13. JESUS: OQUE HÁ DE NOVO NO MESTRE?
"Wilson Horvat"

Jesus era de origem oriental. Para os orientais o nome não é apenas a forma de chamar a pessoa, porém revela também o mais profundo de seu ser, de sua missão e vocação. Jesus significa “ yahweh salva”. Jesus é Jesus porque através dele e nele a salvação humana torna-se possível. Jesus sendo de origem judaica, cresceu e se desenvolveu dentro de um seio familiar que prezava pelas tradições religiosas. Sua infância foi igual a de qualquer outra criança de sua época. Aos poucos Jesus vai internalizando sua missão expressando-a através de sua vida pública. O modo de proceder de Jesus tinha características que o singularizava, sua pedagogia fazia seus discípulos pensarem, tirando as conclusões de seu interior. Jesus ensinava com os acontecimentos mais do que com teorias ou dogmas apreendidos de memória. Ele utilizava-se de qualquer circunstância da vida cotidiana para revelar os mistérios do Reino. Porém o mais importante nos ensinamentos era o mestre. Onde Ele estava, ali estavam também os discípulos, o que Ele dizia era a verdade e como Ele vivia havia-se de viver. A vida era sua escola. O modelo por excelência de Jesus para mostrar o Reino era uma criança. Se não se adquirisse suas atitudes não poderia ser seu discípulo. Quem melhor podia mostrar o Reino não era um diplomado na escola Rabínica de Jerusalém, mas sim uma criança que confiava e dependia de seu pai.
O modo como Jesus se relacionava com as pessoas e a nova maneira de lidar com certos preceitos religiosos atraiu muitas pessoas da época e continua a cativar pessoas até os dias de hoje.

O Modo de proceder de Jesus

O que mais cativou as pessoas da época foi o novo jeito de proceder de Jesus frente à realidade vigente. Jesus foi sinal de contradição, chegando a posicionar-se frente às leis da época em prol do ser humano. Ele veio nos mostrar um jeito novo de viver, tendo como parâmetro a pessoa do outro. Cristo fez-se servo, o messias pobre que vem e se identifica com os últimos dos últimos. O ser de Jesus é um ser para os outros, pois se coloca a serviço do próximo para comunicar o amor de Deus. Ele utilizou-se do amor como base para a realização da sua missão. Seu amor era desprovido de quaisquer preconceitos, Ele não opunha, mas unia. Por isso no modo de proceder que Jesus veio mostrar à humanidade estava a inclusão das mulheres, das crianças e dos doentes na realidade da salvação e do Reino.
Jesus sofria com os excluídos não por carência, mas por plenitude do seu amor. Deus se coloca ao lado de todos os que sofrem porque a sua glória é a vida do pobre e do excluído. Em Jesus, Deus criador se coloca de joelhos aos pés da criatura.

Crises de Jesus

O filho de Deus por ser também humano passou por crises. A inserção no projeto de Deus perpassa por essa realidade da crise. Jesus passou por crises no seu processo de tornar-se responsável pela missão do Pai. A crise é sempre momento de crescimento e purificação, pois é nela que surgem os verdadeiros fundamentos e alicerces da vida humana. Com a crise, Jesus compreendeu a realidade e a dimensão de sua missão. Vale ressaltar que a crise não revela fraqueza de convicções, pelo contrário, podem nascer dela muitas de nossas certezas.
Cristo Salvador é tão divino quanto humano. Muitas vezes somos levados a tocar na vida de Jesus com um caráter mágico e extraordinário, supervalorizando o seu lado divino e menosprezando o seu lado humano. Esquecemos assim que a ressurreição se manifestou num crucificado, que a crise atingiu também o filho de Deus.

Entender Jesus a partir da Lógica da encarnação

Para melhor adentrarmos no mistério de Jesus e fazermos a verdadeira experiência é necessário realizarmos uma limpeza interior, pois herdamos da filosofia grega a “lógica da oposição”, ou seja, uma tendência a separar coisas que na realidade são unidas. Esta lógica coloca Deus criador em oposição à criatura humana, opõe o afeto à racionalidade, o homem à mulher, a alma ao corpo.
Para conhecermos quem foi Jesus e qual foi a sua missão, devemos substituir esta lógica da oposição pela lógica da encarnação, que é a lógica de Deus. Quanto mais eu me torno espiritual, mais eu me faço carnal, isto é, quanto mais eu me humanizo mais eu me espiritualizo. A lógica da encarnação se confirma através da encarnação do Deus filho, que é o espelho de Deus e do ser humano, para o qual nos olhamos e percebemos quem é Deus, o que somos para Ele e qual é o seu projeto. Olhando a perspectiva do Reino pelo prisma da encarnaçaõ experimentamos mais facilmente a ação de Deus.
A partir da encarnação de Jesus Cristo, fazer pouco caso do ser humano é fazer pouco caso de Deus, que assumiu a nossa forma humana, ou seja, a separação entre Deus e o homem é rompida com a encarnação de Jesus Salvador.
Ser discípulo de Jesus é tomar suas ações como sendo nossas. A missão de batizados nos faz seguidores de Jesus através da fidelidade ao seu projeto. Jesus internalizou tão intensamente o projeto de Deus que foi capaz de levá-lo até as últimas conseqüências. Não era sua intenção morrer na cruz, mas a morte foi a inevitável conseqüência de sua radical fidelidade ao projeto. A morte de Jesus não teria sentido se fosse desligada de sua vida. Ele morreu por causa de seu modo de viver, pois o ponto alto da Salvação que Ele nos trouxe se encontra no amor demonstrado em sua vida.
Quem se deixa fazer a experiência de Jesus, torna-se automaticamente seu discípulo, “... vou pedir pra poder contemplá-lo, pois sem Ele viver não consigo”.

 
© - 2006 - Salvatorianos - Todos os direitos reservados