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Caríssimos
leitores, sejam todos(as) bem-vindos(as) ao Evangelho segundo Marcos.
Sintam-se à vontade, em casa para refletir e rezar o testemunho
que o Cristo Salvador nos deu.
Todas as vezes que encontro os catequistas e as lideranças
das comunidades para refletir, rezar e analisar o Evangelho de Marcos,
as pessoas me falam como se essas narrativas fossem escritas de
jornais. Ainda há muitos que pensam que os Evangelhos são
frutos da filmagem que os “apóstolos e os discípulos”
que viveram com Jesus, fizeram de seus atos e de suas palavras como
se fossem atuais repórteres. Mas temos que ter em mente que
naquele tempo não havia máquinas de filmagem, o que
havia mesmo era a experiência da convivência com Jesus.
Tanto Jesus quanto seus companheiros de jornada não pertenciam
a uma camada social instruída, como muitas de nossas comunidades.
Mas, mesmo não sendo doutor em letras, todos gostavam de
ouvi-lo relatar suas parábolas, seus provérbios e
suas histórias. Era a simplicidade dos relatos que fazia
as comunidades pararem para ouvi-lo... e transmitir para os outros.
Mesmo depois da paixão, morte e ressurreição
do Senhor, as comunidades mantiveram sua memória através
dos relatos, dos testemunhos, da oração e da partilha
do pão.
O Livro de Marcos
Analisando o Evangelho de Marcos, iremos logo notar que é
o menor entre os quatro: ele é composto de 680 versículos
ao todo, já em “Lucas tem 1.149 e em Mateus, 1068”.
Ao longo das décadas, o Evangelho de Marcos foi o menos consultado,
refletido e rezado pelas comunidades cristãs. As comunidades
cristãs não o refletiam de maneira aprofundada porque
o achavam incompleto e desarrumado, sem estrutura e sem fio condutor.
Mas os pesquisadores bíblicos vêm descobrindo no decorrer
dos tempos que o Evangelho de Marcos, apesar de ser um texto menor,
é muito bem elaborado e com mensagens profundas, bem significativas
para o ser humano.
A narração de Marcos revela um contexto de “perseguição”
dos cristãos. A comunidade de Marcos vive sua fé numa
situação conflituosa e de muita oposição.
Trata de uma fé contestada; portanto, é necessário
assumir todos os tipos de riscos, pois o ambiente em que a comunidade
de Marcos se encontra rejeita ao mesmo tempo a fé e aqueles
que a professam.
Sua experiência ajuda a entender o seu jeito de narrar. Neste
sentido, é muito importante frisar sua experiência
missionária. Como Marcos estava iniciando e não conhecia
os riscos, perigos, dureza e dificuldades da atividade missionária,
encontrou muitas pedras no caminho.
O Evangelho deixa transparecer que a missão entre os pagãos
deve ter sido muito difícil para Marcos, mas o importante
é que ele não desistiu de sua missão e anunciou
o Cristo Salvador, em toda comunidade que fora designado.
Evangelho
Agora, convido a vocês, caríssimos leitores, a fazerem
um breve passeio pelo texto de Marcos, que abre o seu livro da seguinte
maneira: “Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho
de Deus” (Mc.1,1). Poderemos perceber que sua narrativa é
a única a colocar logo no primeiro capítulo a palavra
“Evangelho”.
É o Evangelho mais antigo, escrito por volta dos anos 70
d.C., foi escrito para uma pequena cidade (comunidade) que já
havia feito experiência da palavra de Jesus e quiseram comunicá-la
. Por isso, não foi necessário Marcos relatar toda
sua história e experiência às pessoas de seu
tempo.
No Novo Testamento encontramos o termo ‘Evangelho’ que
quer dizer: “Boa Nova”, “Boa Notícia”
que se faz Boa Realidade. Que nada mais são que atos e ações
vividas por Jesus de Nazaré e experenciadas por seus seguidores.
O conteúdo anunciado da vida de Jesus é apresentado
em quatro diferentes “testemunhos” dados pelos Evangelistas:
Mateus, Marcos, Lucas e João.
Quem é Jesus?
Tanto Marcos como sua
comunidade buscou dar respostas à pergunta: “Quem é
Jesus”? Essa pergunta está na primeira parte (Mc1,16-8,26)
e a resposta está na segunda parte (Mc.8,27-16,20) onde diz:
“Jesus de Nazaré é o Messias-servo sofredor,
crucificado e ressuscitado, verdadeiro Filho de Deus”. Também
há outra pergunta que permeia o Evangelho de Marcos do começo
ao fim e que está ligado à primeira: para nós
o que significa ser discípulos (as) de Jesus? Como seguí-lo?
No Evangelho de Marcos, a palavra ‘discípulo’
aparece 46 vezes e o verbo ‘seguir’,18 vezes”.
Toda essa insistência de Marcos não é por acaso,
revela onde bate o coração do texto e quais mensagens
quer passar, e eu completo com outro ditado popular: “água
mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. A sua
preocupação fundamental é saber quem é
Jesus e como ser fiel à sua mensagem.
A chave de leitura para superar os conflitos sociais e viver a religião
autêntica de Jesus passa pela prática de Jesus. Quem
é coerente com ela não está longe do Reino
de Deus. Na nova sociedade que brota de Jesus, o chefe é
o servo, o grande é o escravo. As relações
agora são de serviço fraternos. Nessa sociedade não
há mais chefes, não há servos e nem escravos:
a dimensão poder – serviço torna todos servidores
uns dos outros. Esse é o poder que redime e instaura a nova
sociedade descrita em Mc 10,35 – 44.
Com a morte do filho de Deus, foi apresentado caminhos para se criar
esse novo modelo de sociedade apresentada nos versículos
42 – 43, onde diz: “Ele veio para servir e não
para ser servido”. E sua vida, serviço até a
morte, resgatou a todos, de modo que a humanidade inteira pertença
a Jesus.O convite de Marcos é para que continuemos essa tarefa.
Para Refletir
- O que aprendemos com
Jesus e com a nossa prática evangélica?
- Qual é a prática de Jesus que nós somos chamados
a aderir?
- Como deve ser a nossa catequese?
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