15. EVANGELHO SEGUNDO MARCOS
"Cícero Valdemir"

Caríssimos leitores, sejam todos(as) bem-vindos(as) ao Evangelho segundo Marcos. Sintam-se à vontade, em casa para refletir e rezar o testemunho que o Cristo Salvador nos deu.
Todas as vezes que encontro os catequistas e as lideranças das comunidades para refletir, rezar e analisar o Evangelho de Marcos, as pessoas me falam como se essas narrativas fossem escritas de jornais. Ainda há muitos que pensam que os Evangelhos são frutos da filmagem que os “apóstolos e os discípulos” que viveram com Jesus, fizeram de seus atos e de suas palavras como se fossem atuais repórteres. Mas temos que ter em mente que naquele tempo não havia máquinas de filmagem, o que havia mesmo era a experiência da convivência com Jesus.
Tanto Jesus quanto seus companheiros de jornada não pertenciam a uma camada social instruída, como muitas de nossas comunidades. Mas, mesmo não sendo doutor em letras, todos gostavam de ouvi-lo relatar suas parábolas, seus provérbios e suas histórias. Era a simplicidade dos relatos que fazia as comunidades pararem para ouvi-lo... e transmitir para os outros. Mesmo depois da paixão, morte e ressurreição do Senhor, as comunidades mantiveram sua memória através dos relatos, dos testemunhos, da oração e da partilha do pão.

O Livro de Marcos
Analisando o Evangelho de Marcos, iremos logo notar que é o menor entre os quatro: ele é composto de 680 versículos ao todo, já em “Lucas tem 1.149 e em Mateus, 1068”.
Ao longo das décadas, o Evangelho de Marcos foi o menos consultado, refletido e rezado pelas comunidades cristãs. As comunidades cristãs não o refletiam de maneira aprofundada porque o achavam incompleto e desarrumado, sem estrutura e sem fio condutor.
Mas os pesquisadores bíblicos vêm descobrindo no decorrer dos tempos que o Evangelho de Marcos, apesar de ser um texto menor, é muito bem elaborado e com mensagens profundas, bem significativas para o ser humano.
A narração de Marcos revela um contexto de “perseguição” dos cristãos. A comunidade de Marcos vive sua fé numa situação conflituosa e de muita oposição. Trata de uma fé contestada; portanto, é necessário assumir todos os tipos de riscos, pois o ambiente em que a comunidade de Marcos se encontra rejeita ao mesmo tempo a fé e aqueles que a professam.
Sua experiência ajuda a entender o seu jeito de narrar. Neste sentido, é muito importante frisar sua experiência missionária. Como Marcos estava iniciando e não conhecia os riscos, perigos, dureza e dificuldades da atividade missionária, encontrou muitas pedras no caminho.
O Evangelho deixa transparecer que a missão entre os pagãos deve ter sido muito difícil para Marcos, mas o importante é que ele não desistiu de sua missão e anunciou o Cristo Salvador, em toda comunidade que fora designado.
Evangelho
Agora, convido a vocês, caríssimos leitores, a fazerem um breve passeio pelo texto de Marcos, que abre o seu livro da seguinte maneira: “Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Mc.1,1). Poderemos perceber que sua narrativa é a única a colocar logo no primeiro capítulo a palavra “Evangelho”.
É o Evangelho mais antigo, escrito por volta dos anos 70 d.C., foi escrito para uma pequena cidade (comunidade) que já havia feito experiência da palavra de Jesus e quiseram comunicá-la . Por isso, não foi necessário Marcos relatar toda sua história e experiência às pessoas de seu tempo.
No Novo Testamento encontramos o termo ‘Evangelho’ que quer dizer: “Boa Nova”, “Boa Notícia” que se faz Boa Realidade. Que nada mais são que atos e ações vividas por Jesus de Nazaré e experenciadas por seus seguidores. O conteúdo anunciado da vida de Jesus é apresentado em quatro diferentes “testemunhos” dados pelos Evangelistas: Mateus, Marcos, Lucas e João.
Quem é Jesus?

Tanto Marcos como sua comunidade buscou dar respostas à pergunta: “Quem é Jesus”? Essa pergunta está na primeira parte (Mc1,16-8,26) e a resposta está na segunda parte (Mc.8,27-16,20) onde diz: “Jesus de Nazaré é o Messias-servo sofredor, crucificado e ressuscitado, verdadeiro Filho de Deus”. Também há outra pergunta que permeia o Evangelho de Marcos do começo ao fim e que está ligado à primeira: para nós o que significa ser discípulos (as) de Jesus? Como seguí-lo?
No Evangelho de Marcos, a palavra ‘discípulo’ aparece 46 vezes e o verbo ‘seguir’,18 vezes”. Toda essa insistência de Marcos não é por acaso, revela onde bate o coração do texto e quais mensagens quer passar, e eu completo com outro ditado popular: “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. A sua preocupação fundamental é saber quem é Jesus e como ser fiel à sua mensagem.
A chave de leitura para superar os conflitos sociais e viver a religião autêntica de Jesus passa pela prática de Jesus. Quem é coerente com ela não está longe do Reino de Deus. Na nova sociedade que brota de Jesus, o chefe é o servo, o grande é o escravo. As relações agora são de serviço fraternos. Nessa sociedade não há mais chefes, não há servos e nem escravos: a dimensão poder – serviço torna todos servidores uns dos outros. Esse é o poder que redime e instaura a nova sociedade descrita em Mc 10,35 – 44.
Com a morte do filho de Deus, foi apresentado caminhos para se criar esse novo modelo de sociedade apresentada nos versículos 42 – 43, onde diz: “Ele veio para servir e não para ser servido”. E sua vida, serviço até a morte, resgatou a todos, de modo que a humanidade inteira pertença a Jesus.O convite de Marcos é para que continuemos essa tarefa.

Para Refletir

- O que aprendemos com Jesus e com a nossa prática evangélica?
- Qual é a prática de Jesus que nós somos chamados a aderir?
- Como deve ser a nossa catequese?

 
© - 2006 - Salvatorianos - Todos os direitos reservados