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Caros
leitores(as) que acompanham mensalmente nesta página nossas
reflexões bíblicas. Hoje nós queremos dar continuidade
a esta proposta de, cada vez mais, compreendermos os ensinamentos
de Jesus na Bíblia para podermos seguí-lo com mais
firmeza e clareza.
E é nesse espírito que iniciamos nosso diálogo
com o evangelho de Marcos 8,27 à 10,32. Encontramos aqui
o que podemos chamar “os três anúncios”
da paixão e da ressurreição de Jesus (8,30-33;
9,30-32; 10,32-34). Estes anúncios são muito importantes
para entendermos os ensinamentos que Jesus recomenda aos discípulos
perante a dificuldade que estes têm em aceitar o Messias como
Servo Sofredor. Dizer que Jesus morreu e ressuscitou era algo de
muito valor para os primeiros cristãos que O anunciavam.
Era um resumo de sua fé, isto é, significava dizer
que o projeto de Jesus não acabou na cruz pois o Cristo está
vivo e se faz presente em meio à comunidade de fé.
Por isso, para que os discípulos compreendam o verdadeiro
sentido da ressurreição, esses anúncios são
seguidos de ensinamentos que Jesus vai fazer.
Jesus faz com seus discípulos um caminho que inicia-se em
Cesaréia de Felipe (Mc 8,27) até Jerusalém
(10,32). Durante este caminho, muitas vezes Jesus depara-se com
a incompreensão dos discípulos perante seu projeto.
Já no início da caminhada Jesus quer fazer uma pequena
avaliação sobre sua missão perguntando: Quem
dizem os homens quem eu sou? E, após várias respostas,
Pedro responde: Tu és o Cristo! Aparentemente a resposta
de Pedro é cheia de convicção e demonstra certeza.
Mas após ter escutado que Jesus deveria sofrer, morrer e
ressuscitar, Pedro volta-se e começa a tentar convencer que
isso não seria necessário. Jesus porém recrimina-o:
“Afasta-te de mim satanás”(8,33). Isso indica
que Pedro ainda não tinha compreendido as consequências
do seguimento da missão do mestre. Pedro queria um messianismo
triunfalista.
No capítulo 9,2 temos a transfiguração, onde
Jesus encontra-se no alto de uma montanha com Moisés e Elias,
transfigurando-se diante dos olhos dos discípulos. Aqui é
o próprio Deus que manda o recado: “este é o
meu filho amado, ouvi-o!” (9,7). É necessária
a voz de Deus chamando a atenção para que se compreenda
os ensinamentos de Jesus: ouvi-o! Logo mais adiante (em 9,14-28)
Jesus chama atenção pela falta de fé de seus
discípulos que foram incapazes de curar o “epiléptico
endemoniado”: Ó geração incrédula!
Até quando estarei convosco? Até quando vos suportarei?
(9,18) E então Jesus expulsa o espírito impuro explicando
a forma que se utilizou: “Essa espécie não pode
sair a não ser pela oração”(9,29), ou
seja, a oração, o discer-nimento, a clareza na proposta
de Jesus é que permitirá que se possa realizar seus
mesmos sinais. Mas mesmo depois do segundo anúncio da paixão,
em que Jesus iria ser morto e ressuscitado os discípulos
não entendem: “não compreendiam sua palavra
e tinham medo de interrogá-lo”. E além de não
entenderem Jesus, ainda ficam “discutindo sobre qual era o
maior”! (9,34), isto é, estão tão confusos
no seguimento que ficam discutindo sobre coisas secundárias
e fúteis. Mais uma vez Jesus os repreende: “Se alguém
quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de
todos”(9,35).
Já no terceiro anúncio da paixão, “subindo
para Jerusalém”, não é mais a incompreensão
que toma conta dos discípulos, mas sim o temor, o medo: “estavam
assustados e acompanhavam-no com medo” (10,32). A progressiva
caminhada vai “cansando” os discípulos que, depois
de tantas repreensões de Jesus, ficam atemorizados por não
entenderem nada. Mas, após um longo silêncio Tiago
e João fazem uma última questão: “Mestre,
queremos que nos faças o que nós vamos te pedir”?
“concede-nos tua glória”? E Jesus responde: “não
sabeis o que estais pedindo”. Aqui a mentalidade dos discípulos
está ainda ligada ao triunfalismo, onde imperam o poder e
a hierarquia. Jesus condena mais uma vez esta mentalidade dizendo
que seus discípulos não podem reproduzir as atitudes
gananciosas dos poderos deste mundo: “sabeis que aqueles que
vemos governar as nações às dominam, e os seus
grandes às tiranizam. Entre vós não será
assim…aquele que quiser ser grande, seja servidor” (10,42-43).
E complementa: “O Filho do Homem não veio para ser
servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por muitos”
(v.45).
No final, vemos um exemplo do verdadeiro discípulo, o cego
de Jericó (10,46-52). Este tema vem encerrar tudo o que vimos
antes: é necessário ver para seguir Jesus. O cego
quer ver, por isso grita a Jesus com insistência. E eis que
a fé é suficiente, não se realiza gesto algum.
O cego curado põe-se então a seguir Jesus pelo caminho
(10,52). Bartimeu aqui é o modelo do discípulo, incapaz
de seguir a Jesus por si próprio, como Pedro, Tiago ou João
que querem elevar-se acima dos outros. Isso mostra que Jesus cura
seus discípulos e os ilumina para que se tornem capazes de
seguí-lo!
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