5° Mandamento – “Não matar”


Em nossos catecismos se lê “não matar”. Na bíblia se lê o mesmo: “não mate, ou não matarás” (Ex.20,13). É um mandamento breve, mas é o mandamento Central. Não apenas proíbe atentar contra a vida do outro, do semelhante, mas de todo sistema injusto, opressor e explorador que reduz o povo ás condições subumanas levando-o à morte.

No Egito, a “casa da escravidão” a vida dos pobres, dos pequenos e deficientes valia muito pouco. Os escravos que já não possuíam aptidão para o serviço ou inconvenientes eram eliminados. O Faraó decretava leis que mandava castigar indivíduos que matavam. Mas o sistema com que o Faraó governava não respeitava a vida do povo e matava os que eram contrários à Lei. Apesar de o Faraó mandar castigar os assassinos, ele próprio assassinava muito mais. Decretou a matança dos inocentes por medo da “multiplicação dos israelitas” (Ex 1,10-16). O medo de perder a produção levou o povo ”uma vida amarga com duros trabalhos” (Ex.1,14). A lei servia a morte e não a vida.

Com a saída da “casa da escravidão” o povo de Moisés percebeu que a lei do Faraó não era a Lei de Deus. Para uma nova vida em liberdade não se deve eliminar a vida de ninguém, nem dos “inconvenientes”. A vida é o maior dom de Deus. O povo não pode atentar contra ela. Atentar contra a vida é atentar contra o próprio Deus. Ela deve ser respeitada como se respeita a imagem do próprio Deus. Este respeito profundo pela vida tinha de aparecer de maneira bem concreta na nova sociedade. “Não matarás”, tarefa difícil. Foi um processo longo na educação dos filhos, havendo muitos erros e falhas. A Bíblia, sem mentir, conta erros e falhas do povo e nos ensina a não errar onde eles erram (1Cor 10,6). O povo libertado não era um povo santo. Tinhas muitas idéias misturadas: ódio dos inimigos, desejo de vingança e cobiça. Identificavam a vontade de Deus com a antiga lei que dizia: “olho por olho, dente por dente”.

Jesus ajudou o povo a fazer uma revisão dos erros do passado e a chegar a um maior respeito à vida. Pede que se combata a vingança pelo perdão (Mt 18,22). Manda amar os inimigos e rezar pelos que perseguem a gente (Mt 5,44). Ele deu exemplo e perdoou aqueles que o matavam (Lc 23,34). Ele viveu bem o quinto mandamento. Não apenas evitou a violência contra as pessoas, mas se colocou a serviço da vida. Conviviam com os doentes, os pobres, os famintos, os pecadores, os marginalizados, deficientes, estrangeiros etc. Ele se opôs ao sistema de morte montado pelos maus fariseus que condenavam não só a indivíduos, mas, o povo pobre, pelas leis injustas. Opôs-se ao sistema de errado que matava e excluía as pessoas da sociedade. Inocente, ele foi condenado à morte e morreu como um pobre, gritando e clamando ao Deus da vida (Mc. 15,37). Mostrou que o quinto mandamento é um compromisso com a vida. Não matar não é apenas evitar armas, mas é comprometer-se com a vida dos desafortunados.

COMO VIVER ESTE MANDAMENTO HOJE?

Vivemos num mundo de contradições. De um lado se fazem campanhas para salvar vidas, como: doar sangue, lutar contra a miséria e a fome, e se paga milhões noutro extremo para matar. Se gasta em armamentos de guerra, em artilharia, em usinas atômicas… Paga-se para matar os “inconvenientes ao sistema”. Por isso temos tantos mártires na América Latina e Brasil: como Dom Oscar Romero, Margarida Alves, Pe. Josimo Tavares, Ir. Dorothy Stang e tantos outros.

Hoje se mata de muitas maneiras: roubando a dignidade das pessoas, explorando, oprimindo, traficando drogas, abusando do álcool, do cigarro e de tantas coisas prejudiciais à saúde. Mata-se a natureza pela poluição, pelo descaso, corrupção, trânsito irresponsável. Morre muita gente precocemente por falta de condições dignas de vida.

Não matar é lutar pela vida digna das pessoas. É viver na liberdade de Filhos de Deus, que nos criou por amor e no amor quer que vivamos. É cumprir com o mandato de Jesus que diz ”Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”. (Jo 10,10) “Não quero a morte do pecador, mas que se converta e viva”! Ez 33,11

Ir. Henriqueta Mezzomo SDS - Religiosa  Salvatoriana

Texto publicado originalmente em “O Desafio” n° 217 de junho de 2011.