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Quero
começar nossa reflexão fazendo uma pergunta a você,
caro leitor. Pergunta simples, que com um pouco de reflexão
você responderá: Com que objetivo e em quais momentos
as pessoas mais procuram a Jesus Cristo?
Não tenha tanta pressa em responder. Eu lhe convido a darmos
uma olhada no Evangelho de São Marcos. Talvez Ele nos dê
uma resposta.
Marcos demonstra que as multidões procuravam Jesus a todo
momento e que elas se constituíam de pessoas necessitadas,
que buscavam algum tipo de ajuda. Eram pobres, excluídos,
doentes, endemoninhados, cegos, surdos-mudos. “A tarde, depois
do pôr-do-sol, levaram a Jesus todos os doentes... A cidade
inteira se reunia em frente a casa. Jesus curou muitas pessoas de
vários tipos de doenças e expulsou muitos demônios...”(Mc
1, 32-34). Por atender aos necessitados, a procura por Jesus aumentou
tanto, que ele não podia entrar em certos lugares que a multidão
já vinha pedir ajuda. “... Jesus já não
podia entrar publicamente numa cidade: ele ficava fora, em lugares
desertos. E de toda a parte as pessoas iam procurá-lo.”
(Mc 1,45). “Iam de toda a Região, levando os doentes
deitados em suas camas para o lugar onde ouviam falar que Jesus
estava. E onde Ele chegava, tanto nos povoados como nas cidades
ou nos campos, colocavam os doentes nas praças e pediam que
pudessem ao menos tocar a barra das roupas de Jesus. E todos os
que tocaram ficaram curados. (Mc 6, 55-56).
Em todo o evangelho de Marcos encontramos relatos de um povo necessitado
e em contrapartida, atitudes de amor e salvação de
Jesus para com seu povo.
JESUS AJUDA, MAS
TAMBÉM ENSINA
É
bom observarmos que nas atitudes de Jesus para com a multidão,
Ele não permanecia na cura e na ajuda aos necessitados, como
uma espécie de assistencialismo. Seu modo de agir ia além,
não se contentava em dar de comer e curar os doentes. Mais
que tudo, ele ensinava e exigia uma adesão ao seu projeto.
“... toda a multidão ia ao seu encontro. E Jesus os
ensinava” (Mc 2,13). “Jesus começou a ensinar
de novo às margem do mar da Galiléia. Uma multidão
se reunia em volta dele. (Mc 4, 1). “Em seguida, Jesus chamou
de novo a multidão para perto dele e disse: ‘ escutem
todos e compreendam...’ (Mc 7, 14). “Novamente o povo
acorreu a Ele e, segundo seu costume, os ensinava” (Mc 10,1).
Certo dia, um homem que com certeza vivia nessa multidão,
se aproximou de Jesus e pediu um conselho: “Bom mestre, O
que devo fazer para herdar a vida eterna?” (Mc 10, 17ss).
Jesus primeiro ensinou a observar os mandamentos, e quando já
estivesse fazendo isso, propôs que vendesse tudo, entregasse
aos pobres e o seguisse. “Depois dessas palavras, o homem
franziu a testa e partiu triste, pois era muito rico. (Mc 10, 22
).
Depois de vermos esses exemplos de Jesus ensinando, temos mais clareza
sobre o que é seguir Jesus. Não basta ouvir o que
Ele fala, mas precisamos pôr em prática. Nós
também devemos acolher e ajudar aos necessitados.
MAS A
MULTIDÃO
PREFERE BARRABÁS
Agora
me vem à mente outra pergunta. Se Jesus era bom, ajudava
aos necessitados, acolhia a todos e ensinava como chegar ao Reino
de Deus, por que a multidão preferiu Barrabás à
Jesus quando Ele estava sendo julgado por Pilatos? (Mc 15, 11).
O escritor Rubem Alves, analisando o modo como o povo geralmente
age, pode nos ajudar. Segundo ele, o povo sempre está à
procura de heróis, de ídolos, de super-homens que
resolvam seus problemas, mesmo que possa ser enganado. E quando
esse herói exige um compromisso ou uma atitude do povo, ele
é abandonado por este povo. “O povo sempre preferiu
os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhe
contavam mentiras. As mentiras são doces... Seria maravilhoso
se o povo agisse de forma racional, segundo os interesses da coletividade.
Mas uma das característica do povo é a facilidade
com que é enganado”.
Aqui podem estar as respostas para nossas perguntas. A multidão,
ou o povo, não entendeu a proposta de Jesus e nunca o procurou
para participar e ajudar na construção do Reino de
Deus, mas procurava-o buscando resolver seus problemas individuais
e imediatos. Vejamos: enquanto Jesus curava e dava de comer, ele
era amado e aplaudido. A partir do momento que Ele exige mudança
de vida e um compromisso, passando a ensinar que nós também
devemos seguí-lo para lutar e denunciar as injustiças,
o abandonamos, como fez o homem rico, e preferimos Barrabás.
Hoje não é diferente. Basta alguém aparecer
com um discurso bonito e com milhões de promessas, que o
povo já corre atrás buscando “tirar uma casquinha”.
E mais, acredita que ele irá salvar a todos. O Evangelho
de São Marcos nos ensina que Jesus nunca quis ser um herói
ou um ídolo, e resolver todos os problemas da humanidade.
O que ele quis foi nos demonstrar que, a partir da prática
do amor, da justiça e da caridade, podemos chegar ao Reino
de Deus.
Estamos próximos de celebrar mais uma Páscoa, e uma
última pergunta que deixo a você é: com que
objetivo vamos celebrar a memória da paixão, morte
e ressurreição de Jesus Cristo este ano? |
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