9. O PRÉ-EXÍLIO - BERÇO DO PROFETISMO
"Augusto Matos"

Como ressaltado no encontro anterior, temos três períodos que marcaram a atuação profética no meio do povo: Pré-Exílio, Exílio, e Pós, Exílio. Veremos neste encontro o período pré-exílio, onde o povo está vivendo num sistema de tribos (coloca-se tudo em comum para a sobrevivência do povo) até o início da monarquia (reis). É um período aproximadamente de 100 anos aC.
Alguns profetas dão ênfase à questão da terra, que é o local de subsistência, de trabalho e um importante elemento gerador de vida. A terra tinha uma função identificatória em relação ao povo da época. Por ela passava a garantia de futuro, pois toda família estabelecida numa casa e com terra para plantar e colher, era capaz de gerar e de criar os filhos sem dificuldades, caso contrário o futuro ficaria comprometido. E outros em relação ao culto prestado a divindades que são falsas, fazendo com que o povo sofra cada vez mais.
O movimento profético brota da experiência de Deus feita pelo profeta e das dificuldades vividas no meio do povo. Eles que vão denunciar a corrupção e anunciar um Deus que se faz presente no meio do povo. Um Deus que “desce” e caminha com eles; um Deus que não fica preso no templo, mas sim é vivenciado na comunidade, pois é nela que existe a vida no que diz respeito à integração harmoniosa dos vários elementos que ali residem.
Passando pelo período da monarquia de Saul e Davi, vemos que estes enfrentaram vários momentos de rebeldia surgido no meio das tribos (2 Sm 15,7-12), como formas de resistência às exigências do império que foi construído, e que para sustentar era necessário impôr tributos às tribos de Israel. Com essa organização, Davi levou a arca da aliança para a sua capital e organizou uma grande festa para o translado (2 Sm 6). Elemento imprescindível para que Davi justificasse a sua dominação em relação ao povo, pois ao apoderar-se da arca, apoderou-se da Palavra de Deus, que passa a legitimá-lo.
Com a morte de Davi, Salomão assume o poder reinando num período de 50 anos (975-935aC) e introduz tributos e trabalhos forçados para construir um templo mais suntuoso para Javé - este que continuava a ficar “preso” dentro do templo. Salomão aparelha seu exército, estrutura frotas, melhora as defesas de Jerusalém e constrói grandes e luxuosos palácios para suas esposas, frutos dos altos tributos recolhidos do povo. Após o reinado de Salomão o reino é dividido em duas partes: o Reino do Norte e o Reino do Sul, este quem assume depois de sua morte é Jeroboão, que faz da cidade de Siquém sua Capital (1 Rs 12,25.25) estabelecendo em Betel (onde Javé aparece a Jacó (Gn28,10-27) e Dã (onde a tribo estabelecera seu centro religioso (Jz 18,28-31) os lugares de culto).
Israel enfrentou um período difícil em sua história, que foi de 887 até 875 aC, em que os reis queriam separar, por razões de estado, o povo de sua fidelidade exclusiva a Javé. Aqui é que surgem os primeiros profetas, ELIAS e ELIZEU, para fazer frente a situação de crise.
Neste período o rei era Anri, que para se fortalecer estabelece aliança com as cidades comerciais mais ricas; e para firmar a sua fortaleza, casou seu filho Acab com Jezabel, princesa de Sidônia. Esta trouxe consigo os sacerdotes de Baal e aqui começaram a aparecer os principais problemas, pois Javé não podia conviver pacificamente com Baal, pois era um Deus que não tolerava que seu povo tivesse outros deuses. Javé então se torna o Deus das tribos enquanto Baal ficou sendo o Deus da Samaria.
os profetas
Com este pequeno contexto histórico veremos agora um pequeno relato de alguns profetas que mais se destacaram neste período de dominação e qual era seu objetivo:
ELIAS: Enquanto o rei Acab preocupava-se coma vida de seus cavalos e burros (1 Rs 18,5) e estava cultuando o Deus Baal, Elias preocupava-se com a vida daqueles que simbolizavam os desprotegidos da sociedade e por sua vez cultuava o Deus Javé. Lemos em 1 Rs 18,22 que Baal possui uma multidão de fiéis e Javé possui apenas um adorador e que há o momento certo de invocá-lo, e não aleatoriamente como fizeram com Baal em relação às ofertas de sacrificio. Para Javé, o importante não é o número de adoradores, mas sim a maneira e o momento (a conscientização de cada pessoa) de reconhecer no povo a sua proposta de vida.
AMÓS: profetiza no reinado de Jeroboão (786-746 aC), época em que o luxo insulta a miséria do povo oprimido e onde há ausência de uma religião verdadeira. Então Amós condena a corrupção da cidade e as injustiças sociais (Am 5, 21-26). Tudo isso se dá devido a Amós ser um trabalhador do campo, é a partir de realidade do povo que está no campo e sofre com as tramas da cidade. O trabalho no campo era o meio onde o homem tirava o seu sustento. E tirar a terra da mão desse trabalhador, era como se tirasse a própria vida. A cidade é apresentada como o centro de opressão do trabalhador (23, 1-3.6-8). Aqui Amós denuncia a destruição promovida pelo estado.
OSÉIAS: Contemporâneo de Amós, exerce sua atividade profética ainda no reinado de Jeroboão II em todo Israel. Sua mensagem tem como objetivo demonstrar o amor de Deus para com o seu povo, que foram levados a desprezá-lo pelos sacerdotes que eram ignorantes e cobiçosos, levando o povo à ruína.
Como Amós, Oséias condena as injustiças sociais e todas as formas de violência. Almeja uma grande união de todo o povo com o intuito de reatar sua fidelidade ao Deus Iahwe. As atividades de Oséias se deu em um tempo de carência e de lutas pelo poder, em que a terra era apenas uma questão tributária para manter toda a estrutura do estado que lançava mão dos elementos religiosos a fim de legitimar as formas de exploração, com nas festas da colheita (Os 9,1

 
© - 2006 - Salvatorianos - Todos os direitos reservados