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Tratar
do exílio da Babilônia é colocar em evidência
uma experiência do povo de Jerusalém, o que pede uma
breve contextualização nacional e internacional daquele
período, isto é, uma pequena análise de conjuntura
e ainda o peso dessa experiência para o povo da Golá
(do exílio), para os dispersos e para as gerações
futuras. O que aconteceu de tão significativo para que tantos
escritos surgissem, tantos conceitos fossem construídos e
por que isso tem implicações até nossos dias?
Enfim, o exílio, como fato histórico de Judá,
é algo datado, mas quanto à experiência de fé
é algo que atinge os nossos dias.
O
EXÍLIO
O Exílio, que aconteceu no século VI aC, foi fruto
da expansão territorial imperialista da Babilônia,
mas antes da Babilônia convém fazer colocações
sobre a Assíria.
Judá já havia se livrado da destruição
Assíria por volta do ano 701, ficando somente sob o estado
de vassalagem, o que aconteceu devida uma política interna
estável e boas relações externas. Já
no período próximo à invasão babilônica,
a situação política de Judá estava um
tanto instável. No século VII aC., Manassés
tinha imprimido um regime opressor ao povo (2Rs 21, 1-18;21-16).
Após a sua morte, o seu sucessor é assassinado por
seus ministros ( 2Rs 19 – 26), o que causa grande tensão
interna e proporcionará a intervenção do povo
da terra, ou seja, os chamados Judaítas, que entronam uma
criança de oito anos, Josias.
Isso implica o “povo” no poder. Josias instala uma reforma
que visa a atender parte das reivindicações do povo
da terra, contudo acontece nessa reforma uma centralização
do culto e investidas militares, que desembocou na vitória
dos egípcios em 609 aC. Nessa época Josias é
morto, e os Javistas voltam a proclamar um rei, dessa vez é
Jeocaz, que ocupou o trono por três meses, foi deposto pelo
Egito (Jr 22, 10-12), que impõe Joaquim como rei,iniciando
mais um período de opressão para o povo de Judá,
exploração tributária e repressão, até
sua morte em 598aC. Seu filho Joaquim é quem colherá
o fruto de sua política externa e aparente diplomacia. Joaquim
vai investir em uma política contra a Babilônia , o
que vai ressaltar na ação Babilônica para evitar
avanços do Egito, em 597 ac Jerusalém é desmilitarizada
e cerca de 10 mil pessoas são deportadas (2Rs 24, 14-16).
Por volta de dez anos depois Zedequias é o líder político
imposto e que vai se rebelar contra os Babilônicos, resultando
na destruição e desurbanização de Judá
em 587 e conseqüentemente o segundo exílio, mas ao que
indica Jeremias (52,30) aconteceu outro exílio em 582, chegando
a somar 15 mil pessoas de Jerusalém na Babilônia.
Em Judá permaneceu, sobretudo, o povo do campo, pois a mesma
(Judá) foi desurbanizada por grupos proféticos, litúrgicos
e cantores. É desses grupos que surgirá a literatura
renascente, ou seja, a leitura do exílio a partir dos que
ficaram na terra. Não havia mais o Estado de Israel, havia
grupos que viviam nos campos, o que traz uma semelhança com
o sistema tribal. Por outro lado os moradores das cidades que ficaram
estavam arrasados, tudo tinha sido destruído: o templo, os
prédios, a estrutura urbana. Tudo estava em ruínas
após 587, do povo das cidades é que surgem as lamentações,
pois para os que serviam o templo restou a oração
de lamentação (Jr 41, 4-7).
Há o grupo também dos que fugiram para o Egito ou
outras partes, estes compõem a diáspora (2 Rs 25,
25-26), também a estes o texto de Segundo Isaías se
dirige quando trata do segundo êxodo, (Is 48,21; 52, 12; 55,12).
Já o povo do exílio não ficou distanciado,
mas agrupado em uma só região. Provavelmente ficaram
às margens de rios (Sl 137), e outros estiveram na corte
da Babilônia. Com essas “regalias” de exilados,
o povo de Judá pode se reunir e retornar a sua história
de povo que assume como único Deus.
LAMENTAÇÕES
Entre os textos experienciais vê-se Lamentações.
Lm 1 chora ao ver os pagãos invadirem o templo, ao ver os
filhos de Javé morrerem de fome, é a dor nas entranhas,
isto é, no mais íntimo da alma, mas confia no Senhor
(Lm 1,20). A partir deste texto de Lamentações se
tem a experiência do remanescente. É tempo de questionamento,
tempo de chorar, de pedir perdão. Já Lm2, 19 mesmo
perante a calamidade, o autor expõe a continuidade das vigílias
de oração. É preciso clamar ao Senhor e apresentar-lhe
a dor do povo. Em Lm (3,55-57) há a demonstração
do reencontro, o Senhor ouviu novamente o clamor, e também
o respondeu (Lm 3,57), não ignora o clamor do aflito. Esta
é a experiência dos que ficaram ligados às ruínas
do templo. Já entre o povo do campo a oração
característica foi de clamor, ou seja, clamor por justiça
e libertação, esta era sua oração dentro
da opressão dos poderes de Judá, por isso, nesse grupo
encontram-se textos proféticos, que apresentam a causa do
exílio e chamam a atenção para a conversão
do povo ao único Deus: Javé. É uma retomada
da espiritualidade do Êxodo, entre os textos proféticos
desta época encontram-se: Jeremias, que é uma escola
profética, que parte do Norte para o Sul, também Sofonias
proclamando que os pobres herdarão o reino, e Habacque que
condena a espoliação do povo de Javé. Estes
três profetas possuem seus discursos mais próximos
do povo do campo. Tecem críticas ao templo (reforma Josiânica)
e ao poder opressor dos monarcas.
A experiência dos remanescentes e dos exilados, ambas constituíram
o evento memorial do exílio. E que está presente na
literatura exílica:
Na Babilônia : Ezequiel, a possibilidade da ação
de Javé fora da terra prometida; Dêutero-Isaías,
texto da segunda deportação e anuncia um segundo Êxodo.
Releitura do Pentateuco, o povo da Golá relê o texto
Pentateuco segundo os desafios do exílio.
Os remanescentes: Aqui se registram basicamente textos proféticos:
Jeremias, Habacque, Sofonias, Abdias, Lamentações
e releitura de alguns profetas como Miquéias. |
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