|
|
Jesus
era de origem oriental. Para os orientais o nome não é
apenas a forma de chamar a pessoa, porém revela também
o mais profundo de seu ser, de sua missão e vocação.
Jesus significa “ yahweh salva”. Jesus é Jesus
porque através dele e nele a salvação humana
torna-se possível. Jesus sendo de origem judaica, cresceu
e se desenvolveu dentro de um seio familiar que prezava pelas tradições
religiosas. Sua infância foi igual a de qualquer outra criança
de sua época. Aos poucos Jesus vai internalizando sua missão
expressando-a através de sua vida pública. O modo
de proceder de Jesus tinha características que o singularizava,
sua pedagogia fazia seus discípulos pensarem, tirando as
conclusões de seu interior. Jesus ensinava com os acontecimentos
mais do que com teorias ou dogmas apreendidos de memória.
Ele utilizava-se de qualquer circunstância da vida cotidiana
para revelar os mistérios do Reino. Porém o mais importante
nos ensinamentos era o mestre. Onde Ele estava, ali estavam também
os discípulos, o que Ele dizia era a verdade e como Ele vivia
havia-se de viver. A vida era sua escola. O modelo por excelência
de Jesus para mostrar o Reino era uma criança. Se não
se adquirisse suas atitudes não poderia ser seu discípulo.
Quem melhor podia mostrar o Reino não era um diplomado na
escola Rabínica de Jerusalém, mas sim uma criança
que confiava e dependia de seu pai.
O modo como Jesus se relacionava com as pessoas e a nova maneira
de lidar com certos preceitos religiosos atraiu muitas pessoas da
época e continua a cativar pessoas até os dias de
hoje.
O Modo
de proceder de Jesus
O que
mais cativou as pessoas da época foi o novo jeito de proceder
de Jesus frente à realidade vigente. Jesus foi sinal de contradição,
chegando a posicionar-se frente às leis da época em
prol do ser humano. Ele veio nos mostrar um jeito novo de viver,
tendo como parâmetro a pessoa do outro. Cristo fez-se servo,
o messias pobre que vem e se identifica com os últimos dos
últimos. O ser de Jesus é um ser para os outros, pois
se coloca a serviço do próximo para comunicar o amor
de Deus. Ele utilizou-se do amor como base para a realização
da sua missão. Seu amor era desprovido de quaisquer preconceitos,
Ele não opunha, mas unia. Por isso no modo de proceder que
Jesus veio mostrar à humanidade estava a inclusão
das mulheres, das crianças e dos doentes na realidade da
salvação e do Reino.
Jesus sofria com os excluídos não por carência,
mas por plenitude do seu amor. Deus se coloca ao lado de todos os
que sofrem porque a sua glória é a vida do pobre e
do excluído. Em Jesus, Deus criador se coloca de joelhos
aos pés da criatura.
Crises
de Jesus
O filho
de Deus por ser também humano passou por crises. A inserção
no projeto de Deus perpassa por essa realidade da crise. Jesus passou
por crises no seu processo de tornar-se responsável pela
missão do Pai. A crise é sempre momento de crescimento
e purificação, pois é nela que surgem os verdadeiros
fundamentos e alicerces da vida humana. Com a crise, Jesus compreendeu
a realidade e a dimensão de sua missão. Vale ressaltar
que a crise não revela fraqueza de convicções,
pelo contrário, podem nascer dela muitas de nossas certezas.
Cristo Salvador é tão divino quanto humano. Muitas
vezes somos levados a tocar na vida de Jesus com um caráter
mágico e extraordinário, supervalorizando o seu lado
divino e menosprezando o seu lado humano. Esquecemos assim que a
ressurreição se manifestou num crucificado, que a
crise atingiu também o filho de Deus.
Entender
Jesus a partir da Lógica da encarnação
Para
melhor adentrarmos no mistério de Jesus e fazermos a verdadeira
experiência é necessário realizarmos uma limpeza
interior, pois herdamos da filosofia grega a “lógica
da oposição”, ou seja, uma tendência a
separar coisas que na realidade são unidas. Esta lógica
coloca Deus criador em oposição à criatura
humana, opõe o afeto à racionalidade, o homem à
mulher, a alma ao corpo.
Para conhecermos quem foi Jesus e qual foi a sua missão,
devemos substituir esta lógica da oposição
pela lógica da encarnação, que é a lógica
de Deus. Quanto mais eu me torno espiritual, mais eu me faço
carnal, isto é, quanto mais eu me humanizo mais eu me espiritualizo.
A lógica da encarnação se confirma através
da encarnação do Deus filho, que é o espelho
de Deus e do ser humano, para o qual nos olhamos e percebemos quem
é Deus, o que somos para Ele e qual é o seu projeto.
Olhando a perspectiva do Reino pelo prisma da encarnaçaõ
experimentamos mais facilmente a ação de Deus.
A partir da encarnação de Jesus Cristo, fazer pouco
caso do ser humano é fazer pouco caso de Deus, que assumiu
a nossa forma humana, ou seja, a separação entre Deus
e o homem é rompida com a encarnação de Jesus
Salvador.
Ser discípulo de Jesus é tomar suas ações
como sendo nossas. A missão de batizados nos faz seguidores
de Jesus através da fidelidade ao seu projeto. Jesus internalizou
tão intensamente o projeto de Deus que foi capaz de levá-lo
até as últimas conseqüências. Não
era sua intenção morrer na cruz, mas a morte foi a
inevitável conseqüência de sua radical fidelidade
ao projeto. A morte de Jesus não teria sentido se fosse desligada
de sua vida. Ele morreu por causa de seu modo de viver, pois o ponto
alto da Salvação que Ele nos trouxe se encontra no
amor demonstrado em sua vida.
Quem se deixa fazer a experiência de Jesus, torna-se automaticamente
seu discípulo, “... vou pedir pra poder contemplá-lo,
pois sem Ele viver não consigo”. |
|