vida daqueles que simbolizavam os desprotegidos da sociedade
e por sua vez cultuava o Deus Javé. Lemos em 1 Rs 18,22 que
Baal possui uma multidão de fiéis e Javé possui
apenas um adorador e que há o momento certo de invocá-lo,
e não aleatoriamente como fizeram com Baal em relação
às ofertas de sacrificio. Para Javé, o importante
não é o número de adoradores, mas sim a maneira
e o momento (a conscientização de cada pessoa) de
reconhecer no povo a sua proposta de vida.
AMÓS: profetiza no reinado de Jeroboão (786-746 aC),
época em que o luxo insulta a miséria do povo oprimido
e onde há ausência de uma religião verdadeira.
Então Amós condena a corrupção da cidade
e as injustiças sociais (Am 5, 21-26). Tudo isso se dá
devido a Amós ser um trabalhador do campo, é a partir
de realidade do povo que está no campo e sofre com as tramas
da cidade. O trabalho no campo era o meio onde o homem tirava o
seu sustento. E tirar a terra da mão desse trabalhador, era
como se tirasse a própria vida. A cidade é apresentada
como o centro de opressão do trabalhador (23, 1-3.6-8). Aqui
Amós denuncia a destruição promovida pelo estado.
OSÉIAS: Contemporâneo de Amós, exerce sua atividade
profética ainda no reinado de Jeroboão II em todo
Israel. Sua mensagem tem como objetivo demonstrar o amor de Deus
para com o seu povo, que foram levados a desprezá-lo pelos
sacerdotes que eram ignorantes e cobiçosos, levando o povo
à ruína.
Como Amós, Oséias condena as injustiças sociais
e todas as formas de violência. Almeja uma grande união
de todo o povo com o intuito de reatar sua fidelidade ao Deus Iahwe.
As atividades de Oséias se deu em um tempo de carência
e de lutas pelo poder, em que a terra era apenas uma questão
tributária para manter toda a estrutura do estado que lançava
mão dos elementos religiosos a fim de legitimar as formas
de exploração, com nas festas da colheita (Os 9,1
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